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Histórico eleitoral

Por Cláudio Prisco Paraíso
08/08/2024 - 15h32

Com o restabelecimento das eleições diretas para os governos estaduais, em 1982, em Santa Catarina tivemos a eleição de Esperidião Amin, que não fez o sucessor.  O eleito foi Pedro Ivo Campos, que não completou o mandato.

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Diante do seu falecimento, Casildo Maldaner, que era o vice, concluiu o que faltava daquele período. Na sequência, Vilson Kleinübing elegeu-se governador, mas, igualmente, não emplacou o sucessor. Chegou a vez de Paulo Afonso Vieira, o primeiro a tentar a reeleição, até porque inexistia esta possibilidade.

Mas, diante do episódio dos Precatórios, o emedebista foi atropelado por Esperidião Amin, que retornou ao poder. Em 2002, o progressista buscaria o seu terceiro mandato, mas acabou surpreendido por Luiz Henrique da Silveira, que depois se reelegeu. E fez de Raimundo Colombo o seu sucessor. LHS foi o primeiro a conseguir a façanha de eleger o substituto direto.

Perda

Quando Raimundo Colombo foi reeleito, logo na sequência, Luiz Henrique da Silveira partiu. Raimundo Colombo caiu em desgraça, assim como havia acontecido com Paulo Afonso Vieira. Nesse momento, chegamos em 2018.

Sumiço

Os três principais candidatos desapareceram do mapa político de Santa Catarina. Carlos Moisés foi eleito exclusivamente pela onda bolsonarista. Sequer foi para o segundo turno em 2022.

JBS e BRDE

Gelson Merisio, que o enfrentou na grande final de 2018, também entrou num ostracismo político completo. A exemplo de Mauro Mariani, que agora voltou, nomeado por Jorginho Mello, como diretor do BRDE. A coluna faz essa digressão justamente com o objetivo de mostrar como tem sido dinâmica a política em Santa Catarina.

Atualidade

Hoje, Jorginho Mello é o governador graças à sua eleição ao Senado em 2018 e ao fato de Jair Bolsonaro se filiar ao PL. Esperidião Amin foi outro senador eleito em 2018 e que se credencia para um novo mandato em 2026. Tanto Jorginho quanto Amin poderão concorrer à reeleição.

Façanha

Esperidião Amin, uma vez reeleito, se transformaria no primeiro senador da história de Santa Catarina a ser reconduzido ao cargo. Lá em 2026, além de Jorginho Mello, quais são as opções? João Rodrigues, do PSD, Adriano Silva, do Novo, que se for reeleito em Joinville deverá renunciar visando a disputa estadual. O PT virá pela terceira vez com Décio Lima ao governo?

Periféricos

PSDB, União Brasil e o PP, são partidos que não têm a menor condição de lançar candidato próprio. E o MDB, ainda a maior legenda de Santa Catarina, só dispõe de um único nome, o do ex-prefeito reeleito de Jaraguá do Sul, hoje deputado estadual, o terceiro mais votado de Santa Catarina, Antídio Lunelli.

Na trave

Ele, aliás, tentou uma candidatura pelo MDB ao governo em 2022, mas acabou derrotado internamente, com a ala vencedora indicando o vice de Carlos Moisés.

Esse é um breve resumo do retrato político-eleitoral de Santa Catarina de 1982 pra cá.

Açodamento estadual

Por Cláudio Prisco Paraíso
07/08/2024 - 08h31

Já temos candidato a governador na praça.  É isso mesmo, João Rodrigues, prefeito de Chapecó, que é candidato à reeleição.

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Rodrigues, aliás, é favoritíssimo a uma recondução, mas ninguém ganha eleição por antecipação.  Estamos falando até aqui das eleições de outubro deste ano, daqui a dois meses. Mesmo assim, no último final de semana, o prefeito Clésio Salvaro, de Criciúma, lançou o correligionário à sucessão estadual. É o primeiro pré-candidato que coloca o bloco na rua com vistas ao processo sucessório estadual.

O governador Jorginho Mello, ao natural, é candidato à reeleição. Mas até hoje ele não se pronunciou nessa direção. Pode até estar montando as candidaturas e as coligações às eleições municipais com esse objetivo. Publicamente, contudo, ninguém o lançou e nem ele assumiu essa candidatura, como já ocorreu com João Rodrigues.

Então, quer dizer que já temos nome para 2026, transformado em pré-candidato, antes de se reeleger no seu município?

De uma coisa, contudo, ninguém pode acusar João Rodrigues. Ele está sendo transparente com o eleitorado da Capital do Grande Oeste. Em caso de reeleição, ficará pouco mais de um ano à frente da Prefeitura, pois terá que renunciar para estar apto a ser postulante ao governo.

Variáveis

Na eventualidade, embora improvável, de uma derrota do prefeito de Chapecó, quando muito ele será candidato a deputado numa eleição proporcional.  Ou seja, estão colocando a carroça na frente dos bois.

Ponta firme

Outro aspecto nessa movimentação do PSD em torno de João Rodrigues. Ele e Jair Bolsonaro não se falam há tempos. E o ex-presidente já deixou muito claro que o seu candidato será Jorginho Mello. Ponto. Trocando em miúdos, significa que o prefeito de Chapecó vai disputar o governo à revelia do apoio e das articulações de Bolsonaro.

Correligionários

Chance zero de Jair Bolsonaro apoiar João Rodrigues para o governo. Ele já falou isso diante do próprio prefeito em Chapecó. Durante um ato público, também na presença de Jorginho Mello, quando a claque começou a entoar "João para o governo", o próprio Bolsonaro corrigiu: "Não, o governo é Jorginho.  João é ao Senado."

Partido

Só que tem um adendo ainda. Recentemente, Bolsonaro mandou avisar que apoiaria a candidatura de João Rodrigues ao Senado. Desde que ele se filiasse ao PL. Em caso de permanência do oestino no PSD, hipótese alguma de estarem no mesmo palanque.

Desafetos

Também porque Bolsonaro está com bronca de Gilberto Kassab, que é o presidente nacional do partido.

Holofotes

Não custa lembrar, ainda, que Salvaro o lançou na convenção que homologou o candidato do PSD à prefeitura de Criciúma.  Não que o projeto municipal tenha ficado em segundo plano, mas o que chamou a atenção foi ter dado mais projeção justamente ao lançamento de João ao governo do Estado.

Condicionante

Para que esse lançamento de Rodrigues tenha consistência, Salvaro tem que eleger Vaguinho Espíndola à sua sucessão, o que se constitui hoje em missão desafiadora.

Sintomático

O PSD parece impaciente, inquieto, talvez preocupado com as suas perspectivas eleitorais, especialmente nos quinze grandes municípios, onde tem tudo para eleger dois prefeitos apenas: Juliana Pavan em Balneário Camboriú, por uma barbeiragem do PL; e João Rodrigues em Chapecó, que foi a segunda barbeiragem liberal.

Encolhidos

Numa cidade importante como a Capital do Grande Oeste, os liberais sequer lançaram candidato.  O 22 de Jair Bolsonaro, do PL, não estará na urna eletrônica. A homologação foi apenas de chapa proporcional de vereador.

Cartas marcadas

Por coincidência, onde o PL bateu cabeça foi nas cidades onde o PSD apresenta melhores perspectivas. De resto, o PL deverá fazer aí, entre os quinze maiores municípios, no mínimo cinco prefeituras. Se isso se consumar, os liberais podem chegar ao final de outubro com três vezes mais prefeitos eleitos nas maiores cidades do estado.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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