Foto: Fabiano Bordignon

EDIÇÃO IMPRESSA: O adeus que tem sido feito sem a despedida

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A pandemia causada pelo coronavírus tem tirado a vida de milhares de pessoas somente no Brasil. Infelizmente, pela facilidade de transmissão do vírus, os velórios estão proibidos em vários locais e o enterro ou cremação acontece de maneira rápida. Familiares e amigos têm tido dificuldade para participar do processo, seja por medidas sanitárias, ou pela dificuldade em participar de um ato tão difícil.

Na região, proprietários de empresas do setor têm seguido as recomendações de órgãos sanitários para evitar a propagação da doença. Os velórios para pessoas que falecem de Covid-19, por exemplo, estão proibidos. “Existe um protocolo que já começa a ser cumprido dentro do hospital. Todo o procedimento é feito no local. De lá sai o corpo envolvido em um saco plástico dentro da urna para um cemitério ou crematório”, explica Flaviano de Aguiar, o conhecido Dudu, proprietário da Funerária Capivari de do Crematório São Mateus.

A família não tem contato algum com o corpo. A urna sai lacrada da instituição hospitalar e instantes depois o corpo é sepultado ou cremado. As medidas rígidas deixam a cerimônia ainda mais difícil para familiares e amigos. Além disso, muitos evitam participar do enterro, por exemplo, com medo de contaminação. “Estamos passando por um momento que nos deixa muito tristes. Pode acontecer com qualquer um e infelizmente não é possível se despedir de um ente querido”, lamenta o empresário.

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O procedimento para mortes com outras causas é um pouco diferente. Na região, os velórios estão liberados, mas com uma série de regras. A cerimônia não pode durar mais do que seis horas e há limite de pessoas dentro do ambiente onde o corpo está sendo velado. “Podem permanecer apenas dez pessoas dentro da sala. Se houver mais gente, é preciso aguardar do lado de fora. Só pode entrar quando um sair”, detalha Dudu.

Em casos de mortes de Covid-19, a cerimônia de sepultamento deve ocorrer em lugares ventilados e, de preferência, abertos. Durante todo o velório o caixão deve permanecer fechado para evitar qualquer contato com o corpo. O protocolo recomenda ainda que seja evitada a permanência de pessoas que pertençam ao grupo de risco: idade igual ou superior a 60 anos, gestantes, lactantes, portadores de doenças crônicas e imunodeprimidos. Além disso, a presença de pessoas com sintomas respiratórios também deve ser evitada como, por exemplo, febre e tosse.

Até agora, Flaviano comta que não atuou em nenhum procedimento que incluía a retirada do corpo do hospital e o enterro. Porém, o empresário de Capivari de Baixo já prestou serviço a algumas famílias que optaram pela cremação do corpo. No seu estabelecimento, que fica na comunidade de Ilhotinha, medidas sanitárias também precisam ser tomadas. “Quando o corpo chega até o local ele já é cremado no mesmo momento. Não há possibilidade de deixá-lo em uma câmara fria. Ele é cremado instantes depois de chegar no Crematório São Mateus”, conclui.

 

Manejo pelos profissionais de saúde

A transmissão de doenças infecciosas, como a Covid-19, também pode ocorrer por meio do manejo de corpos. Isso é agravado por uma situação de ausência ou uso inadequado dos equipamentos de proteção individual (EPI). Nesse contexto, os profissionais envolvidos com os cuidados com o corpo ficam expostos ao risco de infecção. Por isso, é fundamental que estejam protegidos da exposição a sangue e fluidos corporais, objetos ou outras superfícies contaminadas. Não são recomendadas autópsias.

Se a pessoa confirmada ou suspeita de infecção por coronavírus falecer em casa é necessário comunicar a morte imediatamente ao serviço de saúde, como aos Bombeiros ou ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192), ou mesmo ao médico de confiança da família, que não deverá ter contato com o corpo. As pessoas que moram com o falecido deverão receber orientações de desinfecção dos ambientes e objetos, usando água sanitária. A retirada do corpo deve ser feita por uma equipe de saúde, observando as medidas de precaução individual como o uso dos EPIs.

 

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Fabiano Bordignon

Fabiano Bordignon

Jornalista e editor da edição impressa da Revista Única e do portal www.lerunica.com.br

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