Confira alerta que metade dos tutores ignora
O avanço do mercado pet, da alimentação às especialidades veterinárias, ampliou a expectativa de vida dos animais - Foto: Divulgação Os pets brasileiros estão vivendo mais do que nunca. Em um país com 160,9 milhões de animais de estimação, a terceira maior população pet do mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos, cães e gatos ganharam, em média, 50% mais tempo de vida nas últimas duas décadas. Cães de pequeno porte, que viviam cerca de 13 anos, hoje chegam facilmente aos 18.
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Nos últimos 12 anos, os animais abocanharam pelo menos um ano extra de expectativa de vida. A notícia, porém, vem acompanhada de um alerta: o envelhecimento começa muito antes do que os tutores imaginam, e a maioria ainda evita falar sobre o assunto.
Por que os pets estão vivendo mais A longevidade animal não é obra do acaso. Ela é o resultado do amadurecimento de um mercado pet inteiro: alimentação cada vez mais especializada, novas especialidades veterinárias, exames e diagnósticos mais acessíveis e uma indústria dedicada à saúde e ao bem-estar dos animais.
Mas há um ingrediente que nenhum produto substitui: a conscientização do tutor. Quem entende que cuidar começa antes do problema, com prevenção, check-ups e atenção à rotina, está, na prática, dando mais anos de vida ao seu pet.
Ainda assim, a ciência projeta que um quinto dos animais no mundo já faz parte da população sênior. "Isso é realmente incrível, mas, por outro lado, traz preocupações sobre uma série de problemas que acompanham o envelhecimento, como dificuldades motoras, déficits alimentares e imunológicos e até disfunções cognitivas", afirma Thiago Vendramini, veterinário e professor da USP.
O alerta: a velhice começa na meia-idade
A ciência veterinária aponta que o processo de envelhecimento não começa quando aparecem os pelos brancos. Ele tem início silenciosamente na meia-idade, período que ocorre, em geral, entre 6 e 8 anos para gatos e entre 5 e 7 anos para cães.
É nessa fase que alterações sutis no metabolismo, na composição corporal, na função cognitivae na mobilidade começam a acontecer, mesmo quando o animal ainda parece perfeitamente saudável e cheio de energia.
É o momento em que a prevenção gera maior impacto, e também o momento em que muitos tutores, ainda os enxergando como eternos filhotes, deixam de agir. "O envelhecimento de nossos pets começa antes do que muitos de nós imaginamos, frequentemente durante a metade da vida, quando gatos e cães ainda parecem perfeitamente saudáveis e cheios de energia", alerta Priscila Rizelo, médica-veterinária e gerente de Comunicação e Assuntos Científicos da Royal Canin Brasil.
A dificuldade em encarar essa realidade é enorme. Uma pesquisa inédita encomendada pela Royal Canin e conduzida pela Censuswide, com 1.000 tutores brasileiros, revelou que metade (50%) evita falar sobre o envelhecimento dos pets.
Entre eles, 67% afirmam que pensar no assunto causa muita tristeza, e 38,7% dizem não enxergar o animal como idoso por considerá-lo parte da família. A barreira emocional tem consequências práticas: 34,3% dos tutores só pensam no assunto quando surge um problema de saúde, e 35,2% não adotam medidas preventivas porque o animal aparenta estar bem.
Outros 63% temem não conseguir dar o suporte necessário ao pet na velhice, e 32% acreditam, de forma equivocada, que não há nada que possa ser feito.
O que fazer: cuidados que começam na juventude
A boa notícia é que o envelhecimento é um processo natural e inevitável, mas seus impactos podem ser minimizados com cuidados iniciados ainda na juventude do pet. A medicina veterinária é clara sobre os pilares de uma longevidade saudável: alimentação balanceada, controle do peso corporal, manutenção da atividade física, vacinação, controle de parasitas e acompanhamento veterinário regular.
"Embora o envelhecimento seja um processo natural e inevitável, seus impactos podem ser minimizados com cuidados iniciados ainda na juventude do pet", resume o médicoveterinário Renan Serbaro Vetillo.
Os números mostram que o caminho preventivo ainda é tímido: embora 61,2% dos tutores afirmem levar os pets para check-ups regulares, 25% apontam os altos custos veterinários como obstáculo para agir precocemente.
E as preocupações continuam concentradas nas consequências, não na prevenção: o câncer é o maior temor de 42,5% dos tutores, seguido por problemas de mobilidade e articulações (28,9%) e doenças renais (11,3%), condições que, em boa parte dos casos, poderiam ser melhor manejadas com detecção precoce.
O mercado se adapta aos vovôs pets
A nova realidade já movimenta a indústria. As clínicas veterinárias se diversificaram para atender de pacientes reumatológicos a oncológicos, e existe hoje uma especialidade dedicada ao tema, representada pela Sociedade Brasileira de Geriatria Veterinária, fundada em 2018.
Marcas como Royal Canin, PremierPet, N&D e outras, contam com rações sênior em seus portfólios, desenvolvidas para as necessidades específicas da idade avançada.
A mensagem final dos especialistas é um convite à mudança de comportamento: iniciar check-ups e conversas de forma preventiva é a chave para garantir não apenas uma vida mais longa, mas com mais qualidade e saúde. Porque, a exemplo dos humanos, não basta viver mais. É preciso viver bem, e com saúde.
Marina Ribeiro é sócia proprietária Coyote VetShop, Administradora de Empresas, Mentora de Gestão Estratégica Vet, Desenvolvedora do Método E.L.O.S - focado na gestão de clínicas veterinárias e petshop, com aumento de lucratividade. Conheça mais detalhes em seu no perfil do Instagram @mentoravet