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Bolsonaro na berlinda

Por Cláudio Prisco Paraíso
10/06/2025 - 08h40

A semana começa com o julgamento de Jair Bolsonaro e de outros personagens arrolados no fantasioso “golpe de Estado” de 8 de janeiro.

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Provavelmente, entre quarta e quinta-feira, teremos a oportunidade de ver Jair Bolsonaro, inquirido por Alexandre de Moraes, se manifestar e se posicionar.

Agora, aproveitando o gancho do julgamento do ex-presidente, já registramos aqui que, desde sua derrota para Lula da Silva, ele vem batendo na tecla da importância da eleição ao Senado.
Sob essa ótica, Bolsonaro tem percorrido o país e mapeado os candidatos em praticamente todos os estados da federação.

Em Santa Catarina, não seria diferente. Até porque, nas últimas duas eleições, o estado proporcionou votações espetaculares para o ex-presidente. Considerando os principais colégios eleitorais do país, o resultado mais avassalador a seu favor, tanto na vitória de 2018 quanto na derrota nacional de 2022, foi aqui.

Proximidade

Agora, transpira que Jorginho Mello, que esteve na semana passada em Brasília, conversou com Jair Bolsonaro, e ficou estabelecido que cada um indicaria um candidato ao Senado.

Fortíssima

O nome de Jorginho Mello, todos já sabem. Ele declarou, mais de uma vez, sua preferência pela recordista de votos na eleição proporcional: a deputada federal Carol De Toni, do PL.

Há, contudo, um porém. O governador imaginava ter autonomia para usar a outra vaga ao Senado — assim como fará em relação ao candidato a vice-governador — para compor com os vários partidos que estão orbitando seu projeto de reeleição.

Governistas

Inclusive dois desses partidos que já integram seu governo: PP e MDB, tradicionais adversários na política catarinense ao longo dos últimos 40 anos.

Importação

Só que Jair Bolsonaro sinalizou que deseja lançar o 02, o vereador carioca Carlos Bolsonaro, como candidato ao Senado — aqui em Santa Catarina.

Restrição

Isso restringe a margem de manobra do governador, mas, evidentemente, Jorginho não teria como apresentar objeção.

Cabo eleitoral

Primeiro, porque Carlos é filho do ex-presidente. Segundo, porque Jair Bolsonaro é o grande eleitor de Santa Catarina. É, de fato, o maior cabo eleitoral do Brasil — mas especialmente entre os catarinenses.

Colados

Naturalmente, vem à mente do atual governador que a presença de Carlos Bolsonaro pode reforçar ainda mais seu vínculo com o ex-presidente, consolidando o apoio de Bolsonaro à sua reeleição.

Partidos

Mas, por outro lado, essa imposição pode empurrar a Federação União Progressista — que reúne PP e União Brasil — para os braços de João Rodrigues, o pré-candidato do PSD ao governo do estado.

Figura histórica

Até porque Esperidião Amin estará sendo preterido. Nessa condição, PP e União Brasil podem se reorganizar e manter de pé a pré-candidatura de João Rodrigues — que, no momento, “está batendo pino”.

Fatiado

Nem mesmo o PSD está todo com ele. Rodrigues não tem outro partido formalmente em sua coligação. Assim, a federação seria sua salvação.
Na última quinta-feira, em Criciúma, ele repetiu o formato do evento de 22 de março, em Chapecó.

Evento caseiro

Foi um evento praticamente só com pessedistas.
Houve quem considerasse importante a presença no palco de nomes como o ex-governador Eduardo Moreira e o suplente de deputado federal Luiz Fernando Cardoso, o Vampiro. Mas Eduardo Moreira já não tem votos nem para vereador.

Migrando

Vampiro ainda mantém alguma base eleitoral, e sua presença se justificaria pela possível filiação ao PSD.
Geovania de Sá (PSDB) esteve presente, por ser de Criciúma. Mas, dependendo do que o PSDB decidir adiante, ela terá que seguir.

Federação

Provavelmente, será formalizada a federação entre PSDB e Podemos, já aprovada pelos tucanos. O Podemos, hoje, está alinhado com Jorginho Mello.

Esquerda

A cúpula do PSD também celebrou a presença de Rodrigo Minotto, do PDT, que é de Criciúma.
Mas o PDT, lá na frente, estará com a esquerda.

Rebeldes

Subiram ao palco os deputados do União Progressista: Serginho Guimarães, do União Brasil (opositor do governo na Alesc), e Pepe Colaço, do PP.
Guimarães é de Palhoça, a caminho do Sul do estado. Pepe é de Tubarão.

Capital

Já no campo do PSD, é notável que Topázio Silveira Neto não compareceu. Raimundo Colombo também não.
Assim como diversos prefeitos — quantos, exatamente? Nada foi divulgado.

Viabilidade

Ou seja, essa articulação nacional de Jair Bolsonaro pode até fortalecer eleitoralmente a caminhada de Jorginho Mello, mas, indiscutivelmente, também pode viabilizar a pré-candidatura de João Rodrigues.

Porque, sozinho com o PSD, ele teria o mesmo destino que teve Gean Loureiro em 2022: uma candidatura pesada, cara e fracassada.

Ladeira abaixo e acelerando

Por Cláudio Prisco Paraíso
07/06/2025 - 09h38

O governo Lula da Silva está derretendo — literalmente perdendo consistência no contexto da aprovação da sociedade brasileira. Senão, vejamos: em junho de 2023, ele tinha uma aprovação de 60%. Transcorridos dois anos, a aprovação despencou para 40%, ou seja, perdeu 20 pontos percentuais.

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E a reprovação está em 57%. Algo absolutamente preocupante para o PT e para o Palácio do Planalto.

A situação é de tal maneira grave, sob os aspectos político, partidário e eleitoral, que praticamente temos um empate cravado entre os brasileiros que percebem até dois salários mínimos — tradicional reduto eleitoral do lulismo e do petismo — que fomentam a pobreza para ter eleitores dependendo dos programas sociais do governo, financiado por impostos pagos pelos demais cidadãos.

A aprovação é de 50%, com uma desaprovação de 49%. Vejam só. E aí, a perda foi de 19 pontos percentuais também nesse período de 24 meses.

Personificou

Ou seja, a rejeição ao governo Lula acabou transformando-se também na rejeição ao político, ao presidente e ao candidato Lula — que está no palanque ininterruptamente desde 1979.

Até então, ele conseguia escapar: sua intenção de voto sempre era muito superior à aprovação do seu próprio governo.

Deu

Não faz muito, ele conseguia se desvincular. Mas isso não é mais possível.

E não é apenas isso. A reprovação também cresceu assustadoramente no Sudeste — que tem quatro estados, dos quais três com os maiores colégios eleitorais do país. Pela ordem: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

No Sudeste, chegou a 64% a reprovação. Pela primeira vez, a região suplantou o Sul, onde a deidade vermelha tem 63% contra ele.

Reflexos

Evidentemente, é um contexto que acaba se traduzindo também na intenção de voto para a disputa presidencial de 2026.

Quinteto

Na pesquisa Quaest, de abril, Lula da Silva, no segundo turno, só empatava com Jair Bolsonaro. Em relação aos demais candidatos, nadava de braçadas.

Só que, em questão de menos de 40 dias, outras quatro candidaturas estão empatadas, dentro da margem técnica de erro, com o atual ocupante do Palácio do Planalto.

Embolou

São elas, pela ordem de aproximação de Lula da Silva: Tarcísio de Freitas, Michelle Bolsonaro, Ratinho Júnior e até Eduardo Leite — que se transferiu agora para o PSD e foi colocado na pesquisa pela primeira vez.

O gaúcho agora reapresenta sua pretensão de concorrer à Presidência da República.

Cerco

Só ficam fora da margem de erro: Ronaldo Caiado e Romeu Zema — mas, ainda assim, com uma distância não tão substantiva, de modo que o quadro é amplamente desfavorável para Lula, PT, governo e esquerda.

Esgotou

Agora, a pesquisa também demonstra o seguinte: com Jair Bolsonaro inelegível, a alternativa familiar seria Eduardo Bolsonaro, que buscou o autoexílio nos Estados Unidos.

Só que ele já está há meses sendo testado nas pesquisas e não demonstra musculatura para uma empreitada dessa envergadura.
Convenhamos: ele não tem tamanho para isso neste momento. Seria um despropósito familiar.

Rejeição

Eduardo está travado. Aliás, sua rejeição é de 57%, e sua intenção de voto num segundo turno com Lula é a que apresenta a pior situação.

Ou seja, o Brasil está cansando da polarização.

Não quer mais saber nem de Lula, nem da família Bolsonaro.

O eleitor deseja apostar numa solução de candidatura alternativa da direita e entre os conservadores — mas fora do espectro Bolsonaro e mais longe ainda de uma ameaça de recandidatura de Lula da Silva.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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