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Educação na berlinda

Por Cláudio Prisco Paraíso
24/04/2025 - 13h40

Cada governador tem o seu próprio estilo. Governa de acordo com a sua característica. O colunista tem acompanhado a rotina deles desde 1979, com a investidura, em 15 de março, de Jorge Konder Bornhausen, que foi o último a ser indicado pelos governos militares.

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O nome dele mereceu a aprovação pela Assembleia Legislativa, com eleição indireta. Vale lembrar que alguns governadores faziam reformas anuais no seu secretariado. Ou a cada dois anos, ou, ainda, eventualmente, minirreformas no colegiado, mas claramente houve mandatários que não gostavam de mexer no primeiro escalão.

Diferentemente do que acompanhamos hoje em relação a Jorginho Mello. É um líder desassossegado que, a todo momento, modifica seus integrantes do primeiro escalão.

Já no primeiro ano de sua gestão, Jorginho fez modificações. E agora, no final do ano passado, e no início desse, também fez uma bela reformulação e já está avaliando a possibilidade de mexer novamente na estrutura governamental.

Amigos

A bola da vez converge para a Secretaria da Educação, cujo titular é um amigo de longa data do governador. Com origem no Meio Oeste. É o professor Aristides Cimadon, a quem coube implementar o programa Universidade Gratuita. Ele teve, inclusive, o seu nome lembrado, na metade do governo Bolsonaro, para o Ministério da Educação.

Ministério

Na oportunidade, o então senador Jorginho Mello o levou a Brasília para uma conversa com o inquilino do Palácio do Planalto. O nome de Cimadon foi considerado. Mas, no fim das contas, Bolsonaro fez uma escolha em outra frente.

Carmen e Cimadon

Quando Jorginho Mello se elegeu, dois nomes surgiram como naturais para compor o secretariado. O da deputada federal reeleita pelo Cidadania, Carmen Zanotto, para a Saúde, e o próprio Cimadon para a Educação.

Desgaste

Ocorre que desde o segundo semestre do ano passado, se fala na possibilidade de ele deixar o governo.

Sucessão

Além de reitor da Unoesc, Cimadon também presidia a Acafe. Com sua a sua chegada ao governo do Estado, como secretário da Educação, ele foi sucedido pela reitora da UNESC, de Criciúma, Luciane Ceretta.

Estrutura

Dito isso, parece que Jorginho Mello não anda muito satisfeito com o ritmo das obras na Educação.

Programa

Insatisfação que nada teria a ver com o programa Universidade Gratuita e outros programas em curso, mas é mais naquela direção do dia-a-dia, da infraestrutura educacional, das obras de reforma, de ampliação das escolas e tudo mais.

Olhando para 2026

Isso poderia estar provocando desgaste a Cimadon, também porque Jorginho Mello é candidatíssimo à reeleição.

Ela

Por isso, o nome especulado para o lugar de Cimadom é justamente o de Luciane Ceretta. Tanto ela quanto o próprio governador negam qualquer mudança, mas tudo leva a crer que poderemos chegar ao final do mês de abril com mudanças na Educação, com o governador focado na sua recondução e na necessidade de consolidar a posição no setor educacional.

O Supremo

Por Cláudio Prisco Paraíso
23/04/2025 - 09h58

O Supremo Tribunal Federal tem mais sorte do que juízo. Estava emparedado, encurralado, que nem rato em guampa.

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Sim, porque as suas duas principais estrelas conseguiram a façanha de merecer disparos da mídia internacional, não apenas dos Estados Unidos, mas também da comunidade europeia: Alexandre de Moraes e Luiz Roberto Barroso.

O falecimento do Papa Francisco serviu para tirar da pauta essa polêmica envolvendo os dois magistrados brasileiros.

Até porque lá no exterior, não existe a blindagem que prevalece no Brasil em 80% dos veículos de comunicação. Primeiro foi Alexandre de Moraes. Ele, sempre ele.

Veja, por conta da negativa do Supremo Tribunal Federal da Espanha em extraditar o blogueiro Eustáquio, bolsonarista de longa data, mas que não cometeu nenhum crime, Moraes resolveu retaliar.

Ou seja, o crime de opinião só existe no Brasil. E aí, como jornalista questiona o Supremo, Alexandre de Moraes, que se julga o todo-poderoso e tem exercido o papel de déspota em meio a uma tirania absoluta, resolveu extraditar o cidadão para fazer o que já havia feito anteriormente: prendê-lo.

Censura

Ou seja, liberdade de expressão zero. Censura? Sim. Só se pode falar o que o STF entende que é passível e assimilável. Simples assim.

Liberdade

Como a Suprema Corte Espanhola disse, não, porque lá tem liberdade de expressão, lá não tem censura, como também não tem crime de opinião, aí, numa outra situação completamente diferente, Alexandre de Moraes se utiliza da reciprocidade para negar a extradição de um búlgaro solicitada pelo governo espanhol. O bandido foi flagrado e preso com 52 malas de cocaína.

Piorando

E o pior, deu a possibilidade de prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Evidentemente que esse cidadão, se ainda não fugiu, o fará. Agora, como fazer um paralelo, um cotejamento, entre um blogueiro que tem feito críticas ao Supremo, com um criminoso e traficante internacional?

Paulada

Evidentemente que levou pau à torta e à direita. Está desmoralizado no Brasil e está envergonhando o país no exterior. E ninguém diz nada.

Covardes

E fica por isso mesmo: um Congresso acovardado, uma mídia chapa branca e os colegas do Supremo disciplinados, quietinhos. Não bastasse isso, a vedete maior, Luiz Roberto Barroso, o Barrosinho, que resolveu contestar uma reportagem do The Economist, que é a revista mundial mais respeitada, admirada e reconhecida no planeta, que questionou duramente o excesso de atribuições de Alexandre de Moraes, que vive exorbitando, que vive avançando o sinal e que mais parece o presidente brasileiro, não tendo recebido sequer um voto.

Cara de pau

E vem Luiz Roberto Barroso defender a instituição com uma carta em que ele próprio nega uma declaração que fez, quando disse em um encontro da UNE que “derrotamos o bolsonarismo”.

Canhoto

Ele negou que tinha declarado isso. Só que tem vídeos aí, à torta e à direita, que agora estão sendo reproduzidos em profusão. E fica por isso mesmo.

Mostra tua cara

Então, definitivamente, ou o Brasil acorda, ou o Congresso reage, ou, inapelavelmente, estamos caminhando para algo que tem tudo para não dar certo. Porque mais dia, menos dia, a reação virá. E quando vier, aí, efetivamente, será de grandes proporções, com consequências imprevisíveis.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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