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O dilema do veterinário empreendedor: entre a clínica e a planilha

A transição necessária do consultório para a mesa de gestão no mercado pet brasileiro

Por Redação, Revista Única
19/08/2026 - 09h04
A maioria dos veterinários empreendedores tenta abraçar os dois mundos ao mesmo tempo - Foto: Divulgação

Você estudou anos para salvar vidas. Fez residência, se especializou, aprendeu as técnicas mais avançadas. Seu sonho sempre foi ter a própria clínica para atender do seu jeito, com a qualidade que sempre acreditou. No entanto, ao abrir o negócio, descobriu que ser veterinário e ser empreendedor são duas profissões diferentes.

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De um lado, a clínica te chama os pacientes, as consultas, o propósito. Do outro, a planilha te espera contas a pagar, folha de funcionários, impostos, fluxo de caixa. A maioria dos veterinários empreendedores tenta abraçar os dois mundos ao mesmo tempo. E quebra.

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O mercado que cresce — e o negócio que não acompanha

O Brasil é o 3º maior mercado pet do mundo, com faturamento projetado de R$ 77,3 bilhões em 2025. São 160,9 milhões de pets no país — mais animais que crianças de 0 a 13 anos. Metade dos lares brasileiros tem pelo menos um pet.

São 202,1 mil estabelecimentos de varejo pet e 155 mil médicos-veterinários ativos. Só entre 2023 e 2025, a abertura de pequenos negócios pet cresceu 22% — 41,6 mil novos negócios, sendo 91% MEIs. Mas tem um dado que pouca gente olha: segundo o Sebrae, cerca de 40% das empresas criadas no Brasil não sobrevivem após 5 anos. Entre os MEIs, a taxa de mortalidade chega a 29%. Entre microempresas, 21,6%.

O mercado cresce. O número de veterinários cresce. O número de pet shops cresce. Mas a taxa de mortalidade dos pequenos negócios continua alta. O problema não é a demanda é a gestão.

O mito do "fazer tudo"

Existe uma ideia romântica de que o empreendedor precisa estar em todos os lugares: atendendo, administrando, comprando, fechando o caixa. Na prática, isso não é dedicação é autossabotagem. Quando você está na clínica, a gestão fica abandonada. Quando tenta resolver a gestão, os pacientes esperam. O resultado é que nenhum dos dois lados recebe o que merece.

A clínica sofre porque você está com a cabeça nas contas. A planilha sofre porque você está com a cabeça nos pacientes. E no fim do dia, você está exausto com a sensação de que não fez nada bem feito.

O custo invisível do veterinário que não se afasta

O maior erro do veterinário empreendedor não é financeiro é estratégico. Ele acredita que seu valor máximo está no atendimento clínico. E realmente está, mas apenas até certo ponto. O problema é que, enquanto você atende, o negócio não cresce. Porque crescer exige decisões que não se tomam na sala de consulta:

-    Precificação correta dos serviços

-    Controle de custos operacionais

-    Treinamento e retenção de equipe

-    Estratégias de marketing e captação de clientes

-    Negociação com fornecedores

Nada disso acontece se você não separar um tempo — físico e mental — para ser empresário.

A tríade do veterinário empreendedor

Para equilibrar a clínica e a planilha, você precisa enxergar três papéis distintos:

1    O clínico: Cuida dos pacientes. Gera receita. Entrega valor direto ao cliente. É a razão de existir do negócio.

2    O gestor: Cuida da operação. Controla finanças, equipe, processos. Garante que a clínica funcione sem depender de você.

3    O estrategista: Cuida do futuro. Define direção, metas, parcerias, diferenciais competitivos. É quem faz o negócio evoluir.

O veterinário iniciante passa 90% do tempo como clínico e 10% como gestor (geralmente à noite, depois do expediente). O veterinário que cresce aprende a distribuir esses percentuais de forma consciente.

O que a planilha mostra que a clínica esconde

Você pode ser o médico mais técnico da região, mas se a planilha não fechar, a clínica fecha. E não é drama é matemática. A planilha revela verdades desconfortáveis: a consulta que você faz com carinho pode estar dando prejuízo; o banho e tosa que parece tão lucrativo pode estar com margem negativa; o estoque parado na prateleira está comendo seu lucro.

O mercado pet brasileiro cresceu 9,6% em 2024, mas desacelerou para apenas 2,6% em 2025 o pior resultado desde 2019. O setor está ficando mais maduro, mais competitivo. Quem não tiver gestão afiada vai sentir.

Se tem uma coisa que quem vive o mercado pet aprende na prática é: negócio pet não quebra por falta de pacientes. Ela quebra por falta de gestão. Os melhores profissionais da medicina veterinária são, muitas vezes, os piores gestores dos próprios negócios. Não por incompetência por falta de tempo, de repertório e de um método que organize o caos.

O segredo não é mágico: é separar a clínica da planilha. Criar rituais financeiros semanais. Olhar os números. Tomar decisão com base em dado, não em achismo. Se você sente que vive apagando incêndio e não sai do lugar, talvez a resposta não esteja em mais uma especialização técnica mas em olhar para o seu negócio como ele merece.

Bora pra gestão? 

Marina Ribeiro é sócia proprietária Coyote VetShop, Administradora de Empresas, Mentora de Gestão Estratégica Vet, Desenvolvedora do Método E.L.O.S - focado na gestão de clínicas veterinárias e petshop, com aumento de lucratividade. Conheça mais detalhes em seu no perfil do Instagram @mentoravet

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Marina Ribeiro é sócia própria Coyote VetShop, Administradora de Empresas, Mentora de Gestão Estratégica Vet, Desenvolvedora do Método E.L.O.S - Foto: Divulgação

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