Fotos: João Vitor Brasil

Pessoas: Histórias de um casal quase centenário

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Fazer uma retrospectiva da história pessoal e profissional de uma personalidade com quase um século de experiências parece garantia de muitas lembranças. Mas, se aprofundar nos detalhes da vida do senhor Cornélio Vieira Neves, 95 anos, é uma lição de dedicação ao desenvolvimento da cidade.

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Ao lado de sua companheira, Jacquellina Aguiar Neves, 95 anos, ele encontrou ainda mais motivação para atuar com relevância e resultados em diversas áreas. Uma jornada valiosa compartilhada com exclusividade com os leitores da Revista Única, na emblemática e antiga seção “Pessoas” – homenageia gente daqui.

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O elegante casal é um prato cheio de alegria, vivacidade e sabedoria. “Amo demais Tubarão. Tudo que se refere a esta terra querida me enche de emoção. Sempre procurei melhorar a situação que fui encontrando no decorrer de minha trajetória com o objetivo de desenvolver e aprimorar nossas questões”, explica o senhor Cornélio.

Ele veio do alto da serra – bem no topo da Serra do Rio do Rastro, onde seu pai tinha um entreposto e auxiliava na comunicação entre os municípios lá de cima e litoral. Vieram morar em um sítio em Capivari de Baixo onde começou a história profissional do então jovem Cornélio. Ele estudou no Colégio São José, e caminhava da cidade vizinha até o centro de Tubarão todos os dias para estudar. “Eu vinha pela beira-rio. E não perdia aula por nada”, ressalta.

A dedicação nas atividades de sua vida é uma marca muito forte no senhor Cornélio. Através desta força de vontade nata ele, veio trabalhar em Tubarão. Primeiramente, no Avenida Hotel, de propriedade de seu pai; pouco tempo depois, virou representante comercial.

O serviço trazia a necessidade de percorrer diversos municípios desde Florianópolis até Araranguá – em uma época em que as estradas eram bastante rústicas. “Uma vez eu precisava chegar à Tubarão vindo de Braço do Norte e queimou o meu farol. Eu amarrei uma lanterna ao para-choques do carro e consegui chegar em casa”, relembra.

Mas ele também sabia se divertir, e na primeira vez que foi no baile de domingo – que se chamava Suarê, palavra em português derivada do francês Soirée, no Clube 29 de junho, conheceu a mulher de sua vida.

“Eu atravessei o salão para falar com ela, antes da música começar a tocar. Ficavam homens de um lado e as mulheres de outro, e fui ao ao seu encontro. Ela estava com várias amigas para me apresentar”, descreve. O baile foi em 1945, também era o primeiro da senhora Jacquellina e ali começou uma história de matrimônio que perdura por 75 anos.

O namoro com a filha do primeiro dono de jornal em Tubarão 
Se o senhor Cornélio já trazia consigo a desenvoltura de se comunicar bem com as pessoas, conhecer e namorar a filha do dono do primeiro jornal de Tubarão, Manoel Aguiar, era uma boa combinação que se concretizou em uma vida de muitas alegrias. Na normalista, ele encontrou a companhia perfeita para as coisas sérias e para aventuras. O sogro Sr. Manoel Aguiar começou como tipógrafo e virou dono do jornal A Imprensa.

Eles tiveram cinco filhos, seis netos e três bisnetos. Senhor Cornélio foi convidado para trabalhar na Caixa Econômica Federal quando foi fundada em Tubarão. Ele trabalhava como vendedor em uma loja de sapatos quando recebeu o convite para ser tesoureiro da agência bancária. Ele atuou com muita competência e não se absteve de encarar outros desafios.

O piloto Cornélio
Tirou licença para pilotar pequenas aeronaves, Brevê, na escola que existia em Tubarão, em 24 de agosto de 1945. O campo de voo era onde fica atualmente o Lar da Menina. Ele também se dedicou a caça e ajudou como presidente do Clube Caça e Tiro a adquirir o terreno e construir a sede da associação. A Cidade Azul não tinha local para provas de tiro e era uma dificuldade quando tinha que ser anfitriã dos Jogos Abertos de Santa Catarina. “O prefeito era o senhor Irmoto Feuerschuette, que foi fundamental na conquista do terreno”, salienta.

A vida de empresário e líder de classes
Desta paixão pela caça, surgiu a ideia de montar a loja Caça e Pesca, em sociedade com seu irmão. “Como nós caçávamos sabíamos que era difícil encontrar na região os equipamentos e então montamos o negócio”, relata.

Sr. Cornélio também esteve à frente da Apae e como presidente realizou a compra do primeiro imóvel da entidade na Rua Rui Barbosa, onde funcionou por muitos anos. Isso por que organizou diversos bailes tradicionais com distribuição de canecos de porcelana, muito apreciados à época para arrecadar recursos para a entidade. Eram os famosos “Bailes do Chopp”, realizados no Clube Sul Catarinense, o maior da cidade neste tempo.

Ele também foi presidente do Clube 29 de junho por vários anos seguidos. Realizava bailes carnavalescos com grandes nomes nacionais como Clóvis Bornay e Evandro de Castro Lima. “O clube é uma grande paixão para nós, fomos muito felizes por lá. Gostávamos de trazer as novidades, e os bailes com as fantasias premiadas nos carnavais do Rio de Janeiro era uma das festas mais aguardadas”, comenta emocionado.

O Rotary Clube também foi fundado com o seu esforço em 1959. Ele foi presidente por vários anos deste clube e também colaborou na fundação dos demais clubes de Rotary da cidade.

De Sul à Norte de carro
Sempre muito dispostos e ativos na sociedade, Sr. Cornélio e Sra. Jacquellina, também curtiram a vida em diversas viagens pelo Brasil. Percorreram o país de sul a norte de carro duas vezes, com tempo aproximado de 30 dias de viagem. “Fomos até Belém, no Pará, e de lá pegamos um avião até Amazonas”, recorda a senhora Jacquelina.

A transformação da Caixa Econômica Federal de Capivari de Baixo
Nas três décadas em que o senhor Cornélio se dedicou à Caixa Econômica Federal, ganhou grande destaque e por isso foi transferido para Capivari de Baixo. A agência de lá estava com muitos problemas, precisava ser organizada para ser fechada.

Mas a sua determinação novamente mudou o rumo da história para melhor. “Consegui resolver os problemas e tornar a agência uma referência estadual”, detalha ao lembrar que percebeu um grande impacto positivo no desenvolvimento de Capivari de Baixo com o aperfeiçoamento dos serviços prestados na agência bancária. Por conta disso recebeu em 2005 o título de Cidadão Capivariense.

Aposentadoria

Com tamanho envolvimento em tudo que se prontificou a trabalhar, a aposentadoria trouxe um grande desafio. O de ter que cessar suas atividades. “Senti muita falta e então resolvi comprar um sítio, para cuidar e trabalhar por lá”, revela. Ao sítio escolhido para este período de adaptação ele deu o nome de Gupiara, nome dado a jazidas de ouro junto a encostas.

“O que sempre aprendi, e sinto é que o ideal é participar, ajudar a construir o futuro. Foi o que sempre procurei fazer e hoje sou muito feliz em relembrar meus passos por muitos lugares e principalmente nesta cidade que acho linda e está cada vez melhor para se viver”, ensina o nobre Tubaronense com um sorriso franco ao lado de sua esposa, a encantadora Jacquellina.

A grande família
O Senhor Cornélio e a Senhora Jacquellina tiveram quatro filhos, Fernando, Nelson, Silvio e Lucia Beatriz. Deles vieram os seis netos, Fernando, Rodrigo, Carolina, Ana Paula, Lucas e Marcos. E a família continua a crescer com três bisnetos até o momento, Valentin, Lívia e Torben.

Enchente de 1974
Uma família comprovadamente abençoada por diversas conquistas. Também receberam a proteção divina na enchente de 1974 quando puderam ajudar amigos pois a casa não foi atingida pelas águas. Mas o neto Lucas Bittencourt Neves garantiu o reforço dessas bênçãos destinando sua vida ao trabalho paroquial sendo consagrado sacerdote no dia 24 de abril e com muitos fiéis apreciadores de sua atuação.

Fonte: Matéria publicada na edição impressa de número 19, da Revista Única – Texto: Joyce Santos

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Fabiano Bordignon

Fabiano Bordignon

Jornalista e editor da edição impressa da Revista Única e do portal www.lerunica.com.br.

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