Em 2020, 5,2 milhões de eleitores catarinenses estavam aptos a votar - Foto: Agência Brasil/Divulgação Nas últimas semanas, inclusive em pleno recesso parlamentar, observamos tanto no contexto nacional como no âmbito estadual as mais variadas movimentações partidárias. Com filiações, adesões, cooptações, partidos perdendo consistência e outros ganhando musculatura.
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Aqui em Santa Catarina, o PSD foi o partido que largou na frente. A feira foi proveitosa. Além de Clésio Salvaro, nada de extraordinário, mas a sigla trouxe prefeitos de pequenas cidades, ex-vereadores, lideranças, e por aí vai. Toda a movimentação tem como pano de fundo as eleições de 2024.
O PL buscou novos filiados, o PP está na iminência de filiar o prefeito da terceira maior cidade do estado, Mário Hildebrandt; o UB vai tentando se reforçar ao passo que o PSDB segue ladeira abaixo. O MDB também tem se articulado.
Dos grandes partidos, o único que não apresentou qualquer avanço foi o PT, partido do presidente da República. Pela primeira vez, a sigla foi ao segundo turno no pleito estadual de 2022. No primeiro turno, a votação da legenda superou 17% e não bateu nos 30% no segundo round.
Tibieza
Considerando-se o resultado histórico e o compadrio entre Lula da Silva e Décio Lima, o catarinense recebeu a proa do Sebrae Nacional, a sensação é a de que a cúpula canhota não está mais nem aí para o partido. O Sebrae, não custa lembrar, tem orçamento maior do que dois terços dos ministérios canhotos, que são 37.
Lá e cá
O ex-prefeito de Blumenau é o presidente estadual do PT. Não se licenciou da função depois de pegar o leme do Sebrae. O cargo o leva semanalmente a Brasília e à necessidade de atender todos os estados deste país.
Partido pequeno
A dúvida agora é como o PT vai se estruturar em Santa Catarina para as eleições do ano que vem. Como serão buscadas adesões para reforçar as perspectivas eleitorais no contexto municipal. Os resultados, registre-se, vêm deixando muito a desejar em Santa Catarina. A sigla hoje não tem um único prefeito no estado.
Faz tempo
Os vermelhos já administraram Joinville, Blumenau, Criciúma, Chapecó, Itajaí e outras praças importantes. No Norte, Carlito Mers fez um único mandato, assim como Décio Góes no Sul. No Vale, faz quase 20 anos que o próprio Décio deixou o paço municipal. Os petistas jamais chegaram perto de administrar qualquer cidade de maior relevo em Santa Catarina nos últimos 12, 15 anos.
Sobras
Só vislumbram alguma chance quando há muita divisão na direita. Casos de Chapecó e na arbitrária eleição suplementar de Brusque. Ou o PT daqui acorda ou vai levar outra surra nas urnas no ano que vem.
Jorge Seif se elegeu na eleição de 2022 - Foto: Agência Brasil Causou estranheza a ausência do senador Jorge Seif durante a passagem do casal Jair e Michelle Bolsonaro por Santa Catarina na semana passada.
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Todos sabem que o mandatário tem uma aproximação, inclusive afetiva, junto ao ex-presidente, que o qualifica como "06", como se fosse um filho.
Quando o empresário Luciano Hang desistiu da candidatura ao Senado em 2022, foi o próprio Bolsonaro quem escolheu seu ex-secretário da Pesca para concorrer à Câmara Alta. Seif tem domicílio eleitoral em Balneário Camboriú.
Naquele instante, não faltaram pré-candidatos de olho na vaga majoritária, incluindo o deputado federal Daniel Freitas, a deputada federal Carol De Toni e a então vice-governadora, Daniela Reinehr.
Até mesmo o emedebista de longa data e amigo de Jair Bolsonaro, Rogério Peninha Mendonça, apresentou suas credenciais. Seif foi o escolhido e eleito, justamente porque o ex-presidente apoiou sua candidatura.
O ex-secretário da Pesca ganhou com folga do ex-governador Raimundo Colombo, que amargou sua segunda derrota ao Senado.
Então, por que Seif não esteve em nenhuma agenda dos Bolsonaros no estado? Há quem diga que o senador se afastou para não tirar o brilho de Jorginho Mello junto ao casal, permitindo que o governador capitalizasse e potencializasse, sozinho, sua proximidade com os líderes da direita nacional.
Será?
Seif poderia dividir as atenções, certo. Só que este argumento não soa muito palatável, plausível. O senador não estaria, de alguma maneira, procurando manter uma distância calculada de Jair Bolsonaro neste momento em que seu mandato está sob risco?
Jair quem?
Longe do ex-presidente, Seif estaria raciocinando que tal estratégia poderia favorecê-lo junto às supremas togas eleitorais. Ele é alvo de uma ação por suposto abuso de poder econômico em função do apoio recebido do Grupo Havan na campanha do ano passado. O conglomerado empresarial é liderado e comandado por Luciano Hang.
Faz sentido
Essa leitura é bem mais factível para justificar o sumiço do senador na semana passada. Muito embora, importante frisar, o ministro Alexandre, o pequeno, venha sendo absolutamente severo com todos aqueles ligados a Jair Bolsonaro, rigor que também se observa na direção dos ex-coordenadores da Lava Jato. Deltan Dallagnol já foi para a degola. O ex-juiz e senador Sérgio Moro deve ser o próximo.
Atividade
Na terça-feira, em Brasília, Jorge Seif estava no ritmo normal de trabalho, posicionando-se com clareza e firmeza sobre temas nacionais. Por isso também soa ainda mais estranha a ausência dele nas agendas bolsonaristas da semana passada.
Estratégica
Até porque, no dia 3 de setembro, teremos a eleição suplementar para a Prefeitura de Brusque. O empresário Luciano Hang, convém lembrar, também teve seus direitos políticos cassados e está fora de qualquer possibilidade de disputa eleitoral. E o primeiro suplente de Seif também é um empresário brusquense.
De olho
O que não falta são pretendentes a uma candidatura bolsonarista ao Senado por Santa Catarina, no caso de imolação do mandato de Jorge Seif.
Lorotas
Soluções salomônicas, como as especulações que dão conta de que Michelle Bolsonaro ou outro nome de fora poderiam disputar nova eleição à Câmara Alta fora de época, não passam de ilusões, miragens.
Força
Hoje, o nome natural para uma eleição extemporânea ao Senado é o da deputada federal Carol De Toni, recordista de votos nas eleições proporcionais de 2022. Ela obteve 227.632 sufrágios para a Câmara Federal. Por muito pouco, ela não bateu o recorde de Esperidião Amin, que, em 2010, conquistou 229.668 votos para deputado federal.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.