Foguete Falcon 9 da SpaceX vai colidir com a Lua

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Falar que há um foguete descontrolado parece Djavú. Mas é isso mesmo. Atualmente, há mais um resto de foguete descontrolado que vai cair. Desta vez estamos falando de um Falcon 9 da SpaceX. E o destino? Face oculta da Lua. Data? 04 de março de 2022. Ou seja, vai acontecer mas não veremos. 

Alguns poderão dizer que é o fim dos tempos. E por analogia, outros poderão entrar em desespero. 

Mas a verdade é que com tantos restos de foguetes em órbita desde o primeiro lançamento do satélite Sputnik-1 em 1957, além de satélites desativados, é impossível mantê-los todos em órbita sem que algum resolva “cair”. Usando o termo técnico adequado, reentrar na atmosfera. Ou mesmo se chocar com a Lua como é o caso. E em alguns casos, ganhar energia suficiente ao passar pela terra ou lua e ser lançado em direção do Sol. 

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Falcon 9 vai atingir a Lua

No passado a Lua já foi alvo de outros impactos propositais. Especialmente de sondas que tiveram o objetivo de estudar nosso satélite natural. Mas até onde se sabe, este será o primeiro impacto não intencionado de lixo espacial.

Será o estágio superior de um Foguete Falcon 9 da Space X que lançou em Fevereiro de 2015 o Deep Space Climate Observatory no espaço. O DSCOVR mantém os recursos de monitoramento do vento solar em tempo real que são críticos para a precisão e o tempo de espera dos alertas e previsões do clima espacial da NOAA. Este satélite de monitoramento está “ancorado” no chamado ponto de Lagrange 1 que fica entre o Sol e a Terra. Como pode ser observado na ilustração da própria NASA: 

 

Fonte: https://solarsystem.nasa.gov/missions/DSCOVR/in-depth/ (NASA)

 

Voltando para o foguete “descontrolado”. Este detrito que está no espaço desde 2015, fez um sobrevoo próximo da lua em 5 de janeiro de 2022. E com base nos dados coletados nesta passagem, os cientistas puderam identificar sua órbita e determinar o local do impacto. Será na cratera Hertzsprung. A Data estimada é de 4 de março aproximadamente às 12:25 UTC (9:25 hora de Brasília). E embora a velocidade de impacto vai estar na casa dos 9.300 km/h (2,58 km/s), os efeitos esperado serão mínimos. Não devem passar de uma pequena e nova cratera. Isto porque, o corpo do foguete tem uma massa aproximada de apenas 4 toneladas. 

 

Fonte:

 

Foguete Abandonado 

Neste ponto você pode estar se perguntando. Mas porque este corpo de quase 4 toneladas de um foguete Falcon 9 estava orbitando de forma caótica? Já que a maioria do lixo espacial é deixado intencionalmente em órbita controlada? Ou mesmo programado para reentrar e cair no mar?

Como explicado acima, ele foi o responsável por levar o DSCOVR até o ponto de Lagrange 1, distante aproximadamente 1 milhão de milhas da terra. Algo em trono de 1,5 milhão de quilômetros. E depois de uma viagem tão longa como esta, ele ficou literalmente sem combustível para retornar ou entrar em uma órbita controlada.

Resultado? Foi abandonado no espaço. E a menos que um corpo celeste esteja posicionado nos pontos de Lagrange, onde a velocidade angular é a mesma da terra em relação ao sol, estes objetos estarão sujeitos aos efeitos gravitacionais da Terra, Lua e do Sol. 

E assim, ficarão orbitando de forma caótica e inesperadamente, poderão entrar em rota de colisão ou mesmo reentrada em algum planeta. Como no caso a proximidade maior é da Terra e da Lua, e nestes corpos celestes que eles podem “cair”. Ou ainda, ser lançado em direção ao Sol. 

 

Cientistas estão animados com o impacto do Falcon 9

Por mais estranho que possa parecer, os cientistas estão animados com o impacto do Falcon 9 com a Lua. Isso porque, como dito, não será o primeiro a se chocar com nosso satélite natural. Inúmeras outras sondas e até mesmo foguetes já foram impulsionados contra a superfície lunar propositalmente. 

E a importância é que eventos como esse possibilitam obter dados inéditos sob diversos aspectos. Como por exemplo, o comportamento sísmico do impacto. E além disso, a onda de poeira pós impacto poderá revelar a composição do solo lunar. Informações estas muito importantes e desejadas, ainda mais quando considera-se que há a intenção da instalação de uma colônia lunar nos próximos anos. 

 

Lista de objetos artificiais na Lua

 

Perigos de uma órbita descontrolada

Embora haja os riscos reais destes restos de lançamentos, hoje considerados lixo espacial, “caírem” (reentrarem” na atmosfera terrestre), os danos potenciais são mínimos. Isto porque a maioria acaba entrando em combustão e acaba se deteriorando completamente antes de entrar em contato com a superfície. 

Um exemplo é o foguete Chinês, Long March 5bcujo destroço media 30 metros de comprimento por 5,5 de largura, e pesava mais de 21 toneladas, ao reentrar foi todo consumido em combustão. E o restante dos detritos caiu sobre o mar.  E ainda, as chances reais de algum destroço que por ventura resista a reentrada a atingir uma pessoa, é de menos do que 1 para 1 trilhão. Ou seja, é milhares de vezes mais fácil ganhar na Mega Sena do que receber um pedaço de destroço espacial na cabeça.

Contudo, há um outro risco muito maior e real. O destes detritos e lixo espacial atingir outros satélites em operação e mesmo a própria Estação Espacial Internacional. A qual frequentemente necessita fazer manobras evasivas. 

A saber, a quantidade de lixo espacial só aumenta a cada novo lançamento. Assim como ainda está em órbita restos do lançamento e também o próprio satélite Vanguard 1. Ele foi o quarto satélite lançado pelos Estados Unidos, e atualmente é o mais antigo satélite que ainda permanece orbitando a Terra. Tanto a órbita deste satélite desativado quando dos restos do seu lançamento podem ser rastreados utilizando o site stuff.in.sapce.

Seja como for, devemos começar a nos acostumar com este tipo de notícia, pois tendem a se tornar rotineiras.

 

 

Relembre a reentrada do Foguete Chines em Maio de 2021

 

Sites citados no texto

https://solarsystem.nasa.gov/missions/DSCOVR/in-depth/

https://www.nesdis.noaa.gov/current-satellite-missions/currently-flying/dscovr-deep-space-climate-observatory

http://stuffin.space/

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Fernando Pitt

Fernando Pitt

Engenheiro, Professor, Palestrante, Colunista, Blogueiro e Podcaster. Escreve todas as terças-feiras aqui no portal da Revista Única, cujos textos exploram prioritariamente as temáticas relacionadas à Educação e Tecnologia. Editor do blog: http://fernandopitt.com.br Host do Podcast classe.TECH (http://classe.tech disponível nos principais agregadores de Podcast)
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