Jorginho Mello embarcou para Portugal embalado, fortalecido com o evento internacional do conservadorismo, abrilhantado por várias lideranças latino-americanas, com destaque para o presidente da Argentina, Javier Milei, e também o ex-presidente Jair Bolsonaro. O governador deitou e rolou.
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Até presenciou algo curioso. O PSD, que é o partido que nos bastidores faz oposição ao seu governo em Santa Catarina, muito mais do que o PT - por incrível que possa parecer. Os pessedistas acabaram empurrando vários candidatos ao Expocentro de BC para tentar pegar uma carona na popularidade de Jair Bolsonaro. A iniciativa bateu na trave.
Bolsonaro só fotografou, gravou e circulou com nomes liberais. A turma do PSD, contudo, como uma forma de consolação, acabou fazendo alguns flashes com dois dos filhos do presidente, Jair Renan, que vai ser candidato à Câmara de Vereadores; e o deputado federal por São Paulo, candidato ao Senado em 2026, Eduardo Bolsonaro, responsável pelo evento.
Manda Brasa
Na sequência, o chefe do Executivo estadual retornou a Florianópolis, e entregou o governo a quem? O deputado Mauro Nadal, presidente da Assembleia, emedebista de cruz na testa. Jorginho acabou escalando a sua vice para um compromisso internacional, no Uruguai, para entregar a administração estadual, mesmo que por apenas uma semana, a Mauro Nadal.
Entrelinhas
Uma clara sinalização de Jorginho Melo que deseja ter o MDB no projeto de reeleição daqui a dois anos. Além, evidentemente, de toda uma estratégia que passa pela divisão do mandato do futuro presidente na Assembleia Legislativa na sucessão de Mauro Nadal. A ideia é um ano para um emedebista e outro ano para um liberal.
Proa
O PL, nunca é demais lembrar, é pilotado no estado pelo próprio Jorginho. Agora, além do MDB, Jorginho Melo atua fortemente para ampliar o seu arco de alianças partidárias.
Guarda-chuva
O Republicanos, já está com o deputado federal Jorge Goetten, e Juca Mello, irmão do governador, de primeiro vice-presidente. Em relação ao Podemos, a conversação já foi deflagrada. A sigla inevitavelmente também virá para o controle de Jorginho Mello.
Fortalecimento
Até porque a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, deseja um deputado federal por Santa Catarina. Esse nome tem tudo para ser o do deputado estadual Lucas Neves, ocupando espaço de Carmen Zanotto na Câmara Federal. Isso porque ela é favorita na corrida pela Prefeitura de Lages.
Composição
O Podemos deve indicar o vice de Carmen e ainda fica com espaço dela para 2026, com Neves trocando a Assembleia pela Câmara.
Quarteto
Além desses dois, e do MDB, que está encaminhado, com cinco posições no governo, com destaque para a poderosíssima Secretaria de Infraestrutura, hoje pilotada pelo deputado estadual licenciado Jerry Comper. Além do MDB, do Podemos e do Republicanos, o PRD, Partido da Renovação Democrática, resultado da fusão do Patriota com o PTB. Também já está no guarda-chuva do governador.
Laços
Não se pode descartar, ainda, o União Brasil, mais ali adiante, dentro desse arco que está sendo muito bem construído pelo governador catarinense. Até pela proximidade com Ronaldo Caiado.
Centrão
O União Brasil, é de conhecimento público, é um partido essencialmente fisiologista. Nasceu da fusão entre o PSL, que elegeu Jair Bolsonaro presidente da República em 2018, com o Democratas. Por fim, ainda tem o Novo. Trata-se do partido do prefeito Adriano Silva, de Joinville, que tem tudo para se reeleger e que poderia vir a ser uma alternativa ao governo do Estado.
Distância
Ocorre que Romeu Zema, governador de Minas, e a principal estrela do partido, nunca esteve tão próximo da família Bolsonaro. Na Câmara, a principal liderança do Novo concentra-se na figura do deputado Marcel Van Hattem, gaúcho, que deve concorrer ao Senado pelo Rio Grande do Sul. Muito provavelmente, apoiado pelo PL.
Chapa
No estado vizinho, PL e Novo podem fazer uma dobradinha de candidaturas ao Senado. Isso porque a prioridade é eleger uma maioria segura no Senado. Na Câmara, a coisa já está mais ou menos sob o controle da oposição. A tendência é preservá-la, ainda mais dentro do desastre administrativo que é o desgoverno Lula da Silva.
Locomotiva
E ainda tem a situação de São Paulo, estado pelo qual Eduardo Bolsonaro vai concorrer ao Senado. O filho 02 de Jair disputará pelo PL. Adivinhem qual é o outro candidato? Será indicado pelo Novo, partido ao qual acabou de se filiar o deputado federal Ricardo Salles. Ele estava no PL e migrou para o Novo. Foi ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro. Segue fiel ao ex-presidente.
Proximidade
Ou seja, teremos dobradinha do PL com o Novo em dois estados com enorme força econômica e tradição política.
Isolamento
Nessa toada, daqui a pouco Romeu Zema vira vice numa chapa do PL. E a candidatura eventual de Adriano ao governo do Estado? O Novo, que hoje recebe o apoio do PSD na disputa eleitoral em Joinville, pode terminar entrando na órbita PL. Ou seja, sobram o PSD isolado numa extremidade e o PT com as demais siglas à esquerda, na outra ponta.
Desde quinta-feira, 04 de juho, pela manhã, o governo Jorginho Mello tem mais um integrante no colegiado.
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Trata-se do ex-deputado Paulo Bornhausen, que assumiu a Secretaria da Articulação Internacional e Projetos Especiais. Assumiu já com missão determinada. Fim de semana, o novo titular do colegiado tem rodada de negociações com o presidente Javier Milei, da Argentina.
No domingo, Paulinho acompanha o governador rumo a Portugal. Emblemática a presença do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), no ato de posse de Bornhausen. Sinalizou claramente que está alinhado à nomeação e aos encaminhamentos de Jorginho Mello.
Jorginho pilota o PL em Santa Catarina. Paulinho Bornhausen licenciou-se do PSD, a pedido do partido, para que fique claro que ele ingressa no governo por uma decisão pessoal e não por deliberação partidária. Só que Topázio Silveira Neto é candidato à reeleição pelo PSD.
Papai Noel
Pelo visto, apenas os dirigentes do PSD é que ainda acreditam que Topázio terá vida longa na trincheira pessedista. Durante a posse, Jorginho Mello cumprimentou Paulinho Bornhausen, colocando o broche com a bandeira de Santa Catarina na lapela do novo colaborador.
Sinalização
O que representa esse cumprimento? Apenas uma missão administrativa de Paulinho Bornhausen, que, aliás, é um quadro qualificado, preparado, e será muito útil ao governo Jorginho Mello? Não.
Parceiros
Isso, evidentemente, pode representar um compromisso político, compromisso de caminhada conjunta com vistas à reeleição de Jorginho Mello em 2026 e, quem sabe, até numa candidatura do próprio Paulinho às eleições de daqui a dois anos e três meses.
Linhagem
Aliás, Paulinho Bornhausen não é o único filho de ex-governador na equipe do governador.
JPK
João Paulo Kleinübing, até há bem pouco tempo era presidente do BRDE por indicação de Jorginho. Nesta semana, JPK assumiu a diretoria financeira do banco. Ele é filho de Vilson Pedro Kleinübing.
Repeteco
O script da chegada de Bornhausen ao governo lembra a investidura de Ricardo Guidi, que assumiu, no ano passado, a Secretaria do Meio Ambiente, quando ainda era filiado ao PSD. Hoje, Guidi está no PL para disputar a prefeitura de Criciúma. Lá atrás, ele também se licenciou do partido para assumir uma pasta de primeiro escalão. Ou seja, Paulinho é o segundo que se licencia da legenda e deixa o PSD em situação delicada.
Pelas beiradas
Jorginho, muito astuto, vai trazendo nomes importantes e vai esvaziando, vai enfraquecendo o PSD em Santa Catarina.
Combo
Nunca é demais lembrar que Paulinho Bornhausen é filho do ex-governador, ex-senador e ex-ministro Jorge Konder Bornhausen. Seguramente, com Paulinho aliado a Jorginho Mello, o próprio JKB ficará em dificuldade de não estar nesse projeto.
Evidente
Isso é uma questão mais ou menos óbvia. Aliás, a família Bornhausen que já integrou também outro governo, o de Paulo Afonso Vieira, quando a filha, Fernanda Bornhausen, fez parte do colegiado do emedebista.
Sem dificuldades
Também é de bom alvitre rememorar, nessa conjuntura, que Jorge Bornhausen já foi aliado do falecido Luiz Henrique da Silveira e de Eduardo Moreira, que, assim como Paulo Afonso, foram lideranças do MDB catarinense no seu auge.
Tease
Ou seja, novidades à vista para 2026. Figuras que poderiam estar contra Jorginho Mello, não dá para duvidar, poderão estar se firmando no projeto de reeleição do governador.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.