Mudanças nas regras fiscais reduzem incentivos ao setor e elevam a importância de estratégias para manter a competitividade no mercado internacional
Na região Sul a busca por eficiência operacional e inteligência tributária tende a ganhar ainda mais espaço - Foto: Divulgação O agronegócio brasileiro iniciou 2026 enfrentando um cenário de profundas mudanças tributárias e operacionais. A entrada em vigor da Lei Complementar nº 224/2025 alterou mecanismos que, por anos, garantiram parte da competitividade do setor por meio de isenções, alíquotas reduzidas e créditos fiscais aplicados a insumos agropecuários.
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As alterações ocorrem em paralelo à implementação da Reforma Tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, que criou o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo. Embora o novo sistema mantenha benefícios específicos para o agronegócio, diversos incentivos utilizados pelas cadeias produtivas foram reduzidos ou reformulados.
Os reflexos já começam a ser sentidos por segmentos ligados à produção de proteínas, grãos, lácteos e agroindústrias exportadoras. O aumento dos custos operacionais tem pressionado margens de lucro, capital de giro e capacidade de investimento das empresas.
Segundo especialistas do setor, a redução dos benefícios fiscais também afeta a previsibilidade financeira das operações. Além do impacto direto nos custos, as empresas precisam lidar com a complexidade da transição entre o modelo tributário atual e o novo sistema.
Transição amplia desafios operacionais
Além dos impactos financeiros, as empresas convivem com o desafio da transição entre o modelo atual e o novo sistema tributário. Benefícios antes percebidos como isenção ou alíquota reduzida passam a gerar efeitos econômicos ao longo da cadeia produtiva. “O efeito econômico não deve ser analisado apenas pelo impacto isolado da primeira operação. Esse custo nasce no insumo e percorre toda a cadeia de fornecimento, podendo ser incorporado ao preço, à margem ou ao capital de giro”, explica o Head de Operações em Regimes Especiais da Vinde, Gerson Luiz Ziem Junior.
Setores como soja, algodão, carnes, café, cereais e alimentos industrializados tendem a sentir esses reflexos de forma mais intensa. “O que antes era benefício integral passa a ser custo concreto, com reflexo direto no caixa e na competitividade”, afirma Júnior.
Outro desafio apontado é o efeito acumulativo dos custos ao longo da cadeia produtiva. Benefícios que anteriormente representavam isenções ou reduções tributárias passam a gerar impactos financeiros desde a aquisição dos insumos até a comercialização dos produtos finais.
Entre os segmentos mais expostos às mudanças estão as cadeias da soja, algodão, carnes, café, cereais e alimentos industrializados, que dependem fortemente da competitividade para atuar tanto no mercado interno quanto no exterior.
Diante desse cenário, regimes aduaneiros especiais ganham relevância estratégica. O Drawback, mecanismo que permite a suspensão de tributos sobre insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação, surge como uma das principais ferramentas para reduzir custos e preservar a competitividade das empresas brasileiras.
Especialistas avaliam que o instrumento se torna ainda mais importante em um ambiente de redução gradual dos incentivos fiscais, ajudando a compensar parte da carga tributária incidente sobre as operações exportadoras.
Na região Sul do país, onde estão concentradas importantes cadeias produtivas ligadas à proteína animal, arroz, leite, grãos, madeira e cooperativismo, a busca por eficiência operacional e inteligência tributária tende a ganhar ainda mais espaço.
Apesar dos desafios impostos pelas mudanças, o setor mantém perspectivas positivas. A avaliação de especialistas é de que o agronegócio brasileiro continuará competitivo no cenário internacional, mas dependerá cada vez mais de planejamento tributário, gestão eficiente e estratégias que garantam sustentabilidade financeira e capacidade de crescimento.