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Seletivos e tendenciosos

Por Cláudio Prisco Paraíso
29/04/2025 - 09h24

Para variar, as supremas togas brasileiras seguem agindo de forma seletiva e tendenciosa. Parcial mesmo.

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Explica-se a mais nova investida, enviesada, do Supremo Tribunal Federal, ocorre no momento dizer, no momento em que o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, Serginho Cabral para os íntimos, condenado a quatrocentos e poucos anos de xilindró; mais figuras do calibre de Zé Dirceu, José Genoíno, Renan Calheiros, essa bandidagem do mais “alto” nível no Brasil, está livre, leve e solta. 
Inclusive o próprio Lula da Silva, que não só foi solto como foi guindado de volta à cadeira presidencial.

Isso tudo acontecendo e agora vêm os nobres do STF com esse negócio da prisão de Fernando Collor de Mello? Que papo é esse? Que brincadeira é essa? 

Seria porque o alagoano foi o primeiro a derrotar o Lula lá em 1989, quando da volta das eleições diretas para presidente neste país? 

Agravante

Ou haveria outro componente, como o apoio de Collor em favor de Bolsonaro e contra Lula em 2022? 

Ou ainda, não se sabe o que é pior, porque Collor é primo do Marco Aurélio de Mello, que até há pouco tempo era o decano do Supremo. 

Excessos

E com todo o conhecimento de causa, tem criticado os excessos do Supremo e de Alexandre de Moraes, que estão a exorbitar completamente em suas atribuições? 

Viés

Sim, porque as ilegalidades e as inconstitucionalidades, o rigor, vão somente na direção dos adversários do regime, e olha que um Judiciário não poderia ter adversários.

A parcialidade está escancarada, à luz do dia. Na outra ponta, observa-se a complacência dos super-togados para com os aliados.

Perguntinha

Onde nós estamos? Esse contexto ditatorial reunindo o consórcio Supremo-Planalto está envergonhando o Brasil no exterior. 

Tripé

É muito descaramento, é muito atrevimento, é muita petulância. Não se pode esquecer, também, que o ex-presidente da República já estava se deslocando para cumprir a pena.

Mesmo assim, a Polícia Federal foi atrás dele. Que espetáculo circense. E deprimente. 

No limits

Então, realmente, a situação está passando de todos os limites. Enquanto o consórcio deita e rola, vemos um Congresso acovardado, presidido por dois pulhas, que atendem pelos nomes de Davi Alcolumbre, cuja ficha corrida é longa e de muito conhecida; e o outro que agora começa a revelar a sua própria face, mais sujo do que pau de galinheiro, o presidente da Câmara, Hugo Mota. 

Famiglia

O deputado, aliás, já começa a ficar conhecido não só pelo seu próprio comportamento, ou má conduta, mas por causa do pai, da mãe, do padrasto e da madrasta. Dá para acreditar? Que palhaçada é essa? 

Festa

Se não bastasse esse festival todo, agora estão indo para o exterior de novo, para participar de palestra aqui, convescote ali.

Conta cara

Trocando em miúdos: a farra está liberada, quase que generalizada, e o povo vai pagando cada vez mais caro pelo pão nosso de cada dia. Basta entrar na padaria e ir ao supermercado, os preços são assustadores. Sem falar na falta de escola, segurança, saúde e estradas. Depois alguns políticos se queixam que a imagem da classe está na lona. 
Também, pudera!

A nova federação que mexe no jogo sucessório

Por Cláudio Prisco Paraíso
26/04/2025 - 08h00

Mais uma federação no ambiente partidário brasileiro. Depois do PSDB com o Cidadania, tivemos o PT com o PV e o PCdoB. Agora, na quarta-feira, os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda, fecharam o acordo, que será formalizado na próxima terça-feira, 29 de abril

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Essa composição partidária vai resultar em 109 deputados federais, ou seja, vai suplantar a bancada do PL. E isso vai fazer com que essa federação seja aquela que ficará com a maior fatia do fundo partidário eleitoral. Vejamos bem, essa federação chega num momento que vai produzir desdobramentos em Santa Catarina.

Rebelados

De um lado, a rebelião dos Progressistas: os três deputados estaduais, Pepê Collaço, Altair Silva e Zé Milton, além de alguns prefeitos e vices, que também subscreveram abaixo-assinado, exigindo uma convenção para a escolha dos novos dirigentes.

Sem rumo

Ocorre que, com a consolidação da federação, a desmobilização do grupo descontente será total.

Força histórica

A situação já era desafiadora, na medida em que o grupo que se opõe a essa rebelião é liderado pelo senador Esperidião Amin. Ele ainda tem ao seu lado, Aldo Rosa, que é secretário- geral do partido no estado e também do diretório nacional. Ciro Nogueira não faz nada sem ouvi-lo. Ou seja, chance zero de Nogueira assimilar essa mobilização por convenção. Sobretudo agora, considerando-se a federação. Então, Inês é morta.

Perspectiva

Mas, além disso, tem o componente também de que o grupo liderado por Esperidião Amin está alinhado com o Jorginho Mello.
Claro que, na condição de que ele esteja na chapa majoritária em 2026 como candidato à reeleição.

Atração

É um fator que pode trazer o União Brasil para o eixo de Jorginho Mello, porque hoje a sigla está alinhada com o PSD de João Rodrigues.

Lideranças

Independentemente de quem ficará à frente da federação no estado, se Amin ou o deputado federal Fábio Schiochet, que é tesoureiro do diretório nacional do União Brasil e presidente da sigla no estado, não resta a menor dúvida que uma figura política como Esperidião Amin, duas vezes governador, prefeito, no segundo mandato senador, quatro vezes federal, essa liderança vai se impor.

Nova posição

No estado, o União tem tudo para se deslocar na direção de Jorginho Mello, assim como já fez o Podemos.

Voo solo

Ou seja, o PSD corre o risco de ficar literalmente sozinho. Quem sabe com o PSDB? Mas, Jorginho Mello tem conversado com os dirigentes tucanos.

De cima

Nesse contexto de isolamento de João Rodrigues, poderá influenciar o PSD nacional para que haja uma composição.

Influência

Até porque Júlio Garcia esteve com Gilberto Kassab, que é secretário de governo de Tarcísio de Freitas, filiado ao Republicanos. Partido que, em Santa Catarina, está no guarda-chuva de Jorginho Mello.

Na estrada

Inclusive, o irmão do governador é o vice-presidente. Dependendo da evolução do quadro, seja Tarcísio candidato à reeleição com Kassab de vice, seja Tarcísio candidato à presidência com Kassab ao governo apoiado pelo próprio Tarcísio, isso pode inviabilizar um projeto solo do PSD em Santa Catarina.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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