O período de Carnaval costuma impor uma espécie de trégua ao noticiário político, tradicionalmente escasso de fatos relevantes. Ainda assim, neste ano, a folia abriu espaço para um episódio que reverberou com força em Brasília e irradiou efeitos para os estados, inclusive Santa Catarina.
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A decisão do Supremo Tribunal Federal de afastar Dias Toffoli da relatoria do caso envolvendo o escândalo do Banco Master — medida formalmente apresentada como voluntária, mas interpretada no meio político como fruto de forte pressão — acabou funcionando como gatilho para um movimento inesperado: a manifestação pública dos presidentes de duas siglas centrais da federação partidária formada por PP e União Brasil.
Mais do que o mérito do episódio judicial, o que chamou atenção foi a dimensão política da reação e o potencial de desgaste institucional para a própria federação, em um momento em que as articulações eleitorais já começam a ganhar densidade.
Reação isolada
Os presidentes Ciro Nogueira e Antonio Rueda divulgaram nota em defesa de uma posição institucional que não havia sido previamente debatida com bancadas ou instâncias partidárias. A iniciativa surpreendeu o Congresso e expôs fissuras internas, sobretudo pelo caráter unilateral da manifestação.
Rebelião interna
A reação não tardou. Senadores do PP, sob a liderança de Tereza Cristina, divulgaram posicionamento próprio rejeitando o teor da nota e enfatizando que não houve consulta prévia. Entre os signatários, o catarinense Esperidião Amin, reforçando o desconforto também no plano regional.
Desgaste federativo
O episódio cria um ruído relevante para a federação partidária. A percepção de que dirigentes nacionais agiram por conta própria, sem alinhamento interno, fragiliza a coesão política e levanta dúvidas sobre a capacidade de coordenação em ano pré-eleitoral — um ativo fundamental nas negociações estaduais.
Reflexos em SC
Em Santa Catarina, onde as alianças ainda estão em fase de maturação, qualquer contaminação reputacional tende a pesar nas composições. Partidos e lideranças costumam ser sensíveis a sinais de instabilidade nacional, sobretudo quando há risco de transferência de desgaste para os palanques locais.
Saídas possíveis
Nos bastidores, duas hipóteses ganham força: uma reacomodação interna, com eventual revisão de posições, ou migrações estratégicas durante a janela partidária. Ambas revelam que o episódio, ainda que surgido em pleno Carnaval, pode produzir efeitos prolongados no tabuleiro político. No fim das contas, a folia passou, mas o ruído ficou — e tende a ecoar nas negociações que moldarão as alianças dos próximos meses.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.
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