A resposta pode estar na sua planilha, não na sua sala de consulta
Confira 4 ladrões invisíveis do lucro do negócio pet - Foto: Imagem Ilustrativa Você fecha o mês, olha o total de vendas e pensa: "Faturou bem." Aí vai pagar as contas e o dinheiro sumiu. O saldo no banco não reflete o volume de atendimentos, de clientes que passaram pelo seu negócio pet.
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Se isso acontece com frequência, você não está sozinho. Esse é o sintoma mais comum — e mais perigoso — de um negócio pet que fatura sem lucrar.
O paradoxo do faturamento
O Brasil é o 3º maior mercado pet do mundo. Em 2025, o setor faturou R$ 77,96 bilhões — e a projeção para 2026 é ultrapassar a marca de R$ 80 bilhões, com crescimento estimado de 9,6%. São 202,1 mil estabelecimentos de varejo pet no país.
O mercado cresce. O número de clientes aumenta. Os tutores gastam cada vez mais — o gasto médio mensal para manter um cão é de R$ 431,00. Mas, dentro desse mercado bilionário, cerca de 40% dos pet shops fecham as portas em menos de 5 anos. E não é por falta de cliente. É por falta de gestão.
O retrato da gestão financeira no pequeno negócio pet
Os números são assustadores e não apenas no setor pet, mas no pequeno negócio brasileiro como um todo. Segundo a pesquisa Hábitos Financeiros 2025, do Sebrae/PR:
- 25% dos empreendedores ainda usam caderno para controlar as finanças;
- 10% não fazem controle nenhum;
- Mais da metade mistura contas pessoais com as da empresa;
- Apenas 20% adotam aplicativos ou sistemas digitais de gestão.
Outra pesquisa, do Ceape Brasil, escancara uma realidade preocupante: 75% dos empreendedores têm dificuldades para gerenciar o fluxo de caixa; 62% misturam as finanças pessoais com as da empresa; e 58% não têm orçamento estruturado. O dado mais grave: segundo o Sebrae, 48% das micro e pequenas empresas fecham por falta de planejamento financeiro e descontrole do caixa.
Os 4 ladrões invisíveis do lucro do seu negócio pet
1. Precificação errada: Você precifica olhando o preço do concorrente, e não seus próprios custos. 53% dos empreendedores não sabem se seus preços cobrem as despesas. Se você não calcula a margem individual, está vendendo algo no prejuízo sem saber.
2. Estoque mal administrado: Produto parado é dinheiro parado, e que cobra juros. Pet food vence, acessórios encalham, medicamentos têm data de validade. O estoque que não gira é um dos maiores sugadores de lucro.
3. Falta de controle de custos fixos: Aluguel caro demais para o ponto ou excesso de funcionários que pesa na folha. Sem um orçamento estruturado, pequenos custos viram uma bola de neve. E 58% dos pequenos negócios operam sem ele
3.1. Misturar as contas: O dono tira dinheiro do caixa conforme precisa, sem lógica. 62% dos empreendedores fazem isso. No fim do mês, não se sabe se o negócio deu lucro ou prejuízo porque a conta pessoal se misturou com a da empresa.
4. O que fazer para o lucro aparecer?
A boa notícia é que esse diagnóstico tem tratamento. E não é aumentando o faturamento é organizando a gestão financeira. Antes de pensar em vender mais, siga estes passos:
- Apure o custo operacional total: Some absolutamente tudo: aluguel, salários, impostos, água, luz, material de limpeza e café.
- Descubra seu ponto de equilíbrio: Qual é o faturamento mínimo para cobrir todos os custos? Abaixo disso, você está perdendo dinheiro.
- Separe as contas: Conta PJ é uma. PF é outra. Seu pró-labore é um valor fixo definido no início do mês.
- Saia do caderno: Se você está no grupo que não controla nada digitalmente, comece hoje. Uma planilha já é um passo gigante.
O mercado pet brasileiro deve ultrapassar R$ 80 bilhões em 2026. Nunca se gastou tanto com animais de estimação no país. Mas a realidade é que grande parte dos pequenos negócios fecham por falta de controle financeiro. Portanto, o problema não está na demanda. Está na gestão.
Faturamento não é lucro. Cliente na porta não é sucesso. O que separa um negócio que cresce de um que quebra é a gestão. O lucro não aparece por acaso. Ele é resultado de precificação correta, controle de custos e separação clara entre o que é da empresa e o que é do dono.
Olhe para os seus números com a mesma atenção que você olha para os seus pacientes. Pode ser que o diagnóstico mais importante do mês esteja na planilha, não na sala de consulta.
Bora pra gestão?
Marina Ribeiro é sócia proprietária Coyote VetShop, Administradora de Empresas, Mentora de Gestão Estratégica Vet, Desenvolvedora do Método E.L.O.S - focado na gestão de clínicas veterinárias e petshop, com aumento de lucratividade. Conheça mais detalhes em seu no perfil do Instagram @mentoravet