Lula apresentou dados ilusória no debate da Band - Foto: Divulgação O debate presidencial realizado no último domingo, 18 de outubro, mais uma vez reforça o apelido de Lula, o “Pai da Mentira”. Ele apresentou afirmações que, na avaliação deste colunista, precisam ser confrontadas com os dados e os fatos.
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A comparação com Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista, remete à ideia de que uma mentira repetida sem contestação pode acabar sendo aceita como verdade. É uma comparação forte, mas, nesse caso é pontual.
Na economia, Lula minimizou o crescimento do PIB e atribuiu a Bolsonaro a entrega de um governo desestruturado. A verdade é que o governo anterior terminou 2022 com superávit primário de aproximadamente R$ 54 bilhões, enquanto as contas públicas voltaram a registrar déficits nos anos seguintes.
Também é necessário confrontar a evolução da dívida pública. Lula mentiu ao fazer relação dívida/PIB. Ele pegou o governo com algo em torno de 71% ao final de 2022 e só cresceu. A dívida bruta do Brasil chegou a 82,9% do PIB em agosto de 2026, segundo dado mais recente do Banco Central. Isso equivale a aproximadamente R$ 11,1 trilhões.
Outro ponto é a Previdência. Enquanto Lula afirma defender os aposentados, seu governo foi criticado pela atuação política em torno da continuidade das investigações sobre fraudes no INSS. A suspeita de descontos indevidos em benefícios exige apuração rigorosa e responsabilização dos envolvidos, sem blindagem partidária.
Na área judicial, o debate também exige precisão. Lula afirma não ter responsabilidade nos casos que marcaram sua trajetória, mas suas condenações na Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal por questões de competência e parcialidade, e não equivalem a uma declaração judicial de que todos os fatos investigados eram fictícios.
Ao mesmo tempo, é necessário distinguir as decisões judiciais, as provas admitidas e as alegações feitas por terceiros. Fotografias e declarações envolvendo pessoas próximas ao presidente, incluindo seu filho, precisam ser examinadas no contexto das investigações, sem serem tratadas isoladamente como prova definitiva de culpa.
Na política externa, Lula também precisa explicar suas relações com Vladimir Putin, presidente russo que ordenou a invasão da Ucrânia, e Nicolás Maduro, líder venezuelano cuja posse em 2023 foi prestigiada por representantes do governo brasileiro.
A proximidade diplomática com regimes autoritários, somada às relações com Cuba e aos financiamentos brasileiros ao exterior, levanta uma questão que democracia se defende quando há tolerância com ditaduras e pouca cobrança por resultados concretos?
No caso de Cuba e da Venezuela, é preciso discutir também a recuperação dos recursos emprestados pelo Brasil.
A pandemia foi outro capítulo do debate. A defesa do governo Bolsonaro é que a demora na contratação da Pfizer envolveu exigências contratuais de responsabilização por eventuais efeitos adversos, que precisaram de respaldo legal.
A Lei 14.125, de março de 2021, autorizou o poder público a assumir riscos de responsabilidade civil em determinadas condições. Entretanto, o histórico não pode ser reduzido apenas a esse argumento. A Pfizer, por exemplo, afirmou ter feito ofertas ao Brasil ainda em 2020, e a demora nas negociações foi objeto de críticas e investigação.
A discussão sobre o PIB, o déficit público, a dívida, o INSS, os processos judiciais, as relações internacionais e a pandemia merece respostas objetivas, não apenas acusações.
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.
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