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Marilisa Boehm: a vice que virou peça estratégica

Por Cláudio Prisco Paraíso
19/08/2026 - 08h30

Desde a homologação da recandidatura de Jorginho Mello ao governo do estado, no último dia 1º de agosto, a presença da vice-governadora Marilisa Boehm tem sido constante nos atos e eventos de natureza político-partidária eleitoral. Correligionária do governador, ela não é apenas uma figura decorativa no palanque. É uma presença ativa, calculada e cada vez mais estratégica na campanha de reeleição.

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A escolha que nasceu da necessidade

Em 2022, Jorginho Mello estava literalmente sozinho na montagem da chapa. Recebeu Jorge Seif, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro como candidato ao Senado, e perdeu o concurso do PTB, cujo então deputado estadual Kennedy Nunes iria à vaga. Jorginho chegou a convidar Kennedy para ser vice, o que garantiria a sigla na coligação.

Mas ele optou por preservar a candidatura ao Senado e coligar com Esperidião Amin, que também concorreu ao governo pelo PP. Sem alternativas, Jorginho recorreu à delegada Marilisa Boehm, que comandou a Delegacia Regional de Joinville por longos anos e desfruta de conceito sólido no ambiente profissional.

Convivência harmônica, sintonia fina

Com Jorginho Mello eleito, ela passou a ocupar posição de relevo. E o que se viu ao longo do mandato foi algo raríssimo na vida pública: titular e vice em convivência absolutamente harmônica, sem desentendimentos, sem rusgas, sem disputas de espaço.

Pelo contrário. Ela representou o governador em viagens e compromissos com sintonia fina, a ponto de Jorginho sondá-la para concorrer nas eleições de 2026, antes mesmo de ter fechado aliança com o Novo na figura do então prefeito de Joinville, Adriano Silva.

A ideia de concorrer à Assembleia

As possibilidades eram variadas. Marilisa poderia ir tanto à Câmara Federal quanto à Assembleia Legislativa. A princípio a ideia era a estadual, pois a vice-prefeita de Joinville, Rejane Gambim, iria à federal, formando uma dobradinha feminina de Joinville. Mas com a coligação com o Novo confirmada e Adriano Silva renunciando à prefeitura para ser vice de Jorginho, a ideia migrou para a Assembleia.

O congestionamento que mudou os planos

Na hora de montar a chapa proporcional, porém, o congestionamento de nomes e o espaço disputado fizeram o governador reconsiderar. Atendendo a apelos tanto do PL quanto do Novo, Jorginho conversou com a vice-governadora e acertou sua permanência no cargo, sem concorrer.

Até porque naquele momento o governador já estava decidido a tirar pelo menos um mês de férias, em setembro, para se dedicar exclusivamente à campanha, e precisava de alguém de confiança absoluta respondendo pelo governo.

Joinville concentrada na chapa

E a coincidência geográfica chama atenção. Quando Marilisa assume o governo interinamente, ela representa Joinville. O candidato a vice, Adriano Silva, também é de Joinville. E Carol De Toni escolheu como primeiro suplente um advogado e empresário de Joinville.

A situação está muito consolidada para tentar arrancar do maior colégio eleitoral do estado uma grande frente de votos. Vale lembrar que em 2002, Luiz Henrique da Silveira surpreendeu e derrotou Esperidião Amin na reeleição exatamente por conta da dianteira que abriu em Joinville, cidade que havia administrado três vezes. A vantagem ficou na casa dos três dígitos, mais de 100 mil votos.

Papel estratégico e futuro promissor

Marilisa Boehm acaba desempenhando um papel estratégico nessas eleições que vai além do palanque. É a gestora do estado durante a campanha, é a representante institucional enquanto Jorginho faz política, e é a garantia de continuidade administrativa nos momentos em que o governador se afasta. Uma vez reeleito Jorginho Mello, ela se torna nome cotadíssimo para integrar o futuro secretariado.

Entre as várias alternativas, a própria Secretaria de Segurança Pública do estado, considerando sua origem na Polícia Civil e o conceito que construiu ao longo de décadas no setor.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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