A JR nasceu na infraestrutura e engenharia e agora amplia sua atuação para o desenvolvimento urbano e imobiliário
Eder Rodrigues é CEO Empresas JR - Foto: Divulgação Santa Catarina construiu uma das economias mais dinâmicas do Brasil. Somos um estado industrial, exportador, empreendedor e com uma capacidade impressionante de transformar pequenas e médias empresas em negócios competitivos nacional e internacionalmente. Mas existe uma condição para que essa máquina continue funcionando: infraestrutura.
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É fácil perceber a importância de uma rodovia quando ela está interditada, quando uma ponte limita o trânsito ou quando um trecho deteriorado aumenta o tempo e o custo de uma viagem. O que nem sempre percebemos é que a infraestrutura está presente praticamente em todas as decisões econômicas que tomamos.
Uma indústria precisa receber matéria-prima. Um produtor precisa transportar sua produção. Um caminhão precisa chegar ao porto. Um comércio precisa receber mercadorias. Um trabalhador precisa se deslocar. Uma família precisa acessar serviços.
Tudo isso depende de alguma forma de infraestrutura.
Por isso, discutir rodovias, pavimentação, mobilidade e logística não deveria ser apenas discutir obras. Deveria ser discutir competitividade, produtividade e desenvolvimento econômico.
Santa Catarina conhece bem essa relação. Temos uma economia distribuída por diferentes regiões, com polos industriais, agroindustriais, portuários, tecnológicos e turísticos. Essa característica é uma das nossas maiores forças, mas também exige uma infraestrutura capaz de conectar esses diferentes territórios com eficiência. Uma estrada não transporta apenas veículos. Ela transporta tempo. E tempo, na economia, é dinheiro.
Uma rodovia em boas condições reduz o desgaste dos veículos, melhora a segurança, diminui o tempo de deslocamento, reduz custos logísticos e aumenta a previsibilidade para quem produz. Quando uma empresa consegue planejar melhor sua operação porque sabe quanto tempo levará para receber um insumo ou entregar um produto, existe ganho de produtividade. É por isso que infraestrutura precisa ser encarada como investimento, e não apenas como despesa.
Trabalho há mais de duas décadas com engenharia e infraestrutura e, ao longo desse período, aprendi que aquilo que o motorista enxerga representa apenas uma pequena parte daquilo que realmente faz uma rodovia funcionar. Antes do asfalto existe projeto, topografia, estudo de solo, drenagem, mineração, laboratório, controle tecnológico, produção industrial, logística e planejamento. A qualidade de uma estrada depende de toda essa cadeia.
Na JR, essa visão levou à construção de uma estrutura que integra diferentes etapas da operação, da extração de matéria-prima à produção de asfalto, passando pela engenharia, laboratório e execução. São 406 colaboradores diretos, duas usinas de asfalto, estrutura de mineração e equipes próprias de planejamento, controle e execução. Essa integração representa mais do que capacidade operacional. É uma estratégia para ampliar o controle de qualidade, reduzir desperdícios, acumular conhecimento e entregar resultados consistentes.
E é justamente aí que entra outro tema que precisa fazer parte da discussão sobre infraestrutura: inovação. Quando falamos em inovação, normalmente pensamos em inteligência artificial, softwares ou startups, mas ela também está presente em setores tradicionais. Na infraestrutura rodoviária, novos processos produtivos, equipamentos de precisão, automação, controle tecnológico e reaproveitamento de materiais estão mudando a forma como construímos e recuperamos estradas.
O RAP, material obtido a partir da fresagem de pavimentos existentes, é um bom exemplo. Depois de beneficiado e analisado em laboratório, ele pode voltar ao processo produtivo e, dependendo das características da obra, representar aproximadamente 20% da nova mistura. Cada tonelada reaproveitada evita a extração de aproximadamente uma tonelada de agregados minerais e reduz também o consumo de CAP. É economia circular aplicada à infraestrutura, com ganhos ambientais e econômicos.
Mas precisamos ir além da tecnologia aplicada à obra. O próximo salto está no planejamento. Não basta construir uma avenida sem pensar no crescimento da região que ela atende. Não basta pavimentar uma estrada sem analisar os novos fluxos que serão criados. Não basta abrir um acesso sem considerar o desenvolvimento que surgirá ao seu redor. Infraestrutura, mobilidade e desenvolvimento urbano precisam ser pensados de forma integrada.
Foi também por essa razão que ampliamos nossa atuação para o desenvolvimento imobiliário, por meio da Prumare Empreendimentos. A experiência com infraestrutura mostrou que a engenharia não termina quando uma obra é entregue. Ela continua participando da construção das cidades. O Serena Città, em Criciúma, nasce dentro dessa lógica, com 171 lotes residenciais e infraestrutura, mobilidade interna, lazer, convivência e segurança planejados desde o início.
Essa visão será cada vez mais necessária em Santa Catarina. O estado continuará crescendo, e isso significa mais veículos, mais cargas, mais população urbana, mais atividade econômica e novas demandas de mobilidade. A questão não é se precisaremos investir em infraestrutura, mas se teremos planejamento suficiente para antecipar as necessidades que virão.
Precisamos discutir manutenção antes que a estrada apresente problemas graves, planejar acessos antes que eles se transformem em gargalos, incorporar tecnologia antes que os processos se tornem obsoletos e formar profissionais preparados para uma engenharia cada vez mais sofisticada. E essa não pode ser uma agenda isolada de governos ou empresas. É uma agenda de Estado.
O setor público precisa planejar, investir, regular e estabelecer prioridades. As empresas precisam entregar capacidade técnica, inovação, produtividade e responsabilidade. A sociedade precisa acompanhar e compreender a importância desses investimentos. Quando essas forças trabalham na mesma direção, o resultado aparece na economia.
Talvez essa seja a principal lição que aprendi depois de mais de 20 anos trabalhando com infraestrutura: aquilo que vemos é apenas a parte mais evidente de uma transformação muito maior. O asfalto é a superfície. Por baixo dele existe engenharia. Ao redor dele existe logística. E, depois dele, existe desenvolvimento.
Quando uma rodovia conecta duas cidades, quando um acesso facilita a chegada de uma indústria ou quando uma nova infraestrutura permite que uma região cresça, estamos falando de algo que vai muito além da obra física. Estamos criando condições para que pessoas e empresas produzam mais, circulem melhor e tenham novas oportunidades.
É essa visão que continuará orientando nossa trajetória. A JR nasceu na infraestrutura, cresceu com a engenharia e agora amplia seus horizontes para participar também do desenvolvimento urbano e imobiliário. O princípio, porém, continua o mesmo: construir hoje pensando no impacto que aquilo terá amanhã.
Santa Catarina tem uma economia forte. Tem empresários, trabalhadores, pesquisadores e empreendedores capazes de fazer coisas extraordinárias. Nosso desafio é garantir que a infraestrutura acompanhe essa capacidade.
Porque, no fim, uma estrada não é apenas uma estrada. É uma conexão entre pessoas, empresas, cidades e oportunidades. E é justamente dessas conexões que nasce o desenvolvimento.
Por Eder Rodrigues, CEO das Empresas JR