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Bolsonaro, as mulheres e o PL

Por Cláudio Prisco Paraíso
27/07/2023 - 10h00
Michelle vem fazendo essa peregrinação por todos os estados brasileiros - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jair Bolsonaro chega amanhã a Santa Catarina. Acompanhará a ex-primeira-dama, Michelle. Ela tem agendado um compromisso no sábado em Florianópolis, reunindo as mulheres do PL.

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Trata-se de uma tentativa de atrair a participação feminina e também das jovens para a atividade política. Quem sabe até para inserções partidárias e eleitorais mais adiante.

Como o ex-presidente teve uma votação muito baixa entre os jovens e as mulheres em 2022, a ideia é fazer com que sua esposa possa atrair esse segmento do eleitorado.

Michelle vem fazendo essa peregrinação por todos os estados brasileiros. Bolsonaro, contudo, a acompanhou em raras reuniões até aqui.

Em Santa Catarina, ele resolveu marcar presença. Faz sentido. Os catarinenses lhe proporcionaram votações estratosféricas. Ele nunca ficou abaixo dos 70% dos sufrágios de SC nos embates eleitorais desde 2018.

O casal chega já na sexta-feira, quando serão recebidos em almoço pelo governador Jorginho Mello. A agenda política será cheia amanhã na Casa d'Agronômica, estendendo-se até a noite. Haverá encontros com prefeitos, vereadores, deputados, o senador Jorge Seif e por aí vai.

Proximidade

O casal Bolsonaro vai pernoitar no Palácio Residencial atendendo ao convite do chefe do Executivo estadual. No sábado, todos participarão do evento do PL para elas.

Dia e noite

É impressionante a diferença de convívio entre o atual e o ex-governador de Santa Catarina, Moisés da Silva, com Jair Bolsonaro. O Bombeiro aposentado teve seu nome homologado ao governo em 2018 contrariando a orientação do próprio Bolsonaro e da direção nacional do PSL.

Bronca

O ex-presidente repreendeu dirigentes locais do partido ainda antes do primeiro turno daquela eleição. O então ilustre desconhecido Moisés nem bem assumiu a administração estadual e começou a disparar petardos contra Bolsonaro em veículos nacionais de comunicação. Em dois dos três principais portais de notícias deste país, para sermos mais precisos.

Gelo

O resultado: Moisés não recebeu sequer uma visita de Jair Bolsonaro. Nem no Centro Administrativo nem no Palácio Residencial. Bolsonaro esteve várias vezes em Santa Catarina, em compromissos oficiais, em férias, em alguns finais de semana e até em um Carnaval, mas nunca se encontrou com o governador à época.

Frustração

O ex-governador foi ao encontro do ex-presidente em alguns compromissos, quando foi tratado com absoluta frieza e indiferença. O catarinense nunca foi recebido para agendas oficiais de forma reservada no Planalto durante os quatro anos de suas gestões.

Lado

Jorginho Mello está ingressando no segundo semestre de sua gestão e já receberá o casal na residência oficial. Não há a menor dúvida de que o ex-presidente estará com o governador nas eleições municipais de 2024 e, especialmente, na sua reeleição em 2026. Se Bolsonaro deixar o PL, Jorginho vai junto. Podem anotar.

Desafeto

Ainda mais que Moisés da Silva, que virou um desafeto de Bolsonaro, anda flertando com o PSD. Partido que, na figura de seu chefão nacional, Gilberto Kassab, está no governo Tarcísio de Freitas, em SP; mas que também indicou três ministros na gigantesca esplanada sob Lula III.

Sem chance

Ainda aqui em SC, o PSD estando próximo a Moisés, como imaginar que o ex-presidente vai pedir por candidatos do PSD nas próximas eleições? Melhor esperar sentado!

Possibilidade

O único nome que poderia vir a ser apreciado por Bolsonaro seria o de João Rodrigues. Mas ele precisa primeiro se reeleger em Chapecó. Ali, o ex-presidente não pedirá votos para o prefeito no ano que vem. O PL terá candidato, o que deve dividir o eleitorado conservador na cidade.

Fogo vermelho

Como Rodrigues pedirá votos para a direita chapecoense se seu partido está com Lula da Silva em Brasília? Ou seja, o PT naturalmente fará campanha contra João Rodrigues. São inimigos históricos. Os petistas dirão: olha, ele que nos critica tanto está conosco no governo federal com três ministérios!

Petardos

O PL, a seu turno, dirá, referindo-se ao prefeito de Chapecó: esse é bolsonarista? Como assim? Nós é que somos alinhados ao ex-chefe da nação. O partido dele fechou com Lula.

Saia justíssima

Trocando em miúdos: o prefeito de Chapecó estará numa saia justíssima. Passará muito trabalho para se reeleger.
Caso ele conquiste novo mandato na maior cidade do Oeste, Rodrigues poderá até mirar uma candidatura a governador em 2026. Sem, no entanto, o respaldo de Jair Bolsonaro.

O PSD é um partido "perseguido pelo poder". Onde há governo, lá estão os pessedistas. Inclusive na extrema esquerda. O PT, não custa lembrar, governa com o PSD, numa gestão onde também estão o PCdoB e o PSOL, por exemplo.

 

Nova eleição no Sul

Por Cláudio Prisco Paraíso
26/07/2023 - 08h20
Tubarão terá novo prefeito a partir do próximo dia 7 de agosto - Foto: Divulgação

Tubarão terá novo prefeito a partir do próximo dia 7 após a renúncia de Joares Ponticelli (PP) e Caio Tokarski (UB). O vereador Gelson Bento (PP), que já vem respondendo pela prefeitura desde fevereiro, na condição de presidente da Câmara, a priori não participará como candidato.

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Aliás, qualquer cidadão com domicílio eleitoral na Cidade Azul e em dia com a Justiça Eleitoral pode se apresentar como postulante ao paço municipal. O detalhe é que os eleitores são apenas os 15 vereadores da cidade. Na sexta-feira passada, oito parlamentares, na presença do prefeito em exercício, Gelson Bento, reuniram-se e fecharam o acordo.

Tudo leva a crer que o PSD encabeçará a chapa com um vice do PP. O nome natural não seria o de Gelson Bento, filiado ao PP, mesma legenda de Ponticelli? Na verdade, não.  

O ex-prefeito está no partido só cumprindo tabela. É uma questão de tempo para Ponticelli desembarcar do PP. Para quem não lembra, ele não participou das eleições em favor da candidatura de Esperidião Amin ao governo em 2022. Respaldou o nome de Moisés da Silva, que não chegou ao segundo turno.

Aposta

Na eventualidade do ainda progressista não ter os direitos políticos cassados a partir da renúncia ao mandato, não se descarta uma dobradinha dele com o próprio Moisés. Lá em 2026.

Federal e estadual

O ex-governador disputaria a Câmara dos Deputados e Ponticelli buscaria uma das 40 vagas na Alesc, onde ele já cumpriu quatro mandatos, além de ter sido presidente da Casa.

Espaço e amizade

O PP já tem deputado estadual de Tubarão, que foi eleito com o apoio do ex-prefeito. É o seu amigo Pepê Collaço.
Ponticelli não tem mais ambiente no PP e o partido não o quer mais. Até pelo seu gesto de infidelidade.  

De fora

Ele sequer participou da convenção que homologou o nome de Amin para cabeça de chapa no ano passado.

Parceria

Mas qual a explicação para o ex-prefeito ceder em favor do PSD? Moisés tem tricotado com os pessedistas e participou do evento com o chefão nacional do partido, Gilberto Kassab, em Florianópolis no mês de junho.
O atual presidente do PSD, Eron Giordani, foi secretário da Casa Civil de Moisés por um ano e meio.

Canelada

Republicanos e PSD não estiveram juntos na eleição de 2022 porque Moisés não aceitou Eron de vice. O dirigente pessedista acabou compondo chapa com Gean Loureiro, do UB.

Nos bastidores

Ponticelli e o deputado Julio Garcia já estão acertando o baralho. O PSD ficaria com o mandato-tampão em Tubarão enquanto o ex-prefeito deve buscar abrigo no Republicanos.
O prefeito a ser eleito indiretamente no mês que vem ficará no cargo até 31 de dezembro de 2024.

O ungido

O nome do PSD é o do presidente interino da Câmara de Vereadores, Jairo Cascaes. Dependendo das circunstâncias, ele poderá até disputar a reeleição. Em outubro do ano que vem haverá eleição municipal.

Grupo

Cascaes já tem oito parlamentares ao seu lado, a maioria da Casa, podendo chegar a 10 vereadores apoiando seu projeto. Dificilmente alguém de fora da Câmara disputará a eleição suplementar. Tudo dependerá, ainda, dos entendimentos, ou não, entre Joares Ponticelli e Julio Garcia.

Favoritismo

A partir do afastamento, pela Justiça, de Joares e Caio da prefeitura, quem se fortaleceu sobremaneira para o pleito municipal do próximo ano foi o secretário da Casa Civil, deputado estadual licenciado, Estener Soratto Filho (PL). Apoiado por Jorginho Mello.

Aliança

Com Cascaes eleito para o mandato-tampão, o PSD e o Republicanos, considerando-se que Moisés da Silva fez sua carreira profissional em Tubarão, podem formar uma frente para tentar enfrentar o favoritismo de Soratto.

Sutileza

Ao fim e ao cabo, o que se observa no contexto político estadual é sempre o PSD se posicionando como o contraponto ao PL do governador.

Escolha

Tanto é assim que a direção do partido fez questão de deixar claro que a investidura do deputado federal Ricardo Guidi na Secretaria de Meio Ambiente e Economia Verde foi uma decisão pessoal do parlamentar. O PSD não está na oposição a Jorginho Mello. Mas tem uma postura de independência dentro e fora da Assembleia Legislativa.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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