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O sistema está vivo, ativo e o desespero bateu

Por Cláudio Prisco Paraíso
27/09/2026 - 21h50

Quando imaginávamos que o Supremo Tribunal Federal já havia depreciado, em plenitude absoluta, a sua imagem, sempre há algo a mais para rechear e acumular esse desgaste.

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Vejam só: não resta mais a menor dúvida de que a casa está politizada. Assim procedem vários ministros, com destaque para o próprio decano, Gilmar Mendes, que dá mais declarações do que muitos parlamentares.

Sem falar no próprio Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, antes de se aposentar, Luís Roberto Barroso e até mesmo Flávio Dino.

Embora esse ardiloso, maquiavélico, trabalhe também muito nos bastidores, no submundo das articulações políticas dentro do Supremo.

E coube a ele, neste domingo, reforçar a sua queda de braço com o ministro André Mendonça.

Vamos rememorar.

Naqueles dias que antecederam a tentativa de abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes, que acabou frustrada, ele derrubou uma decisão de André Mendonça, que havia despachado o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.

O próprio Andrei recorreu a ele, Flávio Dino, e ele derrubou a decisão de André Mendonça.

Agora, como vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, tribunal esse que Dino não integra, André Mendonça determinou que todas as postagens relacionadas a uma falsa notícia produzida fossem retiradas das redes sociais.

E tinham relação direta com uma suposta declaração inverídica e mentirosa do candidato Flávio Bolsonaro, destronando Nossa Senhora Aparecida como a padroeira do Brasil.

Ele veio a público, desmentiu, mas a visibilidade e a repercussão disso foi brutal.

Claro, o PT, a esquerda, por trás, evidentemente.

Aí um comediante, que fez uma graça em cima disso, recorreu a Flávio Dino e ele, mais uma vez, invalidou a decisão do TSE.

Esse assunto é eleitoral, não cabe ao Supremo, mas ele, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, eles querem justamente isso.

Eles querem tomar conta, neutralizar a ação do Tribunal Superior Eleitoral e eles darem a última palavra.

Simples assim.

Ou seja, é a instrumentalização do Supremo Tribunal Federal, que age numa militância política vergonhosa, assim como já ocorreu em 2022 com Alexandre de Moraes, na presidência do TSE, quando favoreceu Lula da Silva em detrimento de Jair Bolsonaro.

E agora que estão na presidência e vice do TSE os dois indicados por Jair Bolsonaro, Nunes Marques e o próprio André Mendonça, eles querem tomar conta da situação e, mais uma vez, certamente, tentar influenciar a favor dos seus candidatos ou do seu candidato.

Sim, porque eles sabem também que, se o Lula for derrotado, o dia deles vai chegar.

Então, eles estão se agarrando no movimento de sobrevivência, porque a maioria no Senado será formada de conservadores para apreciar vários pedidos de impeachment.

Agora, ainda com Flávio Bolsonaro eleito presidente, aí a situação torna-se insustentável para eles.

Então, vejam que efetivamente o sistema está vivo, ativo e o desespero bateu claramente.

Basta ver os últimos movimentos de Lula da Silva, majorando ou reajustando Bolsa Família, implementando um Desenrola três, para tentar atender as famílias brasileiras endividadas.

Mas é só da boca para fora, é só marketing, é só aceno de concreto, nada.

Mas não ficou só aí, não.

Ele agora tornou ilegais, ou ilegal, o funcionamento das bets que ele regulamentou. Criadas foram por Michel Temer e regulamentadas por ele.

E, há uma semana das eleições, dez dias, ele decreta, via medida provisória, o seu fim.

Mas, nesse período, recolheu R$ 19 bilhões aos cofres públicos federais com as bets.

Aliás, um tiro no pé. Está tendo uma grande repercussão.

Achou que ia dar uma dentro, acabou dando-se muito mal.

Ou seja, o desespero bateu.

E Flávio Bolsonaro fez um último movimento nesse domingo que o embretou.

Se antecipou e disse que vai ao debate da Globo, o último deles, na quinta-feira à noite.

Até que ele vinha condicionando a sua participação à presença de Lula, que não foi a nenhum.

Mas, nesse, ele se antecipou.

E Lula não terá outra saída. Terá que comparecer.

Até porque necessita de um fato novo.

Porque, pela evolução das pesquisas e pela evolução do quadro eleitoral, hoje tudo conspira a favor de Flávio Bolsonaro.

Lula precisa de uma tábua de salvação.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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