Quem opina não pode se privar de dizer o que pensa. E, justamente por isso, mesmo reconhecendo que o cenário mais apontado pelas pesquisas é de uma eleição presidencial decidida em segundo turno, eu tenho uma leitura um pouco diferente.
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Acredito que existe, sim, uma possibilidade concreta de a eleição ser definida já amanhã, no primeiro turno. Não estou dizendo que isso vai acontecer. Estou dizendo que é um cenário possível e que depende de alguns fatores.
O primeiro deles está justamente na distribuição dos votos dos candidatos que aparecem atrás. Se considerarmos os percentuais atribuídos a Caiado, Renan Santos e Ciro, há algo próximo de 10% do eleitorado nessa faixa. Se uma parcela significativa desses votos migrar na reta final — creio que 70% desse eleitorado caminharia para Flávio, como considero possível — o desenho da eleição muda completamente.
Há ainda outro ponto que merece ser observado: a margem de erro das pesquisas. O Datafolha, que sempre foi mais favorável à esquerda, vem apresentando Lula à frente de Flávio, mas dentro de uma diferença que fica dentro da margem de erro. Minha leitura é que, nesse cenário, não seria absurdo considerar que a vantagem real possa estar do outro lado, conforme apontam outros institutos.
E aqui entra um dado importante da eleição de 2022. Na véspera da votação, o Datafolha apontava Lula com 50% e Bolsonaro com 36%. No resultado do primeiro turno, Lula terminou com 48,43% e Bolsonaro com 43,20% dos votos válidos.
Ou seja: Bolsonaro recebeu uma votação significativamente maior do que aquela indicada pelo levantamento final do instituto, enquanto Lula terminou abaixo dos 50% projetados.
Isso não significa que a história necessariamente vá se repetir. Pesquisa é fotografia do momento. E as últimas horas de uma campanha podem produzir mudanças importantes, especialmente quando existe um contingente relevante de eleitores ainda propenso a migrar.
Por isso, eu não descartaria de maneira alguma um primeiro turno. Para mim, existe um caminho matemático e político para isso acontecer. Se a transferência de votos dos candidatos menores ocorrer em determinada direção e se a diferença entre Lula e Flávio estiver, de fato, dentro da margem de erro, o resultado pode surpreender muita gente.
Amanhã saberemos se essa leitura estava certa ou não. Mas, aqui, opinião é colocada na mesa.
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.
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