Alguém tem notícias de Décio Lima? Sim, o presidente estadual do PT, que também comanda o Sebrae Nacional, homem da mais absoluta confiança do presidente Lula da Silva, de quem é correligionário, amigo e até compadre. Ele mesmo. Décio Lima, aquele que foi para o segundo turno contra Jorginho Mello em 2022 e que não fez nem 30% dos votos.
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Décio Lima, o homem que chegou ao segundo turno com 17, 18% dos votos, meio por cento a mais do que o então governador Carlos Moisés. Ele foi para a grande final não pelo seu potencial eleitoral e nem mesmo carregado por Lula da Silva no primeiro turno, mas pela pulverização de votos entre cinco candidaturas de centro e de direita.
O nosso personagem, Décio, foi ao segundo turno não porque trata-se de um iluminado, alguém fora da curva.
Desaparecido
Décio Lima hoje corre pelo Brasil atendendo às demandas do Sebrae Nacional, entidade que tem orçamento bilionário e que suplanta mais da metade dos ministérios do governo Lula. Vez ou outra, o nosso personagem aparece por aqui com alguns projetos na área do pequeno e microempresário, do empreendedorismo.
Anotaram?
Mas qual foi o trabalho realizado por Décio Lima no PT para as eleições? Isso fica traduzido em apenas dois números. A sua mulher, deputada federal Ana Paula Lima, fez 16% dos votos em Blumenau. E a dobradinha de parlamentares Pedro Uczai, igualmente federal, com a estadual Luciane Carminatti, de vice, em Chapecó. Os dois sequer fizeram 15% dos votos chapecoenses.
Palma da mão
Isso traduz porque o PT elegeu sete prefeitos. Seis no Oeste e apenas um no Sul. A prefeitura com maior densidade eleitoral foi Campo Erê.
O PT do incansável companheiro Décio administrará 2,3% das prefeituras de Santa Catarina a partir de 2025. Não chegou a uma dezena de municípios. Ficou no dígito único.
Zero x zero
O PT fez sete prefeituras. E os outros partidos? Zero. Nenhuma. Estamos falando de PSOL, PCdoB, PV, PSB e por aí vai. Nada. Não existem. Tanto é verdade que nossa querida imprensa aparelhada e militante não dará uma linha sequer sobre isso. No máximo, dirá que o desempenho do PT ficou aquém, blá, blá, blá. Claro, evidentemente.
Poderio conservador
Os esquerdistas não elegeram um prefeito sequer. E o PT, repito, apenas sete. O PT e a esquerda foram varridos do território catarinense. Aliás, um dos estados mais conservadores do país. Isso é inapelável. É inquestionável.
Extinção
Qual é o futuro da esquerda em Santa Catarina em 2026? Qual é o futuro do PT? Primeira situação: Décio Lima vai enfrentar um verdadeiro rolo-compressor para deixar a presidência do partido e também será pressionado para que o diretório seja renovado com a eleição de uma nova Executiva.
Sobrevida
O grupo mais à esquerda, que não é o de Décio Lima, vai buscar uma oxigenação, uma expectativa de novos ares para 2026. Por que, do jeito como está, qual será o futuro do PT? Há duas eleições que o partido mantém quatro deputados na Assembleia.
Talvez não consiga mais isso. Na penúltima, elegeu um federal. Nessa última, dois.
Eles, não
De modo que Santa Catarina está mostrando para o Brasil que aqui a esquerda e o PT não se criam, não crescem, não apresentam perspectivas. E o Estado vai muito bem, obrigado, porque nunca, ao longo da sua história, foi administrado por petistas ou esquerdistas.
A bancada estadual do MDB reuniu-se, esta semana, em Florianópolis, para fazer uma avaliação do resultado das eleições. O tradicional almoço das terças-feiras também serviu para balizar como os parlamentares, em número de seis, se comportariam em relação ao governo Jorginho Mello daqui para a frente.
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Afinal de contas, em vários municípios, o PL, presidido pelo governador, acabou, de alguma forma, subtraindo e conquistando prefeituras que pertenciam ao MDB. Os liberais também acabaram se sobressaindo, mesmo em cidades em que a sigla apresentava boas perspectivas. Realidade que acabou gerando um certo mal-estar nas hostes do Manda Brasa.
O MDB, vale lembrar, é o maior partido de Santa Catarina desde 1982, ano que marcou o restabelecimento das eleições diretas aos governos estaduais.
O partido nunca deixou de ser aquele que controlou o maior número de municípios, que comandou o maior número de prefeituras catarinenses. Supremacia que chega ao fim a partir de 1º de janeiro, na medida em que o PL elegeu 90 prefeitos contra 70 do MDB.
História
Ao longo de todo o período, desde 1982, a queda-de-braço dos emedebistas foi contra o PDS, que depois virou PPB, PPR e hoje é PP progressista. Mas nunca o MDB deixou de ter o controle da maior parte das prefeituras.
Segue o baile
Voltando ao pós-eleições de 2024. O MDB discutiu a sua relação com o governo Jorginho Mello. A priori sem nenhuma mudança. Tanto é que nessa quarta-feira, 9, o deputado licenciado Jerry Comper reassumiu a Secretaria de Infraestrutura.
Bancada
Comper é um dos seis integrantes da bancada estadual. Jorginho Mello, ainda antes das eleições, tentou levar o também deputado Antídio Lunelli para a Secretaria da Agricultura. Ele declinou do convite.
Objetivo
Tudo leva a crer que o governador ainda não desistiu de contar com a presença de Lunelli no colegiado. Conversações vão prosseguir nessa semana, nos próximos dias, no sentido de ampliar o espaço do MDB no governo. Até porque não é segredo para ninguém que Jorginho deseja ter o partido como aliado no seu projeto de reeleição de 2026.
Oposição
Na outra ponta, o MDB também é assediado pelo PSD, partido que elegeu prefeitos não em número muito significativo, foram apenas 41. Porém, a sigla comanda cidades estratégicas como Chapecó, Criciúma e São José.
Quinteto
Nessas três cidades, dois prefeitos foram reconduzidos: Chapecó e São José. Em Criciúma, Clésio Salvaro elegeu Vaguinho Espíndola. Teve também a eleição de Juliana Pavan em Balneário Camboriú e do seu pai, o ex-governador Leonel Pavan, na cidade de Camboriú.
Logo ali
Jorginho Mello deseja também estar próximo do MDB considerando as eleições para a nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, eleição que vai ocorrer no próximo dia 1º de fevereiro.
Dois presidentes
A ideia é dividir o mandato. O primeiro ano para o MDB e o segundo para o PL do governador. São conversações no ambiente partidário, governamental, que também vão, de alguma maneira, acontecer como repercussão das eleições municipais do último domingo.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.