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Vitória esmagadora: Jorginho manda no presente e larga na frente para 2030

Por Cláudio Prisco Paraíso
06/10/2026 - 00h43

A eleição catarinense teve um grande vitorioso: Jorginho Mello. Reelegeu-se no primeiro turno, conquistou as duas vagas ao Senado, fez a maior bancada na Assembleia e elegeu sete dos 16 deputados federais.

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Uma demonstração avassaladora de força e articulação. Os adversários disputaram o governo. Jorginho ampliou seu poder sobre todo o tabuleiro.

Quase um segundo turno

Os 68,98% dos votos válidos ficaram apenas 1,71 ponto abaixo dos 70,69% conquistados no segundo turno de 2022. Praticamente repetiu, diante de vários adversários, o percentual obtido numa disputa entre dois. Votação contundente, que traduz aceitação do governo e liderança. A oposição tentou abrir uma brecha. As urnas devolveram uma muralha.

O voto casado

Jorginho mobilizou sua estrutura para eleger Carlos Bolsonaro e Carol de Toni, consolidando o voto casado quando Esperidião Amin ameaçava uma das vagas. Carlos tinha o sobrenome. Jorginho ofereceu articulação, presença e organização. Carol conquistou quase 2,7 milhões de votos e força própria. Não é apêndice de outra candidatura.

Vinte e seis mandatos

Um governador, dois senadores, sete federais e 16 estaduais: 26 mandatos do PL, além da vice-governadoria e dos aliados. Com 40% da Assembleia, os liberais comandarão negociações. Somados os aliados, Jorginho pode construir maioria folgada e influir na escolha do presidente da Casa. Sua influência na bancada federal também ultrapassa o PL.

Brasília na conta

Jorge Seif, Carol e Carlos representarão Santa Catarina no Senado a partir de 2027. Cem por cento liberal. Jorginho entrega força à direção nacional e se fortalece perante os Bolsonaro. Jair Renan foi o quarto mais votado para deputado federal no estado, o segundo do PL. O 02 chega ao Senado. O 04, à Câmara. Jorginho entrega resultado. Isso vale mais que discurso.

Força para cobrar

Se Flávio vencer o segundo turno, Jorginho terá posição privilegiada para reivindicar recursos e espaço no governo federal. Até uma indicação ministerial pode entrar na negociação. Musculatura, ele tem. Mas o prestígio precisa virar obras: rodovias, acessos, logística e infraestrutura. Proximidade com o presidente não garante obra pronta. Terá força para cobrar e será cobrado pelas entregas.

O tamanho nacional

Os 68,98% colocam Jorginho entre os maiores percentuais do país, próximo de Arthur Henrique, em Roraima, com 69,13%, e Rafael Fonteles, no Piauí, com 70,9%. Governo no primeiro turno, duas vagas ao Senado e bancadas expressivas. Quem entrega esse conjunto não chega à mesa pedindo licença. Chega com votos, mandatos e força política.

2030 já começou

Carol de Toni e Adriano Silva surgem para a sucessão. Ela tem votação gigantesca e oito anos de mandato. Ele poderá assumir o governo se Jorginho sair para disputar o Senado em 2030. Mas o Novo teve desempenho modesto: elegeu Odair Tramontin e reelegeu Gilson Marques, sem manter Matheus Cadorin na Assembleia. Adriano terá força institucional. Carol, um partido muito mais musculoso. Jorginho precisará administrar essa equação.

Adversários apequenados

Terra arrasada nas pretensões oposicionistas. Merísio fez 15,66%, abaixo dos cerca de 17,4% de Décio Lima em 2022. Lula ficou com 25,04%, também abaixo da primeira rodada anterior. A esquerda não conseguiu incomodar Jorginho. João Rodrigues terminou com 13,35%. Entrou para disputar o governo e saiu em terceiro, atrás de Merísio. Uma derrota pesada, que expõe o fracasso de sua estratégia.

O dono do pedaço

2030 não está decidido, mas o ponto de partida é brutalmente desigual. Jorginho tem o governo, bancadas fortes e influência sobre sua sucessão. A oposição precisa reconstruir discurso, liderança e organização. Ele terá de administrar a abundância de poder e acomodar os vitoriosos. A vitória foi esmagadora. A grande verdade é que Jorginho Mello é o dono do pedaço.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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