A política é feita de palavra. E palavra, precisa ter valor. O ex-deputado Edinho Bez (MDB) construiu uma trajetória importante em Santa Catarina. Ninguém apaga isso. Teve protagonismo, articulação, influência e marcou época dentro do partido. Mas os movimentos recentes têm causado ruído — na sigla.
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Primeiro, surgiu a intenção de indicar a filha como pré-candidata a deputada federal. O diretório municipal não concordou. Diante disso, fechou-se apoio ao projeto de João Marcelo a Fretta Zappelini, o Joma, para a Câmara Federal — um nome considerado natural dentro da construção partidária.
Até aí, parecia que o trem tinha voltado aos trilhos. Mas a estação seguinte trouxe novo desconforto. Esse cenário político acabou deixando Jorge Kock, também pré-candidato fora da articulação, pensando na Amurel. E agora surge novamente o nome da filha, desta vez como pré-candidata a deputada estadual pela região de Tubarão — algo que, segundo interlocutores locais, não estava combinado.
Política é construção coletiva. Quando acordos são refeitos sucessivamente, quando decisões parecem mudar conforme o vento, a base começa a desconfiar. E desconfiança é o combustível mais perigoso dentro de um partido.
Não se trata de atacar trajetória. Trata-se de coerência. Se havia um entendimento interno, ele foi rompido. Com todo respeito, ex-deputado: a base, conforme me contatou, quer clareza. Porque quando a palavra perde peso, o trem pode até continuar andando — mas propenso a comprometer a chegada.
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.
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