Fechar [x]
APOIE-NOS
Tubarão/SC
24 °C
17 °C

Flávio deixa um vazio, e Jorginho ganha espaço na direita nacional

Por Cláudio Prisco Paraíso
31/10/2026 - 12h20

A primeira semana depois da eleição pareceu uma espécie de terceiro turno. Flávio Bolsonaro contestou o resultado, depois anunciou uma ação contra a chapa de Lula por abuso de poder político e econômico.

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

Até que o país foi sacudido pela notícia de sua saída para os Estados Unidos. A discussão passou a alcançar sua capacidade de representar a oposição.

Patrimônio desperdiçado

É possível compreender o receio pessoal de Flávio e criticar os excessos judiciais. Isso não elimina sua responsabilidade política. Recebeu quase 60 milhões de votos. Não poderia tratar esse patrimônio como um assunto exclusivamente familiar. A maneira como deixou o Brasil impôs uma pergunta: quem ficou para conduzir o enfrentamento político que prometeu liderar?

A carta agravou

A carta divulgada depois ampliou o desgaste. Uma versão o apresentou como “presidente eleito”. O texto foi alterado, mantendo a pretensão de comandar a oposição do exterior. Presidência não se conquista por autoproclamação. Liderança não se estabelece por correspondência. Oposição exige presença, negociação e organização. A internet ajuda, mas não substitui a atuação onde as decisões são tomadas.

O espaço será ocupado

Não existe espaço desocupado na política. Diante do vácuo, outras lideranças avançam naturalmente. Flávio pode conservar apoiadores. Mas não conseguirá reservar para si o comando de um campo político inteiro apenas porque disputou a Presidência. A direita não pertence a uma família. Precisa de alternativas equilibradas, preparadas e capazes de enfrentar o PT com consistência.

Tarcísio na dianteira

O primeiro nome é Tarcísio de Freitas, reeleito em São Paulo, a locomotiva econômica e o maior colégio eleitoral do país. Já era uma alternativa para 2026. A escolha de Jair Bolsonaro pelo primogênito colocou outro candidato na disputa. Agora, Tarcísio reúne governo, projeção e capacidade de diálogo. É um nome natural para 2030. A derrota de Flávio e seus movimentos posteriores aceleraram essa discussão.

Michelle no horizonte

Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo Distrito Federal, também terá espaço. Chegará ao Congresso com mandato, visibilidade e ligação com uma parcela importante do eleitorado conservador. Seu nome pode entrar em futuras composições, inclusive com Tarcísio. É uma possibilidade, ainda distante de qualquer definição. Michelle terá uma tribuna institucional por oito anos. Isso faz diferença na construção de uma liderança.

Marinho no Congresso

Rogério Marinho merece atenção. Senador pelo Rio Grande do Norte e coordenador da campanha de Flávio, reúne experiência e capacidade de articulação. É uma voz de moderação, equilíbrio e preparo. Qualidades que fazem falta quando a bravata ocupa o lugar da estratégia. Seu papel passa pela bancada liberal e pela construção de uma oposição firme, capaz de negociar sem abandonar convicções.

Jorginho deu o recado

Ao se manifestar depois do resultado, Jorginho Mello defendeu respeito às urnas e responsabilidade institucional. Manteve a posição conservadora, destacou a votação catarinense e apontou a necessidade de trabalhar pelo estado. É a atitude de quem tem governo para administrar. Reconhecer o resultado não exige adesão ao PT. Exige maturidade para seguir fazendo política.

O Sul se organiza

Jorginho, Sergio Moro e Luciano Zucco formarão um bloco de governadores do PL no Sul. A afinidade ideológica e os interesses regionais favorecem uma atuação conjunta. O catarinense chega ao segundo mandato; os colegas iniciarão seus governos. Sua experiência o credencia para exercer uma interlocução importante com a direção nacional do partido. A região tem votos, bancadas e governos. Precisa transformar essa força em influência efetiva.

Experiência que pesa

Tarcísio construiu sua trajetória na administração pública e disputou a primeira eleição em 2022. Jorginho tem uma vivência parlamentar e partidária muito mais longa. Essa experiência o credencia como ponte entre governadores, Congresso e comando do PL. Fortalecido em Santa Catarina, reúne condições para ampliar seu papel nacional. A reorganização da direita já começou. Flávio saiu do país. A política continuou andando. E Jorginho está entre aqueles que têm experiência e musculatura para ocupar os espaços.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

VER TODAS

+Lidas

Revista Única
www.lerunica.com.br
© 2019 - 2026 Copyright Revista Única

Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR