Fotos: Divulgação

Quatro anos de saudades de José Roberto Cardoso Tournier

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No dia 13 de outubro de 2016 Tubarão foi impactada e chorou pela morte do “cientista político” José Roberto Cardoso Tournier, o Beto, como era carinhosamente chamado pelos amigos. A notícia rapidamente se espalhou por todos os cantos da cidade e reflete a sua grande popularidade.

Para Beto Tournier a origem e a classe social das pessoas não interferiam nas suas amizades. Sendo eles pobres ou ricos, moradores da cidade ou do interior, todos eram seres humanos com os quais se relacionava com humildade e carinho.

Aos 67 anos, Beto poderia ter ido mais longe. “Não há nada mais triste do que um pai enterrar seu filho querido”, disse o pai Lindomar Tournier naquele triste dia. Hoje, aos 98 anos, seu Lindomar da Farmácia está prestes alcançar o centenário. “Beto era daqueles caras bacanas que mereciam viver mais de um século”, lembra um amigo que compartilhou com o filho do farmacêutico boas histórias no Sítio do Beto, localizado no Bairro Andrino onde muitas decisões sobre a política tubaronense foram tomadas há mais de 40 anos.

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O Sítio do Beto sempre reuniu uma eclética confraria todas as semanas para jogar tranca, comer e beber e, principalmente, falar sobre política. Lá, nasceram candidaturas e muitos prefeitos e vereadores eleitos. Programas de rádio como o Frente à Frente do saudoso José Carlos Aguiar foram transmitidos ao vivo do sítio. Governadores e deputados também passaram por lá e, até mesmo, comícios foram realizados no endereço, afinal Beto dizia: “nossa casa não tem cadeados e os portões estão sempre abertos”, lembra a esposa Sônia Machado Tournier.

O político Beto Tournier

Candidato a deputado e a prefeito em Tubarão na década de 1980, contudo, Beto não teve a mesma sorte daqueles que ajudou a eleger. Em 1982, é candidato a deputado estadual pelo então PMDB – hoje, MDB, mas não obteve êxito. Mais adiante, sua popularidade e conhecimento político ajuda a eleger Miguel Ximenes prefeito de Tubarão.

No governo Ximenes, exerce a presidência da Companhia de Urbanização e Desenvolvimento de Tubarão (Coudetu) e da secretaria de Obras. Em nível estadual, preside o Departamento de Transportes e Terminais (Deter).

De volta a Tubarão, é aclamado candidato a prefeito em 1988. Para disputar o pleito, foi indicado para ser seu vice o professor Neri dos Santos, que havia sido diretor da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e secretário de Estado dos Transportes e Obras. Há quem diga que se o ex-prefeito de Capivari de Baixo Luiz Carlos Brunel Alves fosse o vice a dupla não perderia a eleição.

Apesar da derrota, o enredo de campanha caiu na graça dos eleitores e muitos deles lembram até hoje. Um trecho dizia o seguinte: “Piuí, piuí, piuí, coloca a mão no meu ombro… Beto Tournier na prefeitura será a voz do povo; é um jovem de capacidade e precisamos de sangue novo”.

Os programas de rádio – principal veículo na época onde nem se pensava no alcance das redes sociais – eram gravados na Tubá: Paulo Garcia, locutor, Geraldo Salvador, sonoplasta e Júlio Cancellier, redator. “Além da boca alugada, tenho também o mãos alugadas”, brincava Tournier com toda sua irreverência e peculiaridade.

Os comícios eram em cima de um caminhão Mercedes adaptado como palanque. Miguel Ximenes, talvez dono de uma das oratórias políticas imbatíveis até os dias atuais, era quem dava o tom. Por sua vez, Beto Tournier – que detinha uma oratório compatível – dizia que iria governar para o povo.

Estener Soratto (PFL) venceu. Foi a segunda e última eleição que Beto colocou a cara no poste. Aliás, sua fotografia estava em todos os postes, colada com uma solução a base de farinha de trigo feita pela Dona Jurema, grande símbolo de militância do antigo MDB.

Depois disso, Beto presidiu o PMDB municipal, foi secretário municipal do governo Genésio Goulart, esteve na diretoria da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) e foi secretário regional de Tubarão. Após sua saída da então Secretária de Desenvolvimento Regional (SDR) seu envolvimento na política foi diminuindo.

Currículo acadêmico e empresarial de respeito

Foi professor universitário da Fundação Educacional do Sul de Santa Catarina (Fessc), atual Unisul e da Fundação Educacional de Criciúma (Fucri), hoje Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Ministrava as disciplinas de Marketing e Administração de Empresas. Era muito querido pelos alunos e colegas de universidade.

Beto também foi diretor do jornal O Estado na década de 1970 e empresário do setor de transporte. A sociedade que gerou a famosa Hexa Transportes em parceria com os empresários Nilton Jacinto e Waldemar Nunes e um padre da família Herdt. Foi ainda presidente da Associação Empresarial de Tubarão (Acit) por dois mandatos.

Conforme publicou o jornal Notisul de Tubarão na data em que faleceu, “Beto era muito conhecido por articular grandes encontros políticos – o cientista político – como era chamado. Fez política para os outros, já que nas únicas duas vezes que se candidatou não logrou êxito. Deixou praticamente de lado sua carreira acadêmica e empresarial para se dedicar às campanhas eleitorais e gestões peemedebistas”.

Parque Empresarial José Roberto Tournier: uma homenagem ao ex-político

O atual governo de Tubarão homenageia o “cientista-político” Beto. Para deslanchar a implantação de empresas e a futura criação de novas oportunidades de trabalhos foi criado o Parque Empresarial José Roberto Tournier, no Bairro São João da Margem Esquerda.  Os investimentos devem alcançar o custo de R$ 2.619.969,34 e na etapa inicial deslanchada em agosto de 2019 já conta com mais de 30 empresas que deverão ser criadas. A primeira etapa será para implantar a infraestrutura do local, como por exemplo, rede de água e esgoto, pavimentação das vias e iluminação. Um diferencial importante no parque será a instalação do Serviço Social do Transporte (SEST) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT). Um Centro Multiuso com capacidade para 350 pessoas também está previsto para o local.

Família

José Roberto Tournier era casado com Sônia Machado Tournier e pai de Fernando Tournier, Vitor Tournier e Roberto Tournier e avô de três netos: Nicole, Matias e Anelise.

 Amigos do Sítio

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade…

Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.

Não é gostar, quando nos apegamos somente às virtudes, mas sim quando respeitamos a individualidade de cada um com suas virtudes, defeitos e manias.

Sendo assim, podemos dizer que somos “AMIGOS”.

Beto Tournier – 06/06/06

*Matéria publicada na edição impressa de agosto/setembro de 2020.

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Redação

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Matérias produzidas em ação compartilhada entre repórteres do www.lerunica.com.br

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