A nova rodada da Quaest mantém Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula no segundo turno: 42% a 41%. A distância, que era de dois pontos, caiu pela metade. Lula oscilou um ponto para cima. Os dois continuam tecnicamente empatados.
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É um alívio para o Planalto. Afinal, o presidente respira. A disputa continua aberta.
O fato novo foi o reajuste do Bolsa Família. Na leitura desta coluna, o anúncio ajuda a explicar a reação de Lula entre os eleitores de baixa renda e no Nordeste, segmentos fundamentais para sua candidatura.
Uma investida administrativa de cunho eleitoral. A proximidade da votação torna inevitável discutir o interesse político por trás da medida. A oscilação não prova, sozinha, uma relação de causa e efeito, mas oferece ao governo um sinal que ele precisava enxergar.
O cerco aperta
No primeiro turno, a diferença relatada na nova rodada caiu de cinco para quatro pontos, colocando a disputa no limite do empate técnico. Lula consegue um pequeno respiro no confronto direto, mas continua pressionado na primeira etapa. Esse é o dado que impede o petismo de comemorar à vontade. Uma coisa é recuperar um ponto. Outra, muito diferente, é recuperar o controle político da eleição.
Vão minguando
Enquanto os dois principais candidatos concentram as atenções, as demais candidaturas vão minguando. Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema enfrentam a dificuldade de romper uma polarização que absorve o debate. Gradativamente, perdem consistência. A terceira via corre o risco de chegar à reta final espremida entre os dois protagonistas.
O voto útil
É nesse ambiente que cresce a pressão pelo voto útil. O eleitor deixa de escolher apenas o candidato de sua preferência e passa a calcular quem tem melhores condições de impedir a vitória do adversário. Se as candidaturas menores continuarem a desidratar, a concentração poderá aproximar um dos líderes da maioria dos votos válidos. Isso permite discutir uma definição em turno único. Seja para um lado, seja para o outro.
Não acredito
Eu, particularmente, não acredito numa definição em 4 de outubro. A disputa continua equilibrada demais para transformar essa possibilidade em previsão. Mas também não se pode tratar como impossível aquilo que a própria concentração de votos pode tornar viável. Para vencer no primeiro turno, é preciso superar a metade dos votos válidos. Estar à frente do adversário, por si só, não resolve.
Foi o Plano Real
Desde a retomada das eleições presidenciais diretas, apenas Fernando Henrique Cardoso venceu no primeiro turno: em 1994 e em 1998. Mas, politicamente, não foi apenas ele que ganhou. Foi o Plano Real. A estabilidade econômica deu a Fernando Henrique, ministro da Fazenda de Itamar Franco na implantação do plano, a força para liquidar a disputa. O brasileiro estava saindo do sufoco da inflação e sabia o valor daquela mudança.
A regra foi outra
Fora essas duas eleições, a decisão ficou para o segundo turno. Collor e Lula em 1989. Lula e Serra em 2002. Lula e seu atual vice, Geraldo Alckmin, em 2006. Dilma e Serra em 2010; Dilma e Aécio em 2014. Em 2018, Bolsonaro derrotou Haddad. Em 2022, Lula venceu Bolsonaro. Mudaram os protagonistas e terminou a longa polarização entre PT e PSDB, mas a necessidade de uma segunda rodada permaneceu.
Nada está liquidado
Vamos observar o desenrolar dos acontecimentos destes decisivos dias que nos separam do 4 de outubro. Qualquer vacilo pode ser fatal.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.
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