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A terça-feira que pode mudar o STF e a eleição

Por Cláudio Prisco Paraíso
12/09/2026 - 08h00

Este fim de semana promete ser longo para magistrados e políticos. Na próxima terça-feira, o STF realizará uma sessão pública para decidir se autoriza a investigação de um integrante da própria Corte.

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Em 135 anos, o Supremo nunca esteve diante de uma crise interna dessa dimensão.

Um ano fora da curva

O ano de 2026 já entrou para a história do tribunal. O Senado rejeitou Jorge Messias, advogado-geral da União indicado por Lula para o STF, algo que não ocorria desde o governo Floriano Peixoto. Agora, a Corte será obrigada a discutir publicamente a conduta de um de seus ministros. O Supremo deixou de julgar apenas as crises do país e passou a julgar a própria crise.

Moraes enfraquecido

Alexandre de Moraes chega à sessão menor do que era há poucas semanas. Ele já não controla o inquérito das fake news, retirado de suas mãos e assumido pelo presidente Edson Fachin.

É o primeiro golpe concreto contra o poder acumulado pelo ministro. Moraes continua no tribunal, mas perdeu o instrumento que lhe permitiu centralizar investigações e manter adversários sob pressão.

Sessão para valer?

A pergunta é se teremos uma sessão verdadeira ou apenas uma encenação para aliviar a pressão popular. Existem suspeitas graves envolvendo a proximidade de Moraes e de sua família com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Contratos milionários, mensagens e possíveis pedidos de interferência precisam ser investigados com independência. Mas autorizar uma investigação é apenas o começo. O país quer consequências.

Investigar não basta

Moraes será afastado? Haverá prazo para concluir a apuração? Os documentos serão públicos? Ou o processo atravessará as eleições e acabará enterrado pelo corporativismo? Uma investigação sem prazo, transparência e afastamento poderá ser apenas uma meia-sola institucional: suficiente para produzir manchetes, mas incapaz de produzir Justiça.

Lula nas cordas

A sessão acontece no pior momento para Lula. O presidente enfrenta um verdadeiro inferno astral e aparece nas pesquisas sem a vantagem que mantinha sobre Flávio Bolsonaro. Na maioria dos levantamentos recentes, existe empate no segundo turno. Em outros, Flávio já surge numericamente à frente. O bolsonarista cresce enquanto Lula entra na reta final em curva descendente.

O plano do Planalto

O governo precisa encontrar uma saída. Uma investigação aprovada por consenso, mas sem o afastamento de Moraes, permitiria que Lula tentasse posar de defensor da transparência e se afastar do ministro. Seria conveniente: o Supremo anunciaria a apuração, Moraes continuaria no cargo e o processo poderia perder força depois das eleições. Para Lula, seria a oportunidade de dizer que não protege ninguém. Para o STF, uma tentativa de recuperar credibilidade sem atingir profundamente um dos seus.

Os votos de Lula

O problema está nos votos de Flávio Dino e Cristiano Zanin, ambos indicados por Lula ao Supremo. Se um deles tentar impedir a investigação ou blindar Moraes, o presidente ficará sem discurso. A ligação política será imediata: ministros escolhidos por Lula protegendo o magistrado que se tornou símbolo da atuação institucional contra o bolsonarismo. Também caberá a Gilmar Mendes escolher entre ajudar o STF a recuperar sua autoridade ou participar de mais uma operação de proteção interna.

Terça-feira decisiva

A próxima terça-feira não decidirá apenas o futuro de Alexandre de Moraes. Colocará em julgamento a credibilidade do STF e produzirá consequências na disputa presidencial. O país saberá se a era dos superministros começou a terminar ou se o sistema continuará protegendo os seus. A eleição está aberta, Lula está nas cordas e Moraes chega enfraquecido. Qualquer blindagem terá um custo político gigantesco. O fim de semana será longo. Mas, para o Supremo e para o Palácio do Planalto, a terça-feira poderá ser ainda mais.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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