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João Rodrigues, pré-candidato ao governo do Estado

Por Cláudio Prisco Paraíso
25/03/2025 - 08h30

O evento em Chapecó, sábado, consumou essa pretensão eleitoral. Um momento que teve uma estrela nacional, o governador reeleito do estado vizinho do Paraná, Ratinho Júnior, que é o nome do PSD à Presidência da República.

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Outro nome, outro expoente presente, embora politicamente aposentado, mas que fez história não apenas em Santa Catarina, como no Brasil, foi o ex-governador e ex-senador Jorge Konder Bornahusen. JKB lá estava e conseguiu arrancar, também, uma manifestação daquele que foi seu afilhado político, Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, que se manifestou a favor de João Rodrigues como nome ao governo do estado.

Agora, ao mesmo tempo, o curioso é que tinha um telão que abrilhantava e ilustrava o palco, onde, além de Ratinho, outros presidenciáveis como Romeu Zema, do Novo; Ronaldo Caiado, do União Brasil; Tarcísio de Freitas, do Republicanos e também Jair Bolsonaro, que mereceu uma menção de João Rodrigues no seu discurso.

Dúvida

Então, não ficou muito claro. Afinal, com quem está João Rodrigues? Se com um Bolsonaro, hoje inelegível, ou com Ratinho, que é pouco provável que concorra à presidência da República?

Siglas

De representação partidária, o União Brasil, com a figura do seu presidente, deputado federal Fábio Schiochet; um deputado estadual; e a do ex-prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro. Foram as três principais lideranças a marcarem presença. Mas, detalhe: outros dois deputados estaduais do União ignoraram olimpicamente o evento.

Ausências

Vamos para o Partido Novo. Nenhum dos três detentores de mandato se deslocou a Chapecó. Adriano Silva, prefeito reeleito de Joinville, o deputado federal, também reeleito, Gilson Marques, e o estadual Matheus Cadorin.

Solo

Lá esteve, mas não representando o Novo, Odair Tramontin que, nas últimas três disputas eleitorais, foi derrotado. Em 2020 e 2024, à Prefeitura de Blumenau e, no meio, em 2022, ao Governo do Estado.

Solo II

E do PP? A sigla esteve representada apenas por Altair Silva, que é deputado estadual, tendo como base Chapecó. Era previsível que lá estivesse. Silva declarou que os outros dois deputados também estão com João Rodrigues. Estamos falando de Zé Milton e Pepê Collaço, ambos do Sul do estado. Se estivessem no projeto de João Rodrigues, estariam, evidentemente, em Chapecó.

Números

Então, entre os 40 deputados estaduais, apenas cinco compareceram ao evento rodriguiano. Além de Altair e do representante do União, marcaram presença os três do PSD: Júlio Garcia, Mário Motta e Napoleão Bernardes.

Dupla

Dentre os 16 federais, apenas dois apareceram na foto. Fábio Schiochet, do UB, e o único do PSD, Ismael dos Santos.

Não foram

Se olharmos para o trio de senadores por SC, nenhum deles apareceu. Esperidião Amin, que sempre marcou presença nos aniversários de João Rodrigues, desta vez não deu o ar da graça. Então, veja que a representação do Novo, a do PP e também a do MDB deixou muito a desejar. Do MDB, aliás, nenhum deputado estadual nem federal.

Por fora

São seis emedebistas na Assembleia e três na Câmara, além da senadora Ivete Appel da Silveira. Por parte do Manda Brasa, compareceram lideranças que hoje não têm voto. O ex-governador Eduardo Moreira e os ex-deputados Moacir Sopelsa e Ada de Lucca. E o Podemos, com a deputada Paulinha Silva e o seu marido, já filiado ao PSD; e o prefeito de Bombinhas, eleito por ambos. Dos três deputados estaduais do Podemos, Camilo Martins e Lucas Neves não foram ao Oeste.

Lacunas

Fora isso, o lançamento da pré-candidatura deixou a desejar, indiscutivelmente. Outro aspecto que chamou a atenção. Em momento algum, houve a divulgação de quantos prefeitos lá estavam. Lembrando que Santa Catarina tem 295 municípios.

Incógnita

E aí? Foram 20, 30, 40, 50? Se tivesse sido um número representativo, certamente os pessedistas teriam divulgado. O principal prefeito do PSD, Topázio Silveira Neto (Florianópolis), que também preside a FECAM, a Federação Catarinense dos Municípios, já tinha sinalizado que não iria. Está fechado com o projeto Jorginho Mello. Raimundo Colombo, correligionário, ex-governador de dois mandatos e ex-senador, também não foi.

Pavans

Leonel Pavan, prefeito de Camboriú, ex-prefeito de Balneário Camboriú, cidade hoje administrada pela filha, não foi. Juliana Pavan foi a Chapecó. Muita água ainda vai passar por baixo da ponte, mas a largada de João Rodrigues, definitivamente, não foi das melhores.

Jorginho x João

Por Cláudio Prisco Paraíso
22/03/2025 - 08h22

A estratégia do governador Jorginho Mello de transferir a administração estadual, quinta e sexta-feira desta semana, para Chapecó, deu uma desestabilizada em João Rodrigues, que perdeu o prumo. 

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Ao chegar no evento, já de forma tardia, percebeu a presença dos outros dezenove prefeitos da Amosc. Sentou no fundo, onde foi abordado pelo secretário-chefe da Casa Civil, Kennedy Nunes, ex-deputado, que o convidou para marcar presença na primeira fila, ao lado do governador. O pessedista ali ficou por trinta minutos.

Parecia meio desconfortável. O prefeito usou da palavra, apresentou uma série de questionamentos, de situações que não vinham merecendo a atenção do governo do estado e, quando Jorginho Mello subiu ao palco para discursar, João Rodrigues bateu em retirada. 

Lacuna

Depois, ordens de serviços foram assinadas por vários prefeitos e na hora em que Chapecó seria contemplada, na Saúde, atendendo, também, o Hospital Regional do Oeste; a Infraestrutura; o Saneamento, via Casan; reformulação e ampliação do pavilhão da EFAPI e por aí vai, não havia ninguém da prefeitura de Chapecó para assinar. Isso criou um mal-estar, um constrangimento.

Não colou

Na própria quinta-feira, o prefeito tentou se justificar, dizendo que tinha voltado para a prefeitura porque tinha outras atividades. 

Esvaziou?

Desculpa esfarrapada, essa é a grande verdade. Explica-se. Como o evento de lançamento da sua pré-candidatura está marcado para esse sábado em Chapecó, o governador, com essa movimentação, acabou, de alguma forma, esvaziando o evento do próprio João Rodrigues. 

Representatividade

Prefeitos que se deslocaram pra Chapecó na quinta-feira provavelmente não vão retornar no sábado. Claro que João Rodrigues vai conseguir reunir um público expressivo, numericamente falando, mas, de qualquer maneira, a questão é sobre a representatividade.

Expectativa

Teremos grande número de prefeitos, deputados estaduais, federais, lideranças de outros partidos? A conferir! Parece que isso perturbou o prefeito de Chapecó, ainda mais que, na estratégia adotada pelo governador, ele recebe individualmente cada prefeito para tratar das questões do próprio município junto à administração estadual. 

Olhos no Oeste

De modo que vamos observar como vai transcorrer à mobilização do prefeito. Agora, chama a atenção como João Rodrigues precipitou o processo sucessório, já se colocando como pré-candidato sem ter completado o terceiro mês do seu segundo mandato, reeleito que foi em outubro do ano passado em Chapecó. 

Ação e reação

Nesse cenário, o governador também se viu na obrigação de se movimentar de olho na recondução em 2026. Então, ao precipitar a disputa sucessória, ele está enfrentando o próprio governador, que tem a máquina e que administra hoje o maior número de prefeituras catarinenses. 

Radar

Se não bastasse isso, ele ainda vai colocar no seu palanque de lançamento de pré-candidatura o presidenciável Ratinho Júnior, governador do estado vizinho do Paraná, que nunca foi citado por Jair Bolsonaro como opção para a sucessão de Lula da Silva. 

Nominata

Ultimamente, além da mulher e de dois filhos, Flávio e Eduardo, e do próprio Tarcísio de Freitas, que foi seu ministro e é governador de São Paulo, Bolsonaro chegou a citar Ronaldo Caiado, de Goiás, e o próprio Romeu Zema, de Minas Gerais. Mas nenhuma palavra sobre Ratinho. A incógnita é qual será a reação dele, Jair Bolsonaro, quando tomar conhecimento de que João Rodrigues recorreu a Ratinho Júnior.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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