Fukushima: 10 anos depois e muito a nos ensinar hoje

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Fukushima, 10 anos depois do acidente nuclear, ainda tem muito a nos ensinar. Neste post, vídeo e podcast, conto um pouco da história do acidente e acima de tudo, trago algumas dicas de temas que podem ser trabalhados na sala de aula ou na sala de jantar.

Fukushima, 11 de Março de 2011.

Às 14h46min (hora local), do dia 11 de março de 2011, um enorme Tsunami se formou no Mar do Japão por consequência de um terremoto de 9 graus de magnitude. O tremor foi originado pelo choque das placas tectônicas Eurasiática e Pacífico, a 24,4 km de profundidade abaixo do fundo do mar, há aproximadamente 130 km da costa do Japão.

As ondas que se formaram devido a este grande deslocamento de massas no fundo do oceano, embora pequenas em alto mar, chegaram com alturas entre 10 a 15 metros na costa. Em algumas regiões inclusive, tiveram força para avançar até mais de 10 km além da praia.  Para se ter uma ideia da grandeza da força deste terremoto, a ilha Honshu que é a maior do arquipélago Japonês, chegou a ser deslocada geograficamente em 2,4 metros e o eixo da terra moveu-se 10 centímetros.

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O Japão certamente é um dos países com mais experiência na construção de edifícios, resgates, e resposta a eventos sísmicos como esse. Muito em consequência de um desastre com terremoto que deixou mais de 140 mil mortos em 1923 na região de Tóquio. Mesmo assim, a catástrofe de 2011 acabou por fazer mais de 18 mil vítimas entre mortos e desaparecidos. Sendo considerada a segunda maior catástrofe em solo japonês desde o lançamento das bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki em 1945.

O inventário dos estragos é quase inimaginável. Mais de 300 mil prédios destruídos. Mais de 1 milhão de construções danificadas. Além das 4 mil estradas, 78 pontes e 29 linhas férreas.  Um custo financeiro total estimado em mais de U$200 bilhões.

Mas infelizmente isso não foi tudo. Têm ainda o desastre nuclear que se seguiu as grandes ondas que ainda hoje deixa pelo desabrigados.

 

Milhares de desalojados nucleares

Além do desastre causado por consequência das grandes ondas que atingiram a costa do país, ainda houve um grande impacto em duas usinas nucleares.

Uma delas, a de Onagawa, por ser mais alta de possuir um muro de contenção contra tsunamis de 14 metros, pouco sofreu. Mas, a de Fukushima provocou um segundo desastre, o nuclear.

No dia 11 de Março de 2011, 3 dos 4 reatores da usina de Fukushima estavam operando quando ocorreu o terremoto. Por consequência dos tremores, as 6 linhas de transmissão foram danificadas e assim, os geradores entraram em operação. Porém, por volta das 15:42 uma primeira onda atingiu a usina, e 8 minutos depois, uma segunda. Todo o subsolo, onde estavam os geradores, acabou inundado. Com os geradores, baterias e bombas danificados e parados, o processo de resfriamento dos 3 reatores parou. Ali começava um segundo desastre.

Na mesma noite de 11 de março foi anunciado o estado de emergência nuclear e foi estipulada a evacuação de todos num raio de 2 km. Logo depois esta área foi estendida para 3, 10 e no dia seguinte para 20 km.

Resultado? Mais de 160 mil pessoas deslocadas nos primeiros dias. Muitos puderam começar a voltar a partir do final de março, mas, estima-se que hoje ainda tenha mais de 30 mil pessoas “refugiadas” por este motivo. Okuma com 11 mil habitantes na época, só pode voltar a receber em torno de 40% da sua população de volta a partir de 2019. Já Futaba, com 7 mil habitantes, só em 2020 foi liberada para os trabalhadores de reconstrução.

 

Desastre Nuclear de Fukushima

Isso ocorreu pelo seguinte. Sem as bombas de resfriamento os reatores superaquecem e entram em colapso. O mesmo que aconteceu em 1986 em Chernobyl. E essa falha começou a ocorrer já no dia 12 de março, quando uma forte explosão ocorreu na usina durante a tentativa de resfriamento dos reatores.  3 dias depois os núcleos dos 3 reatores derreteram.

Ao longo dos dias seguintes, vapor radioativo e água contaminada vazaram para o ambiente e para o pacífico. Só duas semanas depois conseguiram novamente considerar estáveis os reatores.

Mais de um milhão de tonelada de água radioativa se acumulou na usina deste então, além de outros danos ambientais incalculáveis.

 

O aprendizado

Logo após o acidente com Fukushima, os cerca de 50 reatores nucleares do Japão passaram por inspeções. Muros mais altos foram construídos ao redor de usinas suscetível a tsunamis, e novos protocolos foram criados.

Lá, por exemplo, muitos habitantes já tem uma mochila sempre preparada com água, comida e medicamentos para o caso de terem que evacuar a cidade as pressas.

 

Energia Nuclear

Como reflexão final depois dos dois grandes acidentes recentes, Chernobyl e Fukushima, é necessário se perguntar o quanto a humanidade está disposta a ficar refém da energia nuclear.

Ela certamente, tem inúmeras vantagens que superam e muito as demais formas de geração de eletricidade. Geram muito menos danos ambientais durante a sua construção e operação, contudo, no caso de um desastre ou mesmo desativação, seus resíduos podem continuar poluindo por milênios.

Não dá para afirmar que uma seja melhor do que a outra, mas abre espaço para muitas discussões e estudos em sala de aula ou em família.

 

Dicas de temas para se trabalhar em sala de aula

Eventos como este, apesar de toda destruição e sofrimento causado, quando vistos pelas lentes da história nos oferecem excelentes oportunidades de temas de estudo.

Dentre muitas oportunidades de envolver seus alunos ou filhos nessas discussões, destaco algumas:

  • Terremotos / Maremotos / Tsunamis

A origem de toda destruição e também do desastre nuclear, foi um terremoto em alto mar causado pelo choque de duas placas tectônicas. A euroasiática e a Pacífico. Neste sentido, pode-se trabalhar uma série de conteúdos diretamente relacionados com a geologia do nosso planeta, claro, dando uma ênfase especial para a movimentação da placas tectônicas. Na história, buscar e discutir eventos similares tanto no Japão quando em outros lugares do planeta. Incluindo dos grandes terremotos que volta e meia assolam o Chile.

 

  • Termoelétricas

Como todos sabem, uma usina nuclear em essência é uma usina termoelétrica. E seu funcionamento pode ser resumido da seguinte forma: A água em uma caldeira é aquecida até virar vapor, e este movimenta uma turbina geradora de eletricidade. A diferença contudo, está no seu elemento combustível. Em uma térmica a carvão, óleo ou gás, são estes combustível que quando queimados geram calor que aquece a água. Já numa usina nuclear, são os elementos radioativos que liberam calor que aquecem a água de um circuito fechado, e esta é a responsável pelo aquecimento da água que irá movimentar o gerador.

Aqui reside uma  oportunidade incrível de se trabalhar as diversas fontes geradoras de eletricidade, claro, dando ênfase especial para a geração térmica. E além disso, discutir porque o Japão, mesmo sendo suscetível a terremotos frequentes, ainda assim tem como sua principal fonte de geração de eletricidade as usinas nucleares.

 

  • Elementos Radioativos

E já que falamos de elementos combustíveis, que no caso das usinas nucleares são radioativos, abre um novo leque de estudos.

    • O que são elementos combustíveis?
    • Qual a diferença entre eles? Porque há preferencia pelo carvão em um lugar e gás em outro?
    • E em relação aos elementos radioativos, qual a diferença do Plutônio utilizando em Chernobyl e do Césio 137 utilizado em Fukushima. Porque no primeiro caso a meia-vida do elemento é 24.000 anos e no segundo só 30 anos. E o quais implicações diretas isso traz para a região afetada como um todo.
    • O que acontece com os resíduo oriundo de uma usina nuclear? Como é descartado? Onde é descartado?

 

  • Pegada de Carbono

Haveria ainda muitos outros assuntos relacionados com este tema, mas para fechar este post, sugiro mais um assunto super relevante e que geralmente provoca um acalorado debate. A pegada de carbono.

Muitas pessoas ingenuamente acreditam que as placas solares, por exemplo, são muito mais limpas e indicadas ao meio ambiente. Mas a fabricação delas não gera resíduos ou destruição ambiental para obtenção dos seus elementos?

E as hidroelétricas, por outro lado, aparentemente inofensivas na sua operação dependem de grandes reservatórios (lagos). E como estes são construídos? Quanta fauna e flora são destruídos e por vezes, até comunidades inteiras precisam ser removidas para o alagamento da represa?

E ainda, se as usinas térmicas a carvão e óleo diesel, por exemplo, são tão poluentes, porque não desligá-las? Mas se fizer isso, o que acontecerá? Os países terão como prover energia elétrica para indústrias e residências de forma estável e em quantidade equivalente ao seu consumo?

 

Indicação de filme

Para quem não sabe, no Brasil também já houve um acidente radiológico. Ocorreu em 13 de setembro de 1987 e foi com o Césio 137. Este é o tema para um novo post, mas de qualquer forma fica aqui a indicação do filme que conta esta história:

Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia – Disponível integralmente no youtube: https://youtu.be/-PUJd5qsU0g

 

 

Se preferir, assista em vídeo o conteúdo deste post diretamente no Youtube em: https://youtu.be/t40WWZfneUU

 

Este conteúdo também está disponível em áudio. Ouça por meio do Podcast Classe Tech no seu agregador preferido, ou ainda, no Spotify: https://open.spotify.com/episode/3E6H0V2fLVutdRnzsnHYnp?si=2fb0196a8eba42a8


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Fernando Pitt

Fernando Pitt

Engenheiro, Professor, Palestrante, Colunista, Blogueiro e Podcaster. Escreve todas as terças-feiras aqui no portal da Revista Única, cujos textos exploram prioritariamente as temáticas relacionadas à Educação e Tecnologia. Editor do blog: http://fernandopitt.com.br Host do Podcast classe.TECH (http://classe.tech disponível nos principais agregadores de Podcast)

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