Jorge Seif Júnior - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Mesmo com o parecer favorável do MPF-SC, que não viu qualquer irregularidade eleitoral na campanha de Jorge Seif no âmbito da ação que pede a cassação do mandato do senador, os bastidores fervem ante a possibilidade de nova eleição.
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A acusação diz que ele teria usado aeronaves e a estrutura da empresa Havan durante a disputa eleitoral, o que, se for comprovado, configuraria abuso de poder econômico. Isso, evidentemente, se os gastos não tiverem sido devidamente declarados.
Luciano Hang, o dono da Havan, já teve seus direitos políticos cassados. Teria sido uma medida prévia para evitar que o empresário pudesse estar à disposição em caso de degola de Seif?
Observemos como vai se comportar o TSE neste segundo semestre. Outro fato, além da manifestação da Procuradoria Eleitoral Federal, este não tão concreto, pontue-se, é a intensa movimentação de bastidores provocada pelo processo. Independentemente do desfecho jurídico, estão sendo avaliadas e até costuradas possíveis chapas em caso de pleito suplementar ao Senado.
Cortina de fumaça
O ex-senador Dario Berger mira a volta ao MDB. Posiciona-se, como num jogo de truco, como pré-candidato a prefeito de São José. No fundo, contudo, o desejo dele seria retornar a Brasília.
Sem vagas
No Manda Brasa, porém, Dário pode ir tirando o cavalinho da chuva se ele realmente estiver de olho no pleito que elegeria um novo senador por Santa Catarina. O ainda socialista chega atrasado. O deputado Antídio Lunelli (MDB), ex-prefeito de Jaraguá do Sul, já se reuniu com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Bússola
O jaraguaense, inegavelmente, puxa o MDB mais à direita e poderia acabar sendo o escolhido pelo partido em caso de nova eleição.
Será?
Os dois suplentes de uma suposta candidatura de Antídio, ventila-se, poderiam vir do PL. O advogado Filipe Mello, filho do governador, seria um nome forte para a primeira suplência. Seria uma composição deveras interessante.
Naturalidade
No PL, registre-se, há nomes naturais para a hipotética disputa. O principal deles é o da deputada federal Caroline De Toni, recordista de votos proporcionais à Câmara Federal no pleito de 2022. Ela tem trânsito fácil entre os bolsonaristas e encontra-se no segundo mandato.
Unção
Outra possibilidade que não pode ser descartada é a de que o próprio Jair Bolsonaro pode chegar para Jorge Seif e pedir para ele indicar quem será o candidato. O ex-presidente estaria, inclusive, disposto a vir ao Estado para trabalhar diretamente em favor do nome “ungido” dentro do bolsonarismo.
Não sai
Na esquerda, há quem lembre de Décio Lima (PT), que chegou ao segundo turno nas últimas eleições. O petista, contudo, não vai largar o bilionário orçamento e a capilaridade do Sebrae Nacional para lançar-se numa disputa incerta.
Orbitando
Não se pode esquecer, ainda, do ex-prefeito da Capital, Gean Loureiro. Filiado ao União Brasil, Loureiro está indo para a Austrália. Entregou o comando do partido ao deputado federal Fábio Schiochet. O ex-prefeito volta a Santa Catarina no final do ano. Em havendo a eleição extemporânea, ela deve ocorrer somente no começo de 2024 ou até mesmo em meados do próximo ano. O que possibilitaria a participação de Gean Loureiro.
Segundo colocado
O ex-governador Raimundo Colombo, que já foi senador e ficou em segundo lugar no pleito do ano passado, perdendo justamente para Jorge Seif, certamente disputaria nova eleição, se ela realmente se concretizar.
Ex-governador
Outro ex-governador, Moisés da Silva, hoje presidente estadual do Republicanos, também não pode ser descartado como possível candidato.
Gelson Merisio - Foto: Eduardo Guedes de Oliveira/Agência AL/Arquivo Gelson Merisio foi candidato ao governo pelo PSD em 2018, quando chegou ao segundo turno contra Moisés da Silva. Acabou derrotado pela onda Bolsonaro. Depois disso, o ex-deputado teve uma rápida passagem pelo PSDB.
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Sem ambiente no ninho, Merisio entendeu-se com Décio Lima, do PT. Aproximação que o levou ao Solidariedade, mais um dos tantos partidos canhotos-satélites dos petistas.
Décio convidou o ex-pessedista para compor a chapa majoritária, mas ele abriu mão em favor de Dário Berger, que disputou o Senado pelo PSB. Merisio ficou na articulação da frente esquerdista em Santa Catarina.
Nos bastidores, figuras proeminentes da política estadual creditam boa parte do sucesso canhoto em 2022, quando, pela primeira vez na história, o PT chegou ao round final do pleito estadual, ao trabalho silencioso do ex-presidente da Alesc.
A coluna concorda. Mas não se pode esquecer, também, o fato de que houve uma profusão de candidaturas de centro-direita, o que diluiu os votos. Tivemos, além do vencedor, Jorginho Mello, Moisés buscando a reeleição, Esperidião Amin, Gean Loureiro e Odair Tramontin.
Pelo caminho
Depois do retorno da Organização ao poder central, Merisio acabou caindo no esquecimento.
Estratégico
Registre-se, aliás, que ele está muito bem como Conselheiro da JBS. Desfruta da intimidade dos irmãos-açougueiros Batista.
Sondando
Ele propriamente não parecia fazer muita questão de ocupar cargo público na gestão petista. Mas teria feito algumas indicações que bateram na trave.
Proa
Isso mesmo antes de Décio Lima assumir o Sebrae Nacional, entidade que tem orçamento maior do que a metade dos ministérios da Esplanada.
Caminho
No vácuo, Merisio foi procurado pelo PP. O embarque dele no partido é bastante provável, o que não significa que assinará ficha no curto prazo.
Sem condicionantes
Seu ingresso no Progressistas também não implicaria, necessariamente, no aproveitamento do ex-deputado em uma composição majoritária em 2026. Não há condicionamentos nessa direção. Até porque, como costuma dizer o próprio Esperidião Amin, Merisio é um "formulador político".
Cavalo de pau
O PP busca se reforçar. É do jogo, naturalmente. O que não é nada natural é o fato de o político ter sido candidato a governador em 2018 por um partido de centro-direita (PSD). Depois, registrou uma passagem relâmpago pelo PSDB, de onde migrou à esquerda clássica, filiando-se ao Solidariedade.
Biruta de aeroporto
Se confirmar sua filiação ao PP, Gelson Merisio estará saindo da esquerda diretamente para a direita, onde hoje situa-se o PP. Bota convicção ideológica nisso.
Articulação
Com Merisio, o PP aposta que poderá se reforçar, aumentando o número de prefeitos e vereadores a serem eleitos em 2024.
Outros 500
Em 2026, pelo andar da carruagem, não será surpresa se o PP estiver com Jorginho Mello. O partido não tem nomes naturais para encabeçar chapa. Joares Ponticelli ensaiava um voo nessa direção, mas foi alvejado pela Operação Mensageiro.
Avaliando
O senador Esperidião Amin não descarta nova candidatura à Câmara Alta. Mesmo que isso ocorra, o seu projeto e o do governador não seriam conflitantes. Líderes do PP estão convencidos de que se Jorginho Mello fizer uma boa administração, ele será o grande favorito à reeleição.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.