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Dr. Rogério Sobroza elucida sobre imunidade das vacinas da Covid-19

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Em entrevista exclusiva publicada na edição impressa, o infectologista Dr. Rogério Sobroza elucida importantes questionamentos que envolvem os mistérios e conclusões sobre tratamento e vacina contra a Covid-19. Algumas das perguntas você acompanha a seguir.

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Em nossa região, foram relatados casos de pessoas que não criam anticorpos após terem recebido a segunda dose de alguma das vacinas que estão sendo aplicadas. É possível afirmar que, nestes casos, o usuário está imunizado? Os estudos foram desenvolvidos com dois parâmetros. O primeiro se a pessoa criou anticorpos e o segundo se a pessoa teve a doença. Verificou-se que as pessoas que não criaram anticorpos – em título para positivar a sorologia, essas pessoas não tiveram a doença. Ou tiveram a doença em formas mais brandas. Então, a pessoa fica imunizada da mesma maneira, porém, a forma da imunidade não foi naturalmente através de anticorpos, ocorre também outros tipos de imunidade que não são mediadas por anticorpos e sim por células.

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O senhor fala em memória celular? Exatamente, memória imunológica celular que seria mediada por linfócitos T.

E não têm exames que especificam essa imunização? Até existem exames – só que não para Covid. Mas, existem exames que medem esse tipo de imunização em outras doenças virais. Do ponto de vista prático, essas pessoas estão imunizadas. Naturalmente, se dosar o anticorpo como no teste rápido, tem menos sensibilidade e a tendência é de ter mais resultados falsos negativos. O anticorpo dosado através do teste de sangue tem uma sensibilidade melhor.

Essa divergência entre o tratamento precoce ou não virou política. Como o senhor vê essas visões difusas dentro da própria classe médica? Poderia ser complicado, e ainda é complicado, porque qualquer coisa que você faz na metodologia científica, ela é feita por tentativa. Ou seja, você vai tentar em um grupo e comparar com outro que não foi feita essa tentativa. Normalmente usamos a estatística para saber se o resultado iria ter êxito ou não. Mas a nossa estatística tem falhas, porque se não precisaríamos de um número infinito de pacientes para testar. Usamos o número de 95% nos estudos, normalmente; quando muitas pessoas estão estudando esse mesmo assunto, saem muitos estudos a respeito e temos que ter o cuidado, pegar todos eles e por na ponta do lápis. Alguns teriam resultados muito bons, outros muito ruins, então temos que considerar a massa desses estudos. Aqueles que ficam no meio. 95% vão dar resultado correto e 5% incorreto; a pessoa pode ter cinco estudos para mostrar, por exemplo, que a ivermectina funcionou, mas na verdade têm outros 95 estudos dizendo que não funcionou. Tem esse problema – se a pessoa tiver uma visão muito fechada, ela irá olhar só para o quer ver.

Qual a sua sugestão às pessoas nesse sentido? O que eu sugiro às pessoas é que perguntam sobre o médico ou esse tipo de tratamento; olhar para a sociedade de especialidades, onde tem grupos de analistas que analisam os estudos e depois emitem uma opinião a respeito. Olhar para a Organização Mundial da Saúde (OMS) – o que recomenda a respeito da dúvida. A OMS tem um grupo de especialistas muito melhor do que temos no Brasil, e aqui já não é recomendado a ivermectina, por exemplo. CDC – que é a agência sanitária americana, tem grupos de especialistas para trabalhar para cada assunto específico para analisar os estudos e conseguir chegar a alguma conclusão. E tem um instituto que trabalha somente com metanálise que é o que verifica o conjunto dos estudos, que faz a leitura.

Tipo sanguíneo, tem alguma comprovação? Não. O tipo sanguíneo tem estudos mostrando que têm diferenças nas ocorrências. Mas provavelmente tem mais diferença em relação às etnias, a outras características que são individuais, mas que não tem exatamente a ver com o tipo sanguíneo.

*Matéria publicada na edição impressa de abril/maio de 2021. Para ler essa entrevista completa, assine e receba em casa (acesse aqui).

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Fabiano Bordignon

Fabiano Bordignon

Jornalista e editor da edição impressa da Revista Única e do portal www.lerunica.com.br.

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