Um estudo sobre a entrada de grandes marcas no setor e os desafios da gestão profissional
Grandes grifes lançam produtos para pets - Foto: Imagem Ilustrativa Quando a Adidas lança uma linha inteira dedicada a pets, com coleções sazonais e expansão global, não é modismo. É estratégia. Marcas consolidadas, tradicionalmente focadas em consumo humano, estão criando linhas exclusivas para animais de estimação. E o motivo é simples: elas seguem o dinheiro e a emoção do consumidor.
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A Adidas criou a adidas Originals Pet Collection "três listras para o seu amigo de quatro patas". O dono veste igual ao pet, e a marca aposta nessa conexão emocional como motor de venda. Não é uma ação pontual: são múltiplas coleções sazonais, com expansão global.
A FARM Rio levou a moda brasileira com propósito para o segmento, lançando uma silk com estampa de vira-latas brasileiros, homenageando cães que são ícones da cultura nacional.
A Hermès, símbolo de luxo extremo, vende cama de cachorro por `R$ 31.000,00`. O raciocínio: se a casa tem móveis Hermès, a cama do pet também deve ter. O animal é tratado como extensão do lifestyle.
A Le Creuset, famosa pelas panelas de ferro esmaltado, lançou tigela para ração seguindo o mesmo design e paleta de cores. Se o pet faz parte da casa, os objetos dele devem conversar com o design da cozinha.
A Tiffany também entrou na onda, com joias para pets. O que une todas essas marcas? Nenhuma delas entrou no mercado pet por acaso. Elas fizeram a mesma leitura: o pet deixou de ser "um bicho que mora na casa" para ser membro da família.
Os números que explicam essa corrida
A economia global de pets deve ultrapassar `US$ 500` bilhões até 2030, segundo a Bloomberg Intelligence um crescimento de mais de 45% em cinco anos, impulsionado pela humanização, pelo e-commerce e pela maior renda disponível das famílias.
O Brasil é hoje o 3º maior mercado pet do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China. O setor faturou `R$ 77,96` bilhões em 2025 e projeta `R$ 80` bilhões em 2026. Os brasileiros já destinam, em média, 8% do orçamento familiar aos pets.
É um dos setores mais resilientes da economia: mesmo em períodos de crise, o pet foi a última coisa que o tutor cortou do orçamento e a primeira que voltou.
O que está por trás disso? Humanização
O pet virou filho de quatro patas. O tutor compra para o animal o mesmo padrão de vida que tem e isso é uma decisão emocional, não racional. Isso muda tudo na forma de consumir:
- O tutor não quer mais o produto mais barato, quer o melhor para o pet.
- Ele pesquisa, compara, lê avaliações e exige qualidade e segurança.
- Ele está disposto a pagar mais por quem transmite confiança e especialização.
- Ele escolhe onde levar o pet por reputação, não por preço.
Grandes marcas não entram em mercado parado. Se a Adidas criou uma linha inteira com coleções sazonais e expansão global é porque existe demanda forte e crescente. Aposta de gigante é sinal de mercado em expansão.
Mas aqui está a verdade que ninguém conta
O mercado cresce para todo mundo. O lucro, não. Enquanto as grandes marcas se profissionalizam para capturar esse crescimento, muitos negócios locais seguem na mesma rotina de sempre. E é aí que mora o problema.
Se você:
- Fatura, mas não sabe quanto lucra de verdade — o dinheiro entra e some sem explicação;
- Precifica no achismo e tem medo de cobrar mais — cobra barato e trabalha mais para compensar;
- Trabalha cada vez mais, mas o esforço não se traduz em retorno;
- Termina o mês pagando as contas, mas sem nada sobrar;
- Sente que a clínica para quando você sai — tudo depende de você.
O problema não é o mercado. O problema é a gestão. Quem se estrutura, vence a corrida. O mercado está crescendo e se profissionalizando. Os tutores estão cada vez mais exigentes. Isso significa que a oportunidade não está em "fazer mais do mesmo" está em se diferenciar pela estrutura.
Quem tem organização, método e clareza financeira:
- Vira referência na região — competindo por reputação, não por preço;
- Consegue cobrar mais caro com segurança, porque sabe o valor do que entrega;
- Tem lucro previsível todo mês, sem depender de meses bons e ruins;
- Trabalha menos, porque a equipe funciona com processos definidos;
- Tem tempo de viver — que era, no fundo, o motivo de ter aberto o próprio negócio.
Não precisa de uma mega estrutura de hospital para faturar como um. Precisa de método.
A pergunta que precisa ser feita
O seu negócio está crescendo junto com o mercado? Porque o mercado cresce para todo mundo. O lucro, não. Quem tiver estrutura, organização e método vira referência na região competindo por reputação, não por preço. Cobrando mais caro. Com lucro previsível todo mês. Sem precisar trabalhar mais.
O futuro é dos ousados. Bora pra gestão.
Marina Ribeiro é sócia proprietária Coyote VetShop, Administradora de Empresas, Mentora de Gestão Estratégica Vet, Desenvolvedora do Método E.L.O.S - focado na gestão de clínicas veterinárias e petshop, com aumento de lucratividade. Conheça mais detalhes em seu no perfil do Instagram @mentoravet