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Cury surge para embaralhar a disputa ou é apenas nuvem passageira?

Por Cláudio Prisco Paraíso
02/09/2026 - 08h50

Começamos a semana da disputa presidencial com uma novidade inesperada e igualmente inusitada. O escritor e psiquiatra Augusto Cury, presidenciável do Avante, apresentou crescimento significativo nas pesquisas de três institutos. Em dois chegou a bater no segundo dígito, no outro se aproximou, mas em todos um avanço consistente e que não pode ser ignorado.

Tudo isso considerando apenas os primeiros dias da propaganda eleitoral gratuita, somados à sua participação no debate da Band e à entrevistas em vários canais de TV. O crescimento nas redes sociais foi exponencial.

O candidato que incomoda os dois lados

As pesquisas mostram que Cury cresce entre os indecisos, aqueles que estavam entre Lula e Flávio, mas também subtrai eleitores de Romeu Zema. Em determinada pesquisa, Lula perdeu para ele cerca de dois pontos percentuais, Flávio cerca de quatro.

Além disso, beliscou até de Renan dos Santos, do Missão, cuja candidatura foi suspensa nesta segunda-feira por decisão do ministro Dias Toffoli, após irregularidades nas informações enviadas ao TSE.

Episódio ou tendência?

A questão fundamental agora é observar se essa manifestação do eleitorado é algo episódico e momentâneo ou se vai caracterizar uma tendência real, consolidando Cury como terceira força na disputa.

Em 2022, havia a expectativa de uma terceira via que não se consumou, nem na figura de Ciro Gomes, nem na de Simone Tebet pelo MDB. A eleição ficou polarizada entre Jair Bolsonaro e o ex-presidiário Lula da Silva. Vai ser diferente desta vez?

O fenômeno do outsider

É aquela questão do outsider. Como foi Pablo Marçal na disputa pela capital paulista em 2024. De repente alguns eleitores passam a identificar o candidato de outra forma. É aquele escritor que agora é candidato à presidência.

Essa ligação talvez ainda não tivesse sido feita por muitos eleitores. Augusto Cury tem 40 milhões de livros vendidos. É um nome conhecido, mas num contexto completamente diferente do político. E quando essa conexão acontece, o crescimento pode ser repentino.

O precedente de 1989

Vale lembrar que no restabelecimento das eleições à presidência da República em 1989, em determinado momento surgiu o fator Afif. Guilherme Afif Domingos, à época pelo PL, teve um crescimento expressivo nas pesquisas, o que animou muita gente.

Foi simplesmente algo passageiro. A questão é saber se Cury vai seguir o mesmo caminho ou se vai conseguir sustentar e ampliar o crescimento ao longo das próximas semanas.

Quest e Datafolha vão dar a resposta

As pesquisas Quest e Datafolha, programadas para quarta e quinta-feiras desta semana, vão dar uma resposta mais clara sobre se o crescimento de Cury tem consistência ou se já começa a arrefecer. O tabuleiro presidencial ganhará um fato novo ou trata-se apenas de uma nuvem passageira?

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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