Fotos: Silvana Lucas

“É uma doença muito fácil de transmitir. O futuro é uma incógnita”

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O médico Lawrence de Luca Dias está atuando na linha de frente para combater o novo coronavírus em Tubarão. De carreira meteórica, tendo obtido a formação em Medicina com apenas 22 anos, o tubaronense formado pela Universidade Federal de Pelotas, expandiu seu alcance e o engajamento da Clínica Pró-Vida com transmissões ao vivo pelas redes sociais. O objetivo é tirar dúvidas das pessoas em relação ao vírus com o apoio de profissionais de diversas áreas. Em uma das ‘lives’ o alcance foi tão grande que em menos de 24h foram quase 600 mil visualizações.

Com o mistério causado pelo avanço do novo coronavírus, a reportagem entrevista Dr. Lawrence e aborda vários assuntos. Desde as medidas tomadas pelos governantes até o número de casos na região. Também abordamos os possíveis tratamentos para a Covid-19 e as teorias de conspiração que aparecem vez ou outras nas redes sociais.

O médico possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Pelotas (1995). Tem residência médica em Medicina Geral e Comunitária e especialização em geriatria pela UFRGS. Atualmente é professor titular da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), faz parte do corpo clínico do Hospital Nossa Senhora da Conceição, é clínico da Clínica Médica Provida e atua na Hydro.

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 Atendimentos de pessoas com sintomas em Tubarão

É um número bastante alto. É um público com sintomas, não que seja coronavírus. Pode ser aventada a possibilidade da doença. São muitas queixas respiratórias até por causa do clima. O que eu percebo é que nossa cidade fez uma boa prevenção. O isolamento foi eficiente. Nosso povo sabe da importância de seguir as medidas de higiene. Isso, comparando com outros Estados, é positivo. Particularmente eu esperava um quadro muito mais avançado do que estamos vendo hoje. Espero que isso continue, porque senão a gente pode ter problemas”.

 Antes não era assim

“Quando as primeiras notícias sobre o coronavírus surgiram minha vontade era de ficar em casa, tamanha a quantidade de informação. Antes as queixas eram de diarreia, dores abdominais, dor no peito e afins. Hoje as queixas são quase todas respiratórias. Todo mundo está preocupado com o coronavírus”.

Quando ir ao hospital?

“Quando a pessoa tiver falta de ar e febre persistente, que esteja durando mais de 72 horas”.

Isolamento social funcionou em Santa Catarina?

“Sem dúvida o que foi aplicado em Santa Catarina, principalmente em Tubarão, foi eficiente. Aqui não teve caos. Eu acredito que a doença seja de uma alta transmissibilidade. É uma doença muito fácil de transmitir. O futuro é uma incógnita. Se nos cuidarmos, fazermos o isolamento até chegar uma vacina, ela vai reduzir bastante. A doença não vai desaparecer até a vacina chegar e se alguma vida foi salva pode ter certeza que a medida foi acertada”.

A teoria da imunidade de rebanho de Osmar Terra

“Se 70% das pessoas se contaminarem, quantas pessoas precisarão de um leito de UTI? Osmar Terra é político, por exemplo. Ele deve ter outro viés. Evitar a contaminação é muito importante. Existem países investindo muito dinheiro para produzir uma vacina. Eu não acredito que a gente esteja muito longe de uma vacina. Particularmente acho que vamos conseguir logo. Ou vacina ou remédio. Inclusive já existe um aprovado nos Estados Unidos, que ainda não existe no Brasil. Hoje se fala muito em cloroquina e azitromicina, mas não temos 100% de certeza”.

Doença misteriosa

“Isso depende do sistema imunológico. Em algumas pessoas as defesas são ativadas depois da doença. O organismo mesmo combate o vírus e agride outras células. Isso pode gerar a morte do paciente. Hoje não há como saber o que vai acontecer com cada um, pois os sistemas imunológicos são diferentes. São muitas informações novas até agora, mas nada concreto. Já são cerca de cinco meses da doença e ainda não existe uma linha de tratamento única”.

Não levaram a sério

“Eu não consigo entender como os países de primeiro mundo não seguraram a doença. Acharam que a doença não era tão séria. Quando perceberam o problema, não deu mais tempo”.

Muitos vão contrair o vírus?

“Eu tenho a impressão de que algumas pessoas têm contato e não desenvolvem a doença. Grande parte de nós vai ter contato com o vírus. Nós estamos retardando o vírus. Sem vacina será assim. Como vamos nos comportar é uma incógnita. Enquanto não houver vacina, a pandemia no Brasil irá até dezembro, conforme alguns estudos. Acredito que a grande maioria vai se contaminar”.

Quem é Lawrence de Luca Dias?

“Nasci em Tubarão, no Hospital Nossa Senhora da Conceição. Quem atendeu minha mãe foi o grande médico Irmoto Feuerschuette, no dia 25 de dezembro de 1971. Minha família é de Curitibanos, mas a família da minha mãe morava em Capivari de Baixo, por isso ela veio para cá e eu nasci em Tubarão. Depois, morei em Curitibanos até os 14 anos. Trabalhei na farmácia da minha família e fui estudar em Curitiba. Prestei vestibular para Medicina aos 15 anos e passei, já com 16. Fui aprovado na Universidade Federal de Pelotas e em uma Universidade de Caxias do Sul. Optei por Pelotas por ela ser Federal. Me formei em Medicina com apenas 22 anos”.

Carreira meteórica

“Eu tinha um tio que queria muito que eu viesse para Tubarão. Acabei aceitando a proposta e tive uma oferta de emprego em Jaguaruna. Trabalhei por algum tempo na cidade e depois fui convocado pelo Exército Brasileiro. Prestei o serviço em 1996 e fui convidado para continuar em 1997. Trabalhava no ambulatório médico do Exército em Tubarão. Aos poucos fui conhecendo mais pessoas e vim trabalhar no Hospital Nossa Senhora da Conceição. Tempos depois virei chefe de emergência do HNSC. Na época nem existia faculdade de Medicina em Tubarão. Fiz um curso de especialização em Geriatria na PUC, em Porto Alegre. Em 2001, o Hospital lançou um serviço de residência médica. Prestei prova e fui o primeiro residente do HNSC, entre 2001 e 2003. Nesse ano o curso na Unisul começou e fui convidado a ser professor. Também iniciei meu trabalho no Pronto Atendimento da Pró-Vida. Inclusive, nesse ano, serei o Patrono da turma de Medicina. Também atuo na Medicina do Trabalho e na empresa Hydro, multinacional que tem filial em Tubarão”.

 

 

 

 

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Fabiano Bordignon

Fabiano Bordignon

Jornalista e editor da edição impressa da Revista Única e do portal www.lerunica.com.br

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