Chernobyl
Imagem de StudioKlick por Pixabay

Chernobyl: 35 anos de um Acidente ou Assassinato Nuclear

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Há 35 anos ocorria o maior desastre nuclear da história mundial. O reator nº 4 da Usina Nuclear de Chernobyl entrava em colapso e assim, condenaria uma região inteira para um isolamento milenar. Autoconfiança. Procedimentos equivocados. Falta de equipamentos de medição com escala apropriada. E muitos segredos de estado. E o pior, tempo de resposta oficial longo. Entenda um pouco o que aconteceu para que isso ocorresse.

 

Chernobyl na história

Chernobyl é mencionado pela primeira vez ainda em 1193 como um pavilhão de caça ducal. E ao longo dos anos foi mudando de mãos várias vezes.

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Os judeus já estiveram por ali. Até um mosteiro já existiu nas redondezas. No final do sec. 18 Chernobyl já foi um importante centro do Judaísmo. Os quais acabaram assassinados durante o holocausto. Os poloneses também já pisaram naquelas terras. Terras estas que foram encharcadas com o sangue de inocentes nos últimos séculos.

Em 1972 Chernobyl foi escolhida para abrigar a primeira usina nuclear da Ucrânia. Inaugurada em 1977 foi evacuada no dia 5 de Maio de 1986, somente 9 dias após o maior acidente nuclear da história.

 

 

Combinação de falhas que levaram ao Acidente

Uma combinação de falhas inerentes ao projeto do reator, e operadores inexperientes coordenados por pessoas ambiciosas e autoconfiantes, que conduziram um teste de segurança, que já tinha falhado outras 3 vezes, de maneira contrária a lista de verificação de operação do reator. Estes são apenas alguns dos fatores que resultaram em uma condição de reações descontroladas. E assim, na noite de 25 para 26 de Abril de 1986, há 35 anos, o reator nº 4 da Usina Nuclear de Chernobyl explodia dando início a uma cadeia de eventos que deixariam muitos mortos e feridos.

O acidente nuclear, é um dos dois considerados de nível sete. O maior na escala. O outro foi o da usina nuclear de Fukushima em 2011 (Lá no episódio #31 do Podcast Classe.Tech falei sobre esse acidente também).

E quando se fala em maior acidente aqui está sendo considerando tanto em custo financeiro quanto em vítimas. Além destes, os residentes de Pripyat também foram removidos. A maioria até hoje nunca mais voltou. E não poderão fazê-lo nos próximos milênios.  Calcula-se em mais de 300.000 pessoas que deixaram seus lares de uma maneira forçada sem saber que nunca mais voltariam para casa.

Aqui só uma curiosidade. Por mais estranho que possa parecer, além de cientistas e militares que podem ficar no máximo até 15 dias na região, cerca de uma centena de pessoas ainda mora em Chernobyl. A cidade um pouco mais ao sul da usina nuclear. E estes cientistas e operadores precisam estar no local pois os outros reatores ainda continuaram funcionando por muitos anos após o acidente com o reator nº4, e somente há poucos anos foi concluída a construção do “sarcófago” sobre o reator explodido.

 

Turistas em Pripyat

E claro, não podemos deixar de citar que só em 2019 mais de 60 mil turistas visitaram Pripyat. A cidade fantasma evacuada depois da tragédia. Uma cidade maior e mais perto da usina, foi construída para abrigar as residências dos trabalhadores da usina. E é ela que é retratada na excelente minissérie de 5 capítulos na HBO.

 

Causas apontadas do Acidente

Tudo começou com um teste de segurança em um reator nuclear do tipo RBMK. Uma simulação de queda de energia elétrica que pretendia ajudar na criação de um procedimento de segurança para manter a circulação da água de resfriamento no reator até que os geradores elétricos de reserva pudessem ser acionados e voltar a fornecer energia. Já haviam tido outros 3 testes desde 1982 que foram inconclusivos. Ou seja, haviam falhado de alguma forma. E nesta quarta tentativa, um atraso inesperado de 10 horas provocou a troca de turno para operadores despreparados de plantão. O teste que seria realizado durante o dia foi transferido para o turno da noite onde a maioria absoluta dos operadores não haviam sido informados o que estava acontecendo.

Acontece que, durante a redução planejada de potência do reator em preparação para o teste planejado, a potência caiu inesperadamente para quase zero e estes operadores foram capazes de restaurar apenas parcialmente a potência de teste, o que colocou o reator em uma condição instável.

As barras de boro com pontas de grafite que eram usadas para acelerar ( pontas de grafite) ou frear a reação (barras de boro) foram praticamente todas removidas para fora do reator. Estas barras de boro é como se fossem os freios da reação. Os freios da usina. E quando perderam o controle do processo, foram as pontas de grafite que ficaram em contato com o combustível, o que acelerou ainda mais a reação em vez de pará-la. Mesmo depois do botão AZ5 ter sido pressionado. O botão AZ-5 é acionado para inserir as barras de controle e deveria resultar na introdução de todas as barras de controle. Mas as barras estavam presas fora do núcleo do reator pois o colapso já tinha iniciado, e os operadores não sabiam.

Mesmo os operadores tendo desligado o reator após os testes, uma combinação de condições instáveis somadas as falhas do projeto causaram uma reação em cadeia descontrolada. Uma grande quantidade de energia foi repentinamente liberada e duas explosões romperam o núcleo do reator e destruíram o prédio do reator.

Uma das explosões foi causada pelo vapor super aquecido da água de resfriamento, e a outra, provavelmente uma pequena explosão nuclear, tornou aberto o reator que começou a liberar no ar contaminação radioativa.

Aqui vai um spoiler. Quem assistiu o seriado da HBO (é possível comprar aqui: https://amzn.to/3gJAuhG) deve lembrar quando os bombeiros chegam e encontram aquela claridade saindo do prédio do reator, neste momento o reator já estava liberando altas quantidades de radiação. E também, havia aqueles tijolos de grafite no chão que queimavam mesmo que não fossem tocados. Esses são partes do reator que explodiu.

 

Durante a explosão dois técnicos da usina acabaram morrendo, e na sequencia dos 134 bombeiros mobilizados para tentar apagar o fogo, que até então acreditava-se que era apenas no teto do prédio, 28 morreram nos dias a meses depois. E aproximadamente 14 mortes nos 10 anos seguintes devido a câncer induzido pela radiação.

No seriado também é possível ver a cena em que caixão destes bombeiros é colocado dentre de outro de zinco, e então enterrados em concreto.

 

Mortes Oficiais

Pelos dados oficiais inalterados desde 1987, o número de óbito foi de 31 pessoas. Mas o número de óbitos relacionados À exposição pode ser muitas vezes maior. Há estudos que estimam que este número possa variar pelo menos de 9.000 a 16.000. E há outros ainda, que  dizem que pode ter chegado até a mais de 93.000 pessoas, a maioria crianças. Se considerar todo o continente europeu. Isso porque, a radiação não ficou restrita somente a zona de exclusão.

E por falar em zona de exclusão permanente, diferente de Fukushima, essa será milenar. Pois o combustível utilizado na usina de Chernobyl era o urânio – 235,  cuja meia vida é de aproximadamente 713 milhões anos. O plutônio outro combustível, sua meia vida é 24 mil anos. Vejam que o Césio 137 usado no Japão é de somente 30 anos.

 

Contenção da radiação

Para reduzir a propagação da contaminação radioativa dos destroços e protege-los do intemperismo, foi  construído uma espécie de sarcófago a partir de dezembro de 1986 o qual foi finalizado há poucos anos. A limpeza nuclear está programada para ser concluída somente em 2065. Mas será que dá para acreditar? Já que muita informação real sempre foi omitida desde o primeiro segundo do acidente?

E a resposta de emergência inicial, junto com mais tarde a descontaminação do meio ambiente, em última análise, envolveu mais de 500.000  funcionários e custou cerca de 18 bilhões de rublos soviéticos – cerca de US $ 68 bilhões em 2019, ajustados pela inflação

 

Chernobyl – Indicação de conteúdos extras

Esse é o resumo do ocorrido. Se fossemos para explorar de forma um pouco mais ampla, certamente seriam necessárias muitas páginas e  para expor comunicar com qualidade o evento. E para isso, já temos vários programas mais completos.

E novamente aqui volto a indicar a minissérie Chernobyl na HBO (https://amzn.to/3gJAuhG) e também o Podcast NerdCast 686 de 09 de Agosto de 2019.  Com o título Chernobyl – Ciência, política e catástrofe, por quase 2 horas eles exploram tanto a série quanto o acidente real. Vou deixar o link aqui na descrição do episódio.

Aqui tem um outro filme que eu super indico, Radioative que conta a história da polonesa Marie Curie, a única pessoa a ganhar dois nobels pela descoberta de dois elementos radioativos. O Rádio e o polônio. (https://amzn.to/32QiQjY)

 

E para começar, que tal falarmos sobre a energia nuclear. Se ela foi desenvolvida com fins pacíficos, como gerar eletricidade, também pode ser utilizada para fins malignos em armamento bélico.

 

Energia Nuclear – Necessária ou dispensável

Considerando o que já vimos acontecer em Chernobyl, Fukushima, Iroshima e Nagasaki, só para citar alguns. Na sua opinião,  a energia nuclear é necessária ou dispensável? Mas se ao mesmo tempo lembrarmos que a cura de muitos canceres também se dá com essa mesma energia? Qual a sua opinião? Aproveite este tema para discutir a respeito.

 

Mais conteúdo em Podcast

Se preferir, este texto também se encontra em Podcast com algumas reflexões adicionais. Confira em: https://open.spotify.com/episode/5Rko5U0dh8kEcZUXX03OnZ?si=Xz0CVQt7T9CANbX1HdJCnA ou ouça diretamente por aqui dando o player em:

 

 

 

Confira outras obras que tratam do mesmo assunto:

 

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Fernando Pitt

Fernando Pitt

Engenheiro, Professor, Palestrante, Colunista, Blogueiro e Podcaster. Escreve todas as terças-feiras aqui no portal da Revista Única, cujos textos exploram prioritariamente as temáticas relacionadas à Educação e Tecnologia. Editor do blog: http://fernandopitt.com.br Host do Podcast classe.TECH (http://classe.tech disponível nos principais agregadores de Podcast)

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