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Lá se vão sete anos

Por Cláudio Prisco Paraíso
28/06/2025 - 09h47

Até as eleições de 2018, quem era Jair Bolsonaro em Santa Catarina? O que ele representava para o eleitorado catarinense? Absolutamente nada.

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Era um deputado de quinto ou sexto mandato, carioca, do baixo clero.

Mas teve a virtude de encarnar o sentimento antipetista, justamente quando Lula da Silva estava preso e toda a corriola do PT e da esquerda emparedada por práticas de corrupção e suas consequentes condenações.

Não se pode esquecer que Geraldo Alckmin, hoje vice de Lula, quando era do PSDB, tentou assumir esse papel de anti-Lula.

Mas o paulista virou socialista, virou a casaca. Teve uma votação irrisória, patética, e foi Bolsonaro quem se elegeu, derrotando o poste Fernando Haddad.

Descobrimento

O que chamou atenção na eleição de Bolsonaro foi a votação em Santa Catarina. Considerando todos os estados, foi aqui que ele teve a maior votação proporcional do país. No segundo turno só perdeu para o pequenino Acre, lá no Norte.

Foi ali que o Brasil descobriu, e Santa Catarina também, que Bolsonaro havia caído nas graças dos catarinenses.

A onda elegeu um governador e uma vice — Carlos Moisés e Daniela Reinehr — ambos ilustres desconhecidos. De quebra, por 18 mil votos, Lucas Esmeraldino quase se elegeu senador.

Parlamento

Além disso, foram eleitos seis deputados estaduais e quatro federais. Foram 12 mandatos no total — por pouco não foram 13, já que Jorginho Mello conseguiu a segunda vaga ao Senado, ficando a primeira com Esperidião Amin.

De costas

Apesar dessa realidade, Bolsonaro presidente não deu bola para Santa Catarina. Não atendeu as demandas do estado, tratou muito mal as reivindicações locais. Só vinha para carreata, motosseata, férias ou reuniões com a PRF.

Replay

Mesmo com esse descaso, em 2022, Bolsonaro teve outra votação consagradora. Não chegou aos 75% de 2018, mas praticamente bateu os 70% — agora contra Lula da Silva.

Foram eleitos 11 deputados estaduais, seis federais, o senador Jorge Seif, além do governador Jorginho Mello e da vice Marilisa Boehm. Mais uma vez.

Ali adiante

Agora, em 2026, Bolsonaro parece acreditar que pode indicar quem quiser em Santa Catarina. Jorge Seif, carioca com empresas no estado, foi eleito senador. É considerado o “06”, uma espécie de filho adotivo do ex-presidente.

Laços de sangue

Agora, Bolsonaro quer mais: lançar o próprio filho, Carlos Bolsonaro, vereador carioca de cinco mandatos, ao Senado por Santa Catarina. Observem o atrevimento, a petulância e o desrespeito para com o eleitorado catarinense e suas lideranças.

Risco total

Pode ser que ele consiga eleger o filho e que isso não afete a reeleição de Jorginho Mello. Mas é, sem dúvida, uma operação de altíssimo risco.

Se esse movimento for mal recebido, o naufrágio pode ser duplo. Só uma boa pesquisa, feita por instituto sério e independente, poderá antecipar os impactos reais desse tipo de jogada no eleitorado catarinense.

O retorno do governador

Por Cláudio Prisco Paraíso
27/06/2025 - 09h11

Jorginho Mello já reassumiu o comando da administração estadual. Retornou na noite de quarta-feira a Florianópolis, e a reinvestidura ao cargo foi automática. Ontem pela manhã, o governador recebeu o desembargador Francisco de Oliveira Neto para uma conversa. Jorginho foi atualizado sobre os acontecimentos do período em que esteve licenciado — cerca de duas semanas — durante as quais participou de compromissos na Ásia, primeiro no Japão e, depois, na China.

Agora, de volta ao estado, o governador aproveita os dois dias úteis restantes da semana para despachar com secretários e retomar o ritmo normal da gestão. No entanto, o final de semana já reserva um compromisso político de peso.

Paulista e conservadorismo

No domingo, Jorginho Mello estará novamente na Avenida Paulista, em São Paulo, atendendo ao chamado do ex-presidente Jair Bolsonaro, que promove mais uma mobilização nacional.

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A pauta central é a crítica aos excessos do Supremo Tribunal Federal, especialmente no que se refere à condenação de brasileiros pelo suposto “golpe” do 8 de janeiro.

O ato também representa um movimento de reaglutinação do campo conservador, que precisa se reorganizar diante do cenário político de 2026.

Polarização e sucessão

A eleição presidencial de 2026 já começa a ser desenhada. Com Jair Bolsonaro inelegível, surgem várias pré-candidaturas na direita. A ideia, porém, é articular desde já a possibilidade de uma candidatura única conservadora, que represente o projeto bolsonarista e possa enfrentar Lula da Silva nas urnas.

Apesar da rejeição que enfrenta, Bolsonaro continua sendo o maior eleitor do país — especialmente no campo conservador. Ele sabe disso, e a presença na Paulista reforça sua intenção de liderar o processo sucessório, mesmo fora da urna.

Ao que tudo indica, a ficha caiu: não há volta para a elegibilidade. A estratégia, agora, é consolidar lideranças que possam unir a base conservadora sob sua bênção eleitoral.

Filiações e bastidores

Após a mobilização de domingo, Jorginho Mello retorna no próprio dia para Santa Catarina. Na segunda-feira, logo cedo, tem agenda com o deputado Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, que estará no estado para comandar filiações de novas lideranças à sigla.

Em SC, o Republicanos está sob controle político do governador. A articulação, inclusive, resultou na ida do deputado federal Jorge Goetten, do PL, para o Republicanos — onde hoje é o presidente estadual. O irmão de Jorginho, Juca Mello, é o primeiro vice.

PL e Republicanos: um só grupo

Na prática, o Republicanos é uma extensão do PL em Santa Catarina. Ambos seguem sob o mesmo guarda-chuva político-eleitoral, articulado por Jorginho. E com o calendário eleitoral antecipado no estado, o governador sabe que precisa acelerar sua agenda de articulações para garantir hegemonia na direita catarinense.

Palanque montado

Vale lembrar que no próximo dia 5 de outubro, em São José, o casal Bolsonaro — Michelle e Jair — estará presente para o evento Rota 22, que poderá marcar, ainda que informalmente, a largada para a campanha de reeleição de Jorginho Mello.

A agenda, portanto, já voltou com força total.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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