BBB 1984

BBB como ele pode nos inspirar

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Enfim o BBB 21 chega ao fim nesta semana. O BBB mais longo até então com 100 dias de confinamento. É mais um para lembranças.

Para alguns, alívio. Para outros, saudades.

Eu particularmente não nunca perdi meu tempo assistindo, pelo menos não propositalmente. Mas é inegável que a casa mais vigiada do Brasil tem uma audiência invejada. Que movimenta massas e instiga as mais ferrenhas discussões.

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Mas o que é o BBB, de onde surgiu, e o que ele faz para prender tanta gente assim em frente a telinha? E o que ele poderia nos ensinar?

 

Onde surgiu o BBB

Desde o início até hoje, milhões de Brasileiros dedicaram horas e mais horas assistindo tudo que os participantes estavam fazendo, falando, namorando, causando. E muitos telespectadores inclusive, devem ter gasto outras tantas horas discutindo com seus amigos e vizinhos as tretas da casa. E claro, votando em quem deve ou não ser eliminado em cada paredão.

Mas você sabe como surgiu esse programa? Porque deste nome?

Então vamos lá.

O programa nasceu em 1999 quando John de Mol, um executivo de uma emissora de TV holandesa teve a ideia de criar um reality show com pessoas comuns, as quais depois de selecionadas ficariam isoladas do mundo externo e conviveriam entre si por um período específico, ao mesmo tempo que seriam vigiadas 24 horas por dia por câmaras.

E o nome, para quem já leu o livro 1984 de George Orwell, deve ter percebido desde a primeira edição do programa que está ali a inspiração. Big Brother no livro é aquele personagem imaginário que ficava vigiando seus cidadãos por meio de telas instaladas nas casas e todos os outros lugares.

Alguns países passaram a adotar o nome original em Inglês, Big Brother, como no Brasil, enquanto outros o traduziram. Na Argentina é «Gran Hermano» e na Itália «Grande Fratello», por exemplo.

 

Big Brother, ou o Grande Irmão

Mas só o nome mesmo veio lá do livro 1984. A propósito, se você não leu ainda esta obra incrível, faça isso agora mesmo. Veja aqui: https://amzn.to/3h1kUhu.

A dinâmica do programa é a seguinte. Os participantes depois de selecionados criteriosamente, ficam confinados. Ou trancafiados mesmo. Eles só terão contato entre si e com o apresentador do programa. Nada de acesso à TV, rádio, jornal, ou qualquer outro tipo de informação externa que não seja pelo apresentador.

Voltando para a obra de George Orwell, é esse apresentador que assume o papel do “Grande Irmão” que tudo vigia. E por falar em tudo vigiado, somente o banheiro é privado e livre de câmeras e microfones. O restante, tudo é vigiado mesmo.

Desde dormir, se trocar, se tocar, cozinhar, e sabe-se lá mais o que os ditos “Brothers” fazem dentro da casa. Tudo é gravado e pode ser acompanhado pela audiência.

 

Câmeras ao vivo 24h por dia

Por mais que só as melhores cenas do dia, e também as provas e os paredões ao vivo sejam exibidos na TV aberta, é possível graças à internet e a TV a cabo ter acesso a praticamente todos os cômodos da casa 24 horas por dia.

E claro, seja com publicidade ou venda de acesso às câmeras, o produtor lucra muito com este tipo de programa. Por isso no Brasil já está na 21ª edição e com contrato assinado para mais algumas pela frente.

 

O que torna o BBB um campeão de audiência?

Mas será que é só o fato dos participantes serem vigiados 24h por dia que dá tanta audiência para o programa? Talvez algum lance mais ousado que chame a atenção do público? Para alguns sim, mas não é isso que faz dele um grande sucesso.

Então, o que? Você já se fez essa pergunta?

A resposta não é única, mas tem alguns pontos que podemos destacar:

 

1. Relações Sociais:

 

De forma geral, pode-se dizer que as pessoas gostam de observar e comentar a vida alheia. E ali, está tudo liberado. Pode comentar mesmo. Na verdade, é o que os produtores desejam que os expectadores façam. Quanto mais comentários, mais audiência.

Além do que, há ainda a questão de competição entre os participantes, e por consequências, as artimanhas que alguns fazem com o propósito de eliminar os demais concorrentes. O que revolta ou anima ainda mais os vigias de plantão.

 

2. Identificação

O fato de tudo ser gravado e televisionado, já que é um reality show, ou seja, um programa de realidade em que na teoria não há encenação, acaba revelando muito da personalidade de cada jogador. E o público por sua vez, acaba se identificando e até mesmo criando vínculos emotivos com os participantes.

Consciente ou não, muitos se projetam neles quando veem os dilemas enfrentados por estes.

 

3. Poder nas mãos

Embora neste ponto haja discordância, o fato é que aparentemente o público tem o poder de eliminar ou não um Brother.

E nos últimos anos com a ascensão das redes sociais, esse sentimento de pertencimento e poder para mudar o rumo do programa se tornou ainda mais evidente.

 

Ou seja, o comportamento mais natural dos Brothers permite um engajamento maior do público que de uma forma ou outra se identifica com eles, se projetam neles, e torcem por eles. Como se fosse a sua própria vida que estivesse ali sendo representada. É emoção pura.

 

 

Os Brother sabem que estão sendo vigiados

Por outro lado, devemos lembrar que os “Brothers” sabem que estão sendo observados, e por isso mesmo, talvez tentem maquiar a sua verdadeira personalidade, pelo menos por um tempo.

Acontece que por estarem confinados o efeito psicológico sobre seus comportamentos também é grande. Assim, em vez de conseguir parecer muito mais “mansos” do que são, por vezes é bem provável que se tornem muito mais agressivos e intensos.

Ou em muitos casos, só verdadeiros mesmo.

 

O que o BBB pode nos inspirar

Independentemente de você gostar ou odiar, podemos tirar algumas lições e até mesmo exemplos do programa.

Vamos fazer alguns exercícios mentais.

Para começar, vamos pegar leve.

 

Governos mais transparentes

Imaginem que tudo que é discutido dentro de um gabinete de uma prefeitura, do governo do estado ou mesmo do federal, incluindo os gabinetes dos nossos vereadores, deputados estaduais e federais e senadores, pudesse ser acompanhado tal qual a casa mais vigiada? E até mesmo nas supremas cortes quem sabe?

Será que iriamos ver as mesmas decisões sendo tomadas tais quais são? Parecendo uma coisa enquanto na verdade são outras?

 

Portal da Transparência

Mas, mesmo sem poder ver e ouvir as discussões privadas, você sabia que pelo portal de transparência também poderia tornar a vida dos políticos um verdadeiro Big Brother?

E você dedica seu tempo para esse tipo discussão tal qual faz com a vida dos Brothers da TV?

 

Grande imprensa mais honesta

E se tudo que é dito em uma redação de jornal quando estão escolhendo as matérias e as manchetes, e até mesmo o foco de cada uma, pudesse ser compartilhado com seus leitores?

Tipo assim, porque essa matéria vai ter um tom positivo ou negativo em relação a um governante?

Será que continuaríamos tendo veículos de imprensa que se dizem isentos, mas na verdade são totalmente manipuladores? Caso a real intenção das suas matérias fossem reveladas?

Assim como discuti no episódio #34 – Sim, e verdade! Mas qual face da verdade?, infelizmente nos grandes jornais sempre há um interesse implícito. Sempre de uma forma ou outra tentam manipular e movimentar as massas em direção a uma ou outra posição. Na maioria das vezes falando a verdade, é verdade, mas utilizando apenas uma face da verdade.  Confira lá esse episódio se não ouviu ainda.

 

Será que o BBB pode nos inspirar?

Para finalizar, uma reflexão. É incrível como nos preocupamos e torcemos pelos Brothers confinados, pelas pessoas alheias, mas será que tentamos dedicar o mesmo tempo para bisbilhotar as ações de quem realmente nos impacta?

E você gosta ou não do BBB? Assiste ou não?  Ama ou odeia? Escreva para nós externando sua opinião. E o que pensa sobre tornar a vida dos nossos políticos um verdadeiro BBP, tipo assim: Big Brother Políticos?

 

Esta publicação também está disponível na forma de Podcast em: https://open.spotify.com/episode/5YMxTGNzzz73k7VuU3SwyN?si=TibZJVFSQ2GdCFDMGryViQ

 

Ou diretamente no Spotify:

 

 

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Fernando Pitt

Fernando Pitt

Engenheiro, Professor, Palestrante, Colunista, Blogueiro e Podcaster. Escreve todas as terças-feiras aqui no portal da Revista Única, cujos textos exploram prioritariamente as temáticas relacionadas à Educação e Tecnologia. Editor do blog: http://fernandopitt.com.br Host do Podcast classe.TECH (http://classe.tech disponível nos principais agregadores de Podcast)

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