O Tribunal de Justiça protagonizou um espetáculo lamentável ao julgar o Plano 1000, criado no governo Carlos Moisés. A proposta partiu do então secretário-chefe da Casa Civil, Eron Giordani, que anteriormente foi chefe de gabinete de Julio Garcia, na presidência da Assembleia.
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Giordani concebeu o chamado "Pix do Moisés", que permitia o repasse direto de recursos às prefeituras, sem a necessidade de convênio. Esse encaminhamento recebeu o apoio da Assembleia e as verbas foram liberadas na antevéspera do pleito eleitoral.
Os resultados não foram favoráveis, já que Moisés não avançou para o segundo turno e Eron Giordani, que almejava ser seu vice, foi rejeitado em favor de Udo Döhler.
Eron Giordani acabou formando dobradinha com Gean Loureiro, do União Brasil, que havia renunciado à prefeitura de Florianópolis. Gean e Giordani acabaram em quarto lugar.
A segunda vaga na grande final coube a Décio Lima, derrotado por Jorginho Mello, que assumiu o governo e optou por não dar continuidade ao Plano 1000 devido aos questionáveis critérios de transferência de recursos.
Voto presidencial
O Ministério Público de Santa Catarina ajuizou uma ação no Tribunal de Justiça, defendendo a inconstitucionalidade do "Pix do Moisés". No entanto, o presidente João Henrique Blasi apresentou um voto que recebeu apoio da maioria do Órgão Especial composto pelos desembargadores mais antigos.
TJ no muro
Surpreendentemente, decidiram não tomar uma posição clara e adotaram uma postura ambivalente. Enquanto o Ministério Público atestou a inconstitucionalidade, o TJ preferiu agradar tanto Moisés quanto Jorginho Mello, que divulgaram suas versões conflitantes. Ou seja: a opinião pública ficou sem entender a decisão do Tribunal de Justiça até porque ele decidiu não decidir.
Provocação de Ralf
Ralf Zimmer Junior, candidato ao governo estadual, provocou não apenas o Ministério Público, mas também o Tribunal de Contas do Estado, que considerou o "Pix do Moisés" ilegal. Essa provocação resultou nessa celeuma e falta de uma decisão definitiva.
Lado político
Além disso, é importante considerar o aspecto político, uma vez que nem Moisés nem Giordani avançaram para o segundo turno, evidenciando o desejo de mudança expresso pelos eleitores catarinenses. Infelizmente, o Tribunal de Justiça falhou em não tomar uma posição clara, prevalecendo interesses obscuros de figuras políticas influentes, o que coloca a magistratura catarinense em uma situação delicada.
Impunidade
Resultado: nada acontecerá com Moisés, que foi protegido, e Jorginho Mello terá a liberdade de escolher como enviar os recursos, desde que seja por meio de convênio. Não há espaço para permitir que as prefeituras escolham onde investir. Mais uma vez o Tribunal de Justiça fraquejou colocando em dúvida sua credibilidade.
Prefeito de Joinville, Adriano Silva - Foto: Divulgação/PMJ Por muito pouco, o prefeito da maior cidade catarinense, Joinville, não foi afastado na noite de terça-feira. Segundo o próprio Adriano Silva, filiado ao Novo, sequer tinha conhecimento de que o assunto estava pautado na Câmara de Vereadores.
Adriano foi salvo por um voto de minerva. Um voto. O placar acabou sendo oito a sete. O seu afastamento seria resultado de uma discussão em torno da licitação de radares na cidade, licitação implementada pela prefeitura.
Estaria contrariando dispositivos de lei que já vigoram no município. Há controvérsia em relação a isso. O mais preocupante, no entanto, sem entrar no mérito se há alguma irregularidade no caso dos radares, é o contexto político.
O prefeito não ter vereadores na Câmara que lhe avisassem do que estava para ocorrer é algo inimaginável. Foi Adriano Silva quem declarou que não tinha conhecimento do processo que quase o afastou do Executivo. Demonstração inequívoca de que está faltando articulação política ao prefeito.
Em queda
Quadro absolutamente preocupante. O prefeito e seus aliados encontram-se totalmente desarticulados. Desleixo que pode custar caro.
Positivo
Adriano Silva está muito bem administrativamente. Mas por muito pouco não sofreu um desgaste desnecessário. Obviamente que houve um prejuízo político, mas relativamente pequeno.
O prefeito é empresário, benquisto, realiza grande gestão.
Contra o sistema
Foi eleito com folga, derrotando um representante da política tradicional, o então deputado federal Darci de Matos, do PSD.
E daí?
Adriano merece aplausos da sociedade joinvilense e não mais do que de repente quase o afastam. Ele é candidato à reeleição e tem tudo para renovar o mandato. Surge como uma alternativa de centro, liderando a maior cidade catarinense.
Convergência
Um nome capaz de tentar buscar um protagonismo diretamente contra o governador Jorginho Mello, candidato à reeleição pelo PL e apoiado por Jair Bolsonaro.
Lado
O prefeito de Joinville também é de direita, muito embora posicionado mais ao centro, mas como projetar algo em torno de alguém que parece completamente fora do circuito político?
Novidade
Aliás, o Novo tem disso. O partido definiu regras rígidas de economia interna sob o aspecto partidário.
Dia a dia
Faz parte do jogo, mas isso não deve alijar os dirigentes do Novo da realidade política deste país. No caso em tela, como alguém que é prefeito da maior cidade, candidato à reeleição e quem sabe até pré-candidato ao governo do estado não sabia que estava na iminência de ser afastado do cargo?
Aconselhamento
Fica aqui a reflexão no sentido de que está faltando aconselhamento político e conselheiros
a Adriano Silva para que efetivamente ele esteja com os pés no chão diante da realidade política do dia a dia em Santa Catarina, no Brasil e em Joinville.
Melhora
A política precisa melhorar? Precisa. Adriano poderia ser um instrumento de melhora? Poderia. Mas enquanto essa mudança não acontece, é fundamental estar atento à realidade.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.