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Mudança no colegiado virou rotina

Por Cláudio Prisco Paraíso
13/06/2025 - 11h48

O governador Jorginho Mello tem uma verdadeira compulsão por mudanças na sua equipe administrativa. Nesta semana, mais duas alterações.

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Quando se imaginava que, com a investidura de Luciane Ceretta na Educação, as modificações haviam se encerrado, veio mais uma leva.

Edgar Usuy foi deslocado do Planejamento para a Ciência, Tecnologia e Inovação, substituindo Marcelo Fett, que, depois de dois anos e meio integrando o colegiado estadual, partiu para novos desafios na iniciativa privada. Para substituir Usuy no Planejamento, chegou o ex-prefeito de Balneário Camboriú, Fabrício de Oliveira.

Ele que, depois do revés eleitoral, quando a vereadora Juliana Pavan, do PSD, se elegeu e o sucedeu, tentou emplacar na Secretaria de Turismo. Até porque o titular até então foi recrutado pela própria Juliana Pavan para servir à mesma área em Balneário Camboriú.

Fechou a vaga

Quem respondia interinamente pelo Turismo estadual era Catiane Seif, adjunta. Mas, como Peter Lee, o candidato de Fabrício, foi atropelado em um projeto impulsionado exclusivamente pelo ex-prefeito, Jorginho Mello acabou efetivando Catiane, atendendo, inclusive, ao pedido do próprio senador Jorge Seif e do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na trave

Agora, mais uma vez, Fabrício de Oliveira tentou se viabilizar para a pasta do Turismo, que tem tudo a ver com Balneário Camboriú, cidade que ele administrou por oito anos. Mas bateu na trave novamente.
A ele foi oferecida uma secretaria meio, sem muita exposição e com um trabalho muito interno.

Escudeiro

Edgar Usuy é um homem da mais absoluta confiança de Jorginho Mello. Então, o Planejamento até ganhou um certo protagonismo, mas na sombra, sem holofotes.

Esvaziamento

Agora, com Fabrício, tudo leva a crer que a Secretaria venha a ser completamente esvaziada. Até porque Jorginho Mello tem suas reservas em relação ao novo titular. Só o nomeou diante de um novo pedido de Michelle Bolsonaro. Ela já havia solicitado que o governador respeitasse o nome indicado por Fabrício para a sucessão municipal. E deu no que deu.

Preterido

O PL tinha um candidato favorito, que aparecia em todas as pesquisas: o ex-vice-prefeito de Fabrício ao longo dos dois mandatos, Carlos Humberto, que renunciou para se eleger deputado estadual.
Nesse contexto, Bolsonaro chegou para Jorginho Mello e disse para colocar Balneário Camboriú na conta dele próprio, do ex-presidente.
Ficou negativa. Porque Jorginho advertiu a família Bolsonaro para o risco da derrota em Balneário. Foi o que ocorreu.

Madrinha

Agora, novamente, Fabrício esteve, no sábado, no evento do PL envolvendo as mulheres de todo o Brasil. Outra vez, acionou Michelle Bolsonaro. Como Jorginho, evidentemente, não quis recusar um pedido da ex-primeira-dama, acolheu — mas entregou apenas a Secretaria de Planejamento.
Assim, ele praticamente perde um deputado estadual que, na verdade, já está acertado com o PSD, e não é de hoje.

Ao natural

E nem haveria outro caminho para Carlos Humberto. O parlamentar foi ignorado por Jorginho na disputa municipal e acabou se transformando no fator determinante para a eleição de Juliana Pavan em Balneário.

Vizinhança

O deputado também ajudou Leonel Pavan no município vizinho de Camboriú. Percebendo que Fabrício já se articulava para concorrer à Assembleia — e continua respondendo pelo PL de Balneário, vejam só, apesar da derrota — Carlos Humberto tomou a decisão de desembarcar.

Prejuízo

Ou seja, a chegada de Fabrício no secretariado só reafirma a convicção de novos ares partidários para Carlos Humberto, que vai passar a ser correligionário de Juliana e Leonel Pavan no PSD.

Estrago

Portanto, o PL e Jorginho Mello perdem um empresário, deputado, com grandes perspectivas de reeleição — e ficam com um ex-prefeito derrotado, que traz consigo um verdadeiro penduricalho de processos e ações judiciais, e até movimentações do Ministério Público.
O ex-prefeito não apenas responde sob o aspecto administrativo do exercício da Prefeitura de Balneário, mas também pelos excessos cometidos durante a campanha eleitoral.

Nunca antes o Brasil se esforçou tanto pelo título de republiqueta das bananas

Por Cláudio Prisco Paraíso
12/06/2025 - 08h50

Patético. É assim que pode ser definido o interrogatório realizado, terça-feira, ao longo do julgamento da tal trama golpista de 8 de janeiro, que só existiu em algumas cabeças coroadas da República.

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Na tarde de terça, foi a vez do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ridículo o seu interrogatório, a começar pelas respostas, pela sua manifestação. Ele iniciou pedindo desculpas a Alexandre de Moraes, porque lá atrás o havia acusado de ter recebido R$ 50 milhões para fraudar as urnas.

Fez isso no exercício do cargo de presidente, o que reforça o que está evidenciado já há muito tempo: Bolsonaro não tem guarda-roupa, não tem pedigree, não tem estatura para ter exercido o cargo de Presidente da República. Simples assim.

O mesmo raciocínio, evidentemente, serve para Lula da Silva — mas por outras razões, talvez mais graves, quando se fala em malversação do dinheiro público.

Mas, retomando a Bolsonaro, até foi um gesto de humildade e de reconhecimento, que ele atribuiu a uma retórica em meio a um pronunciamento, um comício.

Ocorre que um presidente equilibrado não faz uma declaração dessas. Ponto.

Amarelou

Além de pedir desculpas, quis dar uma descontraída e convidou Alexandre de Moraes para ser seu candidato a vice.

Ou seja, o interrogatório virou uma sessão patética — mais do que patética — deprimente.

Política e leis

Até aqui, as considerações versaram sob o aspecto político da peça circense. Observemos também o lado jurídico-judicial da figura de Alexandre de Moraes.

Sim, ele é o relator do 8 de janeiro — episódio este que, longe de ter sido um golpe, levou o Supremo Tribunal Federal a ser objeto da trama canhota.

Consequentemente, evidentemente, a mesma Corte não poderia ser palco desse julgamento, já que, supostamente, seria uma das vítimas.

Jardim de infância

Para entender essa parte, não se faz necessário ser letrado nem ter cursado a Faculdade de Direito.

Está à luz do dia. Em qualquer grande democracia — seja nos Estados Unidos ou mesmo na comunidade europeia. Mas, no Brasil, vale tudo.

Juiz e vítima

E com um detalhe: além de o Supremo ser objeto, Alexandre de Moraes é vítima direta. Vítima direta no processo.

Sim, porque o que mais se falou é que, dentro dessa trama, havia uma articulação para matá-lo — assim como a Lula da Silva e a Geraldo Alckmin.

Carochinha

Claro que se trata de um discurso fantasioso, digno de alucinados. Mas, de qualquer forma, ele é vítima.

E, sendo vítima — inclusive de ataques do Presidente da República, que ontem se penitenciou.
Aliás, Alexandre de Moraes também é julgador. Vai julgar a si próprio.

Tudo certo

Soma daqui, subtrai dali, ontem nós tivemos o ministro Moraes como relator, e o julgamento envolvendo o cidadão Moraes.

E tudo dentro da mais absoluta “normalidade”. Tudo visto com absoluta naturalidade pelos veículos de comunicação. Eis um rápido resumo do que está em curso no Brasil.

Tartarugas ninja

Um país em que o poder Judiciário, além de julgar — e julgar mal, na forma e no conteúdo (sem imparcialidade e com tendenciosismo) — também legisla e governa.

Amarrado

O presidente de plantão obedece. Obviamente, porque só deixou a prisão, só foi descondenado e só concorreu à eleição graças a esse mesmo Supremo Tribunal Federal — a quem ele deve obediência, e também deve sua eleição num processo eleitoral contaminado e capcioso.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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